Tramas da Convergência: hiperdispositivo e a cobertura dos Jogos Olímpicos de Verão pela BBC em 2012

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  Resumo: Este artigo tem como propósito retomar o tema da nossa tese de doutorado, na qual buscamos compreender as relações de saber e poder que se estabelecem entre o processo de convergência de mídias e o jornalismo. Investigamos a possibilidade de
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  Tramas da Convergência: hiperdispositivo e a cobertura dos JogosOlímpicos de Verão pela BBC em 202 Lorena Tárcia 1 !esumo : Este artigo tem como propósito retomar o tema da nossa tese de doutorado, na qual buscamoscompreender as relações de saber e poder que se estabelecem entre o processo de convergência de mídias e o ornalismo! "nvestigamos a possibilidade de con#iguraç$o de um %iperdispositivo constituído por trêsdispositivos complementares acoplados %istoricamente: esportes, ornalismo e mídia! &ossa %ipótese,con#irmada, #oi de que o ornalismo televisivo contempor'neo, em sua vertente esportiva e em conte(to deconvergência de mídias, pode ser mais bem compreendido por meio da análise das relações e dos processos queo constituem e n$o dos seus produtos e rotinas! Elegemos como obeto empírico a cobertura da ))* sobre omegaevento esportivo +ogos límpicos de -er$o de ./1.! "alavras#chave : convergência de mídias, ornalismo, megaeventos, cartogra#ia de dispositivos, %iperdispositivo! $bstract : T%is papers aims to to revisit t%e issue o# our doctoral t%esis, in in 0%ic% 0e see to understand t%e po0er and no0ledge relations%ip establis%ed bet0een media convergence and +ournalism! 2e see toinvestigate t%e possibilit3 o# setting up a %3per dispositive composed o# t%ree complementar3 dispositivesassembled %istoricall3: 4ports, +ournalism and 5edia! ur %3pot%esis, con#irmed, 0as t%at contemporar3television ournalism, in its sporting aspect and in a conte(t o# media convergence, can be better understoodt%roug% t%e anal3sis o# relations%ips and processes rat%er t%an t%roug% t%e investigation o# products and routines,as %as been t%e #ocus o# man3 previous studies in t%e area! T%e ))* coverage o# t%e mega sports event 4ummer l3mpics6./1. %as been c%osen as t%e empirical obect and re#erence point! %e&'ords : 5edia *onvergence, +ournalism, 5ega7events, 83per 9ispositive, *artograp%3 o# 9ispositives! ( )ntrodu*ão Este artigo resulta da nossa pesquisa de doutorado, na qual propusemos oentendimento do processo de convergência de mídias a partir do recon%ecimento de um%iperdispositivo, constituído por três dispositivos convergentes e potencialiados entre si 7 oesporte, o ornalismo e as mídias 7 em um #ei(e de relações comple(i#icado pelos processoscontempor'neos de comunicaç$o!)uscamos responder ; seguinte quest$o: 9e que modo e em que medida o processo deconvergência de mídias 7 entendido como %iperdispositivo constituído a partir do acoplamentodos dispositivos esportivo, ornalístico e midiático 7 inter#eriu na cobertura do megaevento 1 <ro#essora do curso de +ornalismo do *entro =niversitário de )elo 8orionte! 5estre em Educaç$o pela <=*5inas! 9outora em *omunicaç$o pela =niversidade >ederal de 5inas ?erais @<<?*56=>5?A! E7mail:lorenatarciaBgmail!com! // REVISTA DISPOSITIVA v. 5, n. 2 // +  esportivo +ogos límpicos de -er$o em ./1. pela ))*C E, de maneira mais ampla, como odesvelamento do intrincado #ei(e de relações on7line e o##7line que permeia a convergência demídias em estudo pode contribuir para a compreens$o dos processos contempor'neos decomunicaç$oC"nteressou7nos, no conceito de dispositivo de >oucault, assim como na abordagem de9eleue e ?uattari, a #orma como viabiliam um modo de observar episódios %eterogêneos,diversi#icados e espraiados em rede por meio da captura dos discursos e n$o discursosrepresentativos das relações de saber7poder que os constituem alinear e %istoricamente! <ara desvelar o que consideramos como um novelo em permanente estado demovimento, propusemos a construç$o de uma metodologia baseada na conugaç$o de dois processos, a nosso ver, complementares: a genealogia das relações de saber7poder @>=*D=LT, 1A e a cartogra#ia de dispositivos @9ELE=FEG ?=DTTDH", 1IA, aindaque, em um primeiro ol%ar, essa unç$o n$o se estabelecesse de imediato, considerando7se as perspectivas distintas das duas abordagens! &osso movimento metodológico consistiu em um mapeamento genealógico dasrelações de discurso7saber7poder que con#ormaram os dispositivos em quest$o, procurandocompreender a construç$o %istórica do processo de convergência de mídias entre 1JK@primeiro +ogo límpico da era modernaA e .//J @+ogos pr7Londres6./1.A, por meio daanálise de documentos o#iciais, notícias de ornais, publicações e comentários na web ! &$oapenas esses, mas tambm outros indícios n$o discursivos, como os prdios, as imagens, ossilêncios etc! Esse desvelamento nos revelou pistas signi#icativas para a compreens$o do #ei(e derelações que atravessava nosso obeto, a cobertura dos +ogos límpicos de -er$o de ./1. pela))*! <ara a construç$o do conceito de %iperdispositivo, ocupamo7nos da discuss$o sobre asnoções de convergência de mídias, dispositivo e genealogia! Dlm de >oucault e 9eleue,acionamos a contribuiç$o de outros comentadores @D?D5)E&, .//IG )H=*M, ./1.GHD>>&4NEG ?=95D&978NOEHG T8D&"&?, ./1PG )=44L"&", ./1/G ME44LEH,.//KA! Tambm discutimos a convergência de mídias em suas diversas abordagens@+E&M"&4, .//JG +E&M"&4G ?HEE&G >H9, ./1QG ?H9&, .//QG >D?EH+H9G4TH4=L, .//RG 5DS2ELLG 5"LLEH, ./11G D<<EL?HE&, .//PG 8E<< et al  !, .//JA e o ornalismo convergente @ML9FO, .//K, ./1.G ="&&, .//IG 4DLD-EHHUDG // REVISTA DISPOSITIVA v. 5, n. 2 // ,   &E?HE9, .//JG TD5EL"&?G )HEH45D, .//JG )*FM24M", .//IG DLFD5HDGTVH*"D, ./1.a, ./1.bA, apontando as brec%as nos estudos da área e apresentando as basesconstitutivas da nossa proposta de %iperdispositivo! 9e#endemos uma abordagem %istórica ecrítica do processo de convergência, por meio das relações entre discursos de saber7poder en$o de suas rotinas e produtos! 9iscutimos os dilemas da televis$o na contemporaneidade@9DOD&, .//G +4T, ./1/G 4*LDH", .//JG )H"??4G )=HME, .//.A, posicionando a))* nesse cenário! Do #inal, procuramos clarear o que constituiria um dispositivo midiáticotelevisivo dentro da nossa proposta de abordagem @MLE"&, .//RG DLFD5HDGH9H"?=E4, ./1PG )=H9"E=, 1RA e usti#icamos a opç$o pela noç$o de%iperdispositivo por meio das discussões de *arlón @.//PA e Dlamora, Hodrigues e =tsc%@./1PA!9entre os resultados alcançados, destacamos o recon%ecimento de uma intrincadarelaç$o poli#Wnica, multidimensional, con#ormada genealogicamente, na qual as distintasvoes constituem7se enquanto #ator relevante para a compreens$o da convergência de mídiascomo um processo em permanente movimento, muito embora sea possível identi#icar camadas pro#undamente sedimentadas! Tambm destacamos a percepç$o do ornalismotelevisivo especialiado em esportes enquanto um elemento %íbrido, capa de conugar características multi, inter e transmidiáticas, a depender das relações de saber7poder estabelecidas em processo de enredamento! D possibilidade de re#letir sobre um %iperdispositivo como atlas #acilitador da leiturados mXltiplos e movediços mapas a#lorados a partir da metodologia de cartogra#ia propostaaponta7nos para desdobramentos #uturos, em que possamos pensar a metodologia da nossatese em cone($o com o universo dos algoritmos e metadados, avançando em relaç$o ;abordagem binária digital, que con#igura a convergência de +enins @.//KA e na qual nos baseamos! 2( -iperdispositivo como $tlas D noç$o de dispositivo #oi pensada por 5ic%el >oucault na dcada de 1R/, quando alógica verticaliada das mídias de massa estava em seu auge, estabiliada na con#ormaç$o dos pactos de relacionamento entre telespectadores e emissoras, no qual as mídias tradicionais // REVISTA DISPOSITIVA v. 5, n. 2 // .   pautavam os tempos, espaços e padrões visuais por meio da programaç$o @+4T, ./1/A! Ds possíveis YconversasZ entre as partes se davam por meio de tele#one, cartas, participaç$o em programas de auditório ou pesquisas genricas de audiência! Dinda que os #undamentos de sua obra permaneçam potentes na compreens$o dos processos contempor'neos de comunicaç$o, de#endemos a necessidade de pensar aconvergência de mídias @+E&M"&4, .//KA enquanto um acoplamento de dispositivosampli#icados em suas visualidades, temporalidades e territorialidades possibilitadas pelastecnologias digitais de comunicaç$o e em tensionamento com as lógicas midiáticas%oriontaliadas! . <ara 4colari @.//J, p! IA, as mutações neotelevisivas propostas por Eco @1JPA nadcada de 1J/ se intensi#icaram e aceleraram no #inal dos anos 1/! s gêneros secon#undiram ainda mais e Yo in#ormativo terminou por diluir7se no #iccionalZ dos realities shows  ou, diríamos, no universo de entretenimento dos esportes! &o caso da televis$o, osmeios agudiaram a tendência de #alar de si próprios, con#ormando uma metatelevis$o@*arlón, .//KA! 5as n$o apenas isso! 4egundo Dlamora e Hodrigues @./1PA, as televisões#alam de si: essas #alas repercutem nas cone(ões de redes sociais e retornam a elas remi(adas@5D&-"*8, .//IA, ampli#icadas por camadas de conversações plurais! <artindo da perspectiva da ecologia das mídias Q  e de como a apariç$o de novasespcies modi#ica o conunto, por meio de adaptações de alguns elementos e apariç$o demodelos %íbridos, 4colari @.//JA propõe o termo %ipertelevis$o para Yde#inir o estado atual dodispositivo televisivoZ @4*LDH", .//J, p! IA!  conceito, alerta o autor, deve ser visto comoYuma particular con#iguraç$o da rede sociotcnicaZ e n$o como uma nova #ase da srie paleo6neotelevis$o!Esta %ipertelevis$o se caracteriaria, segundo 4colari @.//J, p! IA, pela predomin'nciade gêneros %íbridos de #icç$o6realidade, pela e(pans$o das %istórias e multiplicaç$o de programas narrativos, por mXltiplos meios, em e(periências transmidiáticas @+E&M"&4,.//KA! . Dpontamentos durante observações dos pro#essores Elton Dntunes e Hegina 8elena 4ilva na sess$o dequali#icaç$o deste trabal%o em .I de #evereiro de ./1I! Q <erspectiva relacionada com a teoria materialista da comunicaç$o e caudatária dos aportes da Escola de Toronto@5cLu%an, "nnis, <ostmanA, a ecologia das mídias estuda os meios de comunicaç$o como ambientes da aç$o%umana, uma perspectiva que inclui as dimensões materiais, %istóricas, econWmicas e interacionais dos processoscomunicacionais, apresentando7se como um aporte teórico promissor para o estudo de #enWmenos do campo dacomunicaç$o @)HD?D, .//J, p! 1A! // REVISTA DISPOSITIVA v. 5, n. 2 // /  D estas propriedades poderíamos somar muitas outras, desde a apariç$o incipiente delógicas colaborativas 7 nas quais os usuários participam da geraç$o de conteXdo ouem sua distribuiç$o online @OoutubeA [ at o desenvolvimento de novas #ormas deconsumo assíncrono @Ti-A ou pela di#us$o da mT- @televis$o móvelA @4*LDH",.//J, p! KA! Essa Ypromiscuidade midiáticaZ, enriquecida pelas e(periências interativas, tensiona oecossistema midiático, obrigando a uma adaptaç$o!  &este conte(to, a televis$o [ um meio que, assim como a imprensa, vê com temor como as novas gerações a abandonam a #avor de outras e(periências midiáticas [ deve trans#ormar7se e adptar7se para sobreviver! Entre outras palavras, a televis$odeve simular o que n$o : um meio interativo @4*LDH", .//J, p! RA! D re#erida simulaç$o, de#ende o autor, se dá por meio de arti#ícios como as multitelas,relatos transmidiáticos e multiplicaç$o de programas narrativos! D %ipertelevis$o, de#ende4colari @.//J, p! RA, responderia aos Y%iperleitores, videoogadores aos televidentes #ormadosem uma navegaç$o dentro de entornos interativosZ! Embora concordemos com 4colari @.//JA sobre o surgimento de uma nova audiência eas simulações desenvolvidas pelo aparato televisivo, questionamos a ausência, em sua teoria,de outros atravessamentos, t$o ou mais potentes, na con#ormaç$o da %ipertelevis$o! &o nossomodo de ver, as opções do aparato televisivo est$o envoltas em um #ei(e mais comple(o derelações do que os contratos da audiência com os telete(tos! *onsideramos em nossa tese que,em uma mesma empresa, como a ))*, coe(istem modelos de narrativas transmídia, como oseriado  Dr. Who , e produções lineares como  Black Mirror  , cua inovaç$o está no conteXdo,n$o na #orma de compartil%amento multitelas e na participaç$o! &as coberturas demegaeventos, podemos testemun%ar atitudes di#erenciadas de uma mesma emissora, adepender das transversalidades em ogo! Essa diversidade pode ser compreendida em parte pelo comportamento da audiência, como propõe 4colari @.//JA, mas precisa considerar outrasdin'micas! 4e o conte(to sociocomunicacional contempor'neo está caracteriado por umen#rentamento entre ideais de verticalidade característicos da cultura de massa e de%oriontalidade peculiares ;s lógicas de compartil%amento, tensionado por cone(ões on  e off-line , o acoplamento de dispositivos se ampli#ica, as curvas de visibilidade e de enunciaç$o seespraiam multiplicadas e o tecido multilinear se e(pande assim como as relações de saber e // REVISTA DISPOSITIVA v. 5, n. 2 // 
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