Viabilidade econômica da produção de palma forrageira irrigada e adensada no semiárido Potiguar Economic feasibility of irrigated forage cactus in narrow rows in the Potiguar semiarid

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   Revista iPecege 3(1):59-74, 2017 DOI: 10.22167/r.ipecege.2017.1.59 59 Viabilidade econômica da produção de palma forrageira irrigada e adensada no semiárido Potiguar Economic feasibility of irrigated forage cactus in narrow rows in the Potiguar semiarid Suênia Flávia de Araújo Dantas¹ * ; Guilherme Ferreira da Costa Lima 2 ; Edson Pereira da Mota 3   1   Especialista MBA Agronegócio  –  Rua do Espinheiro  –  Pitimbu  –  CEP 59066-440 - Natal (RN), Brasil 2 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária  –  EMBRAPA/Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte  –  EMPARN  –  Doutor em Produção Vegetal  –  Avenida Eliza Branco Pereira dos Santos s/n  –  Parque das Nações  –  CEP 59158-160  –  Parnamirim (RN), Brasil 3 Universidade de São Paulo  –  Escola Superior de  Agricultura “Luiz de Queiroz” –  Mestre em Ciências  –  Av. Pádua Dias 11  –  São Dimas  –  CEP 13418-900  –  Piracicaba (SP), Brasil Resumo O semiárido potiguar pode ser uma excelente alternativa para a implantação de projetos de produção de palma irrigada e adensada por apresentar, em grande parte de seu território, clima desfavorável a produção dessa cultura em sistema de sequeiro. A irrigação e adensamento surge como uma alternativa viável economicamente para investidores. Assim, teve-se como objetivo estudar a viabilidade econômica da produção da palma forrageira irrigada e adensada no semiárido potiguar. A partir da análise dos dados, foi considerado o custo de produção de um hectare no município de Apodi, Rio Grande do Norte. No projeto foram analisados o investimento, custos de manutenção, rentabilidade e estimativa de crescimento ao longo de oito anos. Por meio de fluxo de caixa, considerando taxa mínima de atratividade de 8%, foram obtidos o Valor Presente Líquido [VPL], taxa interna de retorno [TIR] e o payback, assim como o cálculo do ponto de nivelamento. O projeto foi considerado economicamente viável, com a constatação de VPL igual a R$ 105.892,49 e TIR de 88%. O lucro líquido anual do projeto alcançou R$ 22.552,20, o que acumulado durante oito anos pode atingir R$ 158.319,80. Com base no payback o investidor teria retorno do investimento inicial em um ano e nove meses. A produtividade mínima para que a atividade desse lucro foi de 70.103 kg ha -1 .ano -1 . Palavras-chave: irrigação, Opuntia Nopalea , TIR, VPL  Abstract The Potiguar semiarid can be an excellent alternative, in great part of its territory, to implement projects of irrigated forage cactus in narrow rows because of the unfavorable weather to the production of this crop in rainfed system. Narrowing and irrigating come as feasible alternatives to investors. Thus, the objective was to study the economic feasibility of irrigated forage cactus production in narrow rows in the Potiguar semiarid. It was considered the production cost of one hectare based on the data collected in the city of Apodi, Rio Grande do Norte. In the project, it was analyzed the investment, maintenance costs, profitability and forecast growth in eight years. The Net Present Value [NPV], Internal Rate of Return [IRR], payback and breakeven point were obtained through cash flow considering a hurdle rate of 8%. The project was considered economically feasible because the NPV was R$ 105,892.49 and the IRR was 88%. The project annual net profit reached R$ 22,552.20, which added up through the eight years could come to the value of R$ 158,319.80. The payback showed that the investor would recover the initial investment in one year and nine months. The activity would be profitable if the productivity was at least 70,103 kg ha -1 .year  -1 . Key words:  irrigation, Opuntia , Nopalea , IRR, NPV *  Autor correspondente: <sueniaflavia@bb.com.br> Enviado: 19 dez. 2016 Aprovado: 06 fev. 2017     S.F.A Dantas et al. 60 Rev. iPecege  3(1):59-74, 2017   Introdução A palma é uma forrageira que tem bom desempenho em grande parte do semiárido brasileiro e do mundo por apresentar características bioquímicas, anatômicas, morfológicas e fisiológicas adaptadas aos rigores climáticos dessas regiões (Cândido et al., 2013). No Nordeste predomina o cultivo de espécies de palma dos gêneros Opuntia  (variedades Redonda e Gigante) e Nopalea  (palma miúda ou palma doce), ambos da família cactácea, cultivadas em área superior a 500 mil ha no semiárido (Silva et al., 2010). É rica em carboidratos não fibrosos e, devido ao seu alto teor de umidade, supre grande parte das necessidades de água dos animais, minimizando um dos maiores problemas para a criação pecuária nessas regiões (Ben Salem et al., 2005), o conteúdo de matéria seca produzida pela planta se situa por volta de 10%, ou seja, 90% de sua composição se caracteriza pela presença de água (Lima et al., 2015a). A palma possui, em termos de nutrientes digestíveis totais [NDT], valores próximos ao da silagem de milho, o que a torna, além de hídrica, interessante do ponto de vista nutricional (Farias et al., 1984). Apesar da boa adaptação em grande parte dessa região, é importante destacar que localidades situadas acima de 300 m de altitude possuem maior potencial para o cultivo da palma (Duque, 2004). Localidades que apresentam baixas altitudes e elevadas temperaturas noturnas, associadas a precipitações abaixo de 400 mm ano -1 , são classificadas como áreas limitantes para produção de palma (Farias et al., 2005). Em relação ao semiárido potiguar, em grande parte dessa região a palma não apresenta um bom desempenho. Conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento [MAPA] (2010), portaria nº 302, de setembro, apenas 25,74% dos municípios potiguares são aptos para o cultivo da palma forrageira. Com base no exposto, medidas como a irrigação e o adensamento, contornando as condições climáticas desfavoráveis, podem ser uma solução para o bom desempenho da palma no semiárido potiguar. Porém, ao considerar que essa região possui apenas de 2 a 3% de sua área propicia a irrigação, fontes alternativas de água como a da chuva, poços de baixa vazão e água de reuso, podem ser suficientes, pois essa forrageira apresenta alta eficiência produtiva, necessitando, assim, de quantidades mínimas de água para altos rendimentos (75 a 100 mil L ha -1 .mês -1 ) (Lima et al., 2015a) Considerando que a pecuária leiteira é atividade comum no semiárido e que a palma apresenta potencial para representar o principal suporte forrageiro para essa atividade, tanto pela sua capacidade de adaptação, rusticidade e longevidade, como   Viabilidade econômica da produção de palma forrageira irrigada e adensada no semiárido Potiguar Rev. iPecege  3(1):59-74, 2017 61  pela aceitabilidade pelo gado, tem-se combinação potencial entre estes dois fatores na atividade (Silva et al., 2010). É pertinente destacar que no ano de 2011 para 2012 houve redução da produção de leite no Brasil influenciadas por quedas registradas na região Nordeste do país (14,8%). No Rio Grande do Norte houve redução de 18,1% (redução de 189.586 cabeças de gado) no rebanho e perdas na produção de leite na ordem de 45,1 milhões de litros, representando queda de 18,4% (IBGE, 2012). Estima-se que em 19 anos de seca (13 secas) de 1958 a 2012, as perdas econômicas foram estimadas em 105,61 milhões no valor bruto da produção de leite de vaca, totalizando 2,6 bilhões de reais (Ximenes, 2013). As elevadas perdas econômicas observadas demonstram a importância de estudos de viabilidade econômica para a produção de uma forrageira adaptada que contribua com o desenvolvimento econômico sustentável da pecuária leiteira no Rio Grande do Norte. A disponibilidade de animais e de forragens plenamente adaptadas garante ao sistema pecuário menor risco e maior eficiência econômica. Sem a forragem adaptada ao período seco, o produtor aumentou o fornecimento de concentrado, elevando o custo de produção (Araújo et al., 2004). Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada [CEPEA] (2015), o concentrado representa 42,07% do custo operacional efetivo [COE], o de maior representatividade dos custos do pecuarista de leite. A palma pode ser uma saída para a redução da dependência econômica dos produtores em relação a aquisição dos concentrados comerciais, particularmente como substituto do milho, não apenas nos períodos de seca, mas na composição das dietas durante o ano todo (Lima et al., 2015a). Além da possibilidade da substituição de outros alimentos pela palma, é importante verificar a viabilidade econômica dessa substituição com vista não apenas nas vantagens bromatológicas, da composição química, da adaptabilidade, de desempenho e de manejo do produtor, mas também, nas implicações econômicas trazidas por cada alternativa testada. Assim, considerando a contínua busca por alternativas para aumentar a rentabilidade econômica da produção agropecuária no semiárido nordestino, uma das zonas mais desafiadoras do país para produção de reserva alimentar pecuária, é importante o desenvolvimento de um cenário de viabilidade econômica para essa cultura associando as tecnologias de adensamento e irrigação. Sabendo que cada região possui preços de comercialização e custos peculiares, este trabalho permite a consulta   S.F.A Dantas et al. 62 Rev. iPecege  3(1):59-74, 2017   de possíveis investidores. Do exposto, objetivou-se verificar a viabilidade econômica da produção de palma irrigada e adensada no município de Apodi, Rio Grande do Norte. Material e Métodos A viabilidade do projeto foi analisada através da simulação da implantação de um hectare de palma irrigada e adensada, considerando maquinários de terceiros e terras arrendadas, no município de Apodi, Rio Grande do Norte.  Área considerada O trabalho foi realizado com base em dados e coeficientes técnicos das estações experimentais da Empresa de pesquisa agropecuária do Rio Grande do Norte [EMPARN], município de Apodi. No contexto Potiguar, Apodi dista 310 km da capital Natal e localiza-se entre as coordenadas geo gráficas 05º 39’ 01”, latitude Sul; e 37º 47’ 56” longitude O este, situando-se na região ocidental do Rio Grande do Norte. Apresenta área de 1.549,40 km 2 , onde está distribuída população estimada, de acordo com o IBGE (2007), de 34.632 habitantes. A altitude média é de 67 m (IDEMA, 2003). Apresenta índice anual de precipitação de 920,4 mm. Quanto as temperaturas, tem-se no mês mais quente (dezembro) médias de 28ºC e, no mês mais frio (junho) médias de 26 ºC  ( INMET, 2016). Fonte de dados utilizada Os preços de mão de obra, dos insumos, do sistema de irrigação e os coeficientes técnicos de produção utilizados na elaboração da planilha de cálculo dos custos/receitas da produção de palma, foram obtidos com base no sistema de produção testado pela EMPARN (Lima et al., 2015a) e, consultas a produtores da região. O sistema de produção testado utilizou preços de setembro de 2015 em área de um hectare da variedade palma miúda, espécie Nopalea cochenilifera  Salm Dyck, esta espécie é tolerante a praga cochonilha do Carmim  ( Santos et al., 2010) além de ser considerada mais nutritiva e apreciada pelo gado.   O preço médio estimado de comercialização do produto foi de R$ 0,10 por kg, considerando média entre os cenários otimistas e pessimistas, onde as variações do preço de venda se estenderam desde R$ 0,03 a R$ 0,15, baseado em informações encontradas após cotação de cinco produtores da região considerada. A produtividade verificada na estação experimental da EMPARN em Apodi-RN foi de 400 t ha -1  em corte com dois anos e produtividade média de 250 a 350 toneladas   Viabilidade econômica da produção de palma forrageira irrigada e adensada no semiárido Potiguar Rev. iPecege  3(1):59-74, 2017 63  de matéria verde [MV] por hectare produzido, em cortes com frequência anual (Lima et al., 2015a). Considerou a produtividade média anual em 300 t ha -1 .ano -1  para o cálculo da viabilidade desse projeto, o que pode gerar receita bruta de até R$ 30.000,00 por hectare por ano. Sistema de irrigação e adensamento Foi utilizada a tecnologia de adensamento com densidade de 50.000 plantas por hectare, espaçamento de 2,0 m entre fileiras e 10 cm entre plantas, com adubação orgânica e mineral assim, como citado, objetivou-se obtenção de 300 t MV ha -1  em corte com 12 meses. Tradicionalmente, realizam-se os cortes a cada dois anos, para a palma cultivada em sistema de sequeiro e sem adensamento, porém com a irrigação é possível gerar receitas todos os anos, com cortes anuais. O sistema de irrigação utilizado foi o localizado por gotejamento, com uma linha por fileira. Foram utilizados 5.000 metros de tubos gotejadores, vazão de 5 L h -1 metro linear  -1 , pressão de serviço de 10 m.c.a, espaçamento entre gotejadores de 30 cm. Foi utilizado turno de rega de cinco dias, sendo necessário volume de 5.000 L dia -1 .ha -1  de palma. A irrigação foi feita por talhão, com volume de cinco mil litros irrigou-se um talhão de 2.000 m² dia -1 , ou seja, em cinco dias, irrigou-se um hectare. Optou-se por desconsiderar o custo com abertura de poços, e com a água, visto que foi utilizado um poço tubular de baixa vazão, existente na propriedade. Manejo Foram realizadas três capinas por ano, para deixar o palmal livre de plantas daninhas que podem concorrer com água, nutrientes e competição por luz, resultando em perda de produtividade. Os cortes foram efetuados, preservando até as raquetes secundárias, ou seja, ficam no campo a raquete-mãe, a raquete primária e a secundária, que são cladódios ou folhas da palma, pois este manejo permite deixar uma maior área residual no campo que promovem maior área de fotossíntese e maior número de pontos de rebrota, resultando em maior produtividade para o próximo corte (Lima et. al., 2015b). Ferramentas analíticas Foi utilizada matemática financeira como base para a interpretação da análise da viabilidade econômica da produção de palma no semiárido. O cálculo dos custos e a estimativa de faturamento foram obtidos através da elaboração de fluxo de caixa e da
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