Relação entre a biometria ultra-sonográfica em modo B do bulbo ocular e os diâmetros fronto occiptal e bizigomático em Canis familiaris

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  In the experiment 31 healthy mongrel dogs, 8 months to 7 years of age, were used, 10 males and 21 females, weighing 1.5-28 kg. Initially, fronto-occipetal (FOD) and bizigomatic (BZD) diameters were measured using a caliper. The ophthalmologic
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  286Pesq. Vet. Bras. 29(4):286-290, abril 2009 1  Recebido em 21 de julho de 2008.Aceito para publicação em 3 de dezembro de 2008. 2  Laboratório de Biologia e Medicina de Animais da Amazônia, Medi-cina Veterinária, Universidade Federal do Pará (UFPA), Rua HernaneLameira 556, Castanhal, PA 68743-050, Brasil. *Autor para correspon-dência: shfarha@ufpa.br Relação entre a biometria ultra-sonográfica em modo B dobulbo ocular e os diâmetros fronto occiptal e bizigomáticoem Canis familiaris  1 Poliana S. Beserra 2 , Gustavo A. Sales 2 , Expedito J.M. Santana 2 , Stefânia A.Miranda 2 , Adriel B. Brito 2 , Elizabete Nickolak 2  e Sheyla F.S. Domingues 2 * ABSTRACT.- Beserra P.S., Sales G.A., Santana E.J.M., Miranda S.A., Brito A.B., NickolakE. & Domingues S.F.S. 2009. [ B-Mode Ultrasound biometry of the ocular globe relatedwith fronto-occiptal and bizigomatic diameters in Canis familiaris  . ] Relação entre abiometria ultra-sonográfica em modo B do bulbo ocular e os diâmetros fronto occiptal ebizigomático em Canis familiaris  . Pesquisa Veterinária Brasileira 29(4):286-290  .Laboratório de Biologia e Medicina de Animais da Amazônia, Medicina Veterinária,Universidade Federal do Pará, Rua Hernane Lameira n°556, Castanhal, PA 68743-050,Brazil. E-mail: shfarha@ufpa.brIn the experiment 31 healthy mongrel dogs, 8 months to 7 years of age, were used, 10males and 21 females, weighing 1.5-28 kg. Initially, fronto-occipetal (FOD) and bizigomatic(BZD) diameters were measured using a caliper. The ophthalmologic transpalpebral B-mode ultrasonography (US) was performed to measure the ocular bulbi structures, asfollows: The cornea thickness (D1), distance between cornea and anterior lens capsule(D2), distance between cornea and posterior lens capsule (D3), lens thickness (D4), lensdiameter (D5), lens area (D6), distance between posterior lens capsule and retina (D7),distance between anterior lens capsule and retina (D8), and the distance between corneaand retina (D9). Except for D4, there were effect of FOD and BZD on the measures of theinternal structures of BO. The Lineal Regression Analysis between the measures of theinternal oculars structures and DFO and DBZ were significant for D1, D2, D3, D4, D5,D6, D7, D8 and D9. INDEX TERMS: B-mode ultrasonography, ocular biometry, bizigomatic diameter, fronto-occiptaldiameter, dogs. RESUMO.- Avaliou-se 31 cães saudáveis, sem raça defi-nida, sendo 10 machos e 21 fêmeas, com 8 meses a 7anos de idade e peso de1,5-28 kg. Inicialmente forammensurados os diâmetros fronto-occiptal (DFO) e bizigo-mático (DBZ) do crânio com o auxílio de um paquímetro.A ultra-sonografia transpalpebral em modo-B foi realiza-da para mensurar as estruturas do bulbo ocular, confor-me se segue: D1- espessura da córnea; D2- distância entreo ponto central da imagem da córnea e a da cápsula an-terior do cristalino (câmara anterior); D3- distância entreo ponto central da imagem da córnea e a da cápsulaposterior do cristalino; D4- espessura do cristalino, quecorresponde a distância entre a imagem da cápsula ante-rior e a cápsula posterior do cristalino; D5- diâmetro docristalino, distância entre as imagens dos pólos do crista-lino; D6– área do cristalino; D7- câmara vítrea, distânciaentre a imagem da cápsula posterior do cristalino e a reti-na; D8- distância entre a cápsula anterior do cristalino e aretina; D9- distância entre a imagem da córnea e a retina.Com exceção da D4, houve efeito dos DFO e DBZ sobreas medidas das estruturas internas do BO. A análise deregressão linear entre as medidas das estruturas do bul-bo ocular e os DFO e DBZ foram significativas para D1,D2, D3, D4, D5, D6, D7, D8 e D9. TERMOS DE INDEXAÇÃO: Ultra-Sonografia em modo-B,biometria ocular, diâmetro fronto-occiptal, diâmetro bizigomáti-co, estruturas do bulbo ocular, cães.  Pesq. Vet. Bras. 29(4):286-290, abril 2009Biometria ultra-sonográfica em modo B do globo ocular e os diâmetros fronto occiptal e bizigomático em Canis familiaris  287 Fig.1. Mensu-ração compaquímetrodos diâme-tros fronto-occiptal e bi-zigomático.( A ) Mensu-ração do di-âmetro fron-to-occiptal;( B ) Mensu-ração do di-âmetro bizi-gomático. INTRODUÇÃO A ultra-sonografia bidimensional (2D) em modo B é umaimportante técnica de diagnóstico por imagem para a oftal-mologia, devido a sua capacidade de detectar o contorno eo formato das estruturas do bulbo ocular, mesmo quandoocorre a opacidade dessas (Osuobeni & Hamidzada 1999,González et al. 2001). A ecobiometria ocular em modo Bfornece medidas do comprimento axial do bulbo ocular (BO),que permitem avaliar afecções como: glaucoma,microftalmia, macroftalmia, estafiloma, phthisis bulbi ecoloboma (Hernández-Guerra & López-Murcia 2007).O estudo do comprimento axial do BO, por meio dabiometria ultra-sonográfica, pode auxiliar no cálculo paraobtenção do tamanho do BO protético, quando é neces-sário a enucleação do mesmo, bem como no cálculo dograu (dioptria) da lente intra-ocular (LIO) em pacientessubmetidos a cirurgia de catarata, na qual é realizada asubstituição do cristalino por uma prótese (LIO) (González2001). Essa lente artificial (LIO) pode alcançar um poderdióptrico próximo ou igual de um cristalino emétrope. Outravantagem da ecobiometria em modo B é que essa possi-bilita a mensuração do comprimento axial das estruturasinternas do BO, tais como: distância entre a córnea e acápsula anterior da lente, densidade da lente, corpo ví-treo (distância entre a cápsula posterior da lente até aretina) e a distância entre a córnea e a retina (Cotrill et al.1989, González 2001).O formato e o tamanho do crânio canino variam de acor-do com a raça, a idade do animal ou a conformação doindivíduo (Dyce et al. 1997). As variações de crânio em Canis familiaris   são expressas pela relação entre os diâ-metros fronto-occiptal (DFO) e bizigomático (DBZ) (Dyceet al. 1997), sendo esses classificados em: dolicocéfalos(DFO >DBZ), braquicéfalos (DFO <DBZ) e mesocéfalos(DFO ≈  DBZ) (Getty 1986). Em um estudo comparando aecobiometria em modos A e bidimensional B com apaquimetria na avaliação de olhos normais em cadáveresde cães dolicocéfalos e mesocéfalos, demonstrou-se quea ultra-sonografia bidimensional em modo B foi tão eficien-te quanto à paquimetria para determinar o comprimentoaxial do BO. Sendo que o seu valor médio em cãesdolicocéfalos era significativamente mais longo que emanimais mesocéfalos (Cotrill et al. 1989). Esses resultadosdemonstram que a conformação do crânio pode influenciarno comprimento axial do BO e de suas estruturas internas,o que dificulta a definição de parâmetros de normalidadeecobiométrica ocular em cães, uma vez que a espécie apre-senta grande variação do formato de crânios. Considerando que o efeito da conformação do crâniosob o comprimento axial e estruturas internas do BO ain-da não foi completamente elucidado na espécie canina, oobjetivo do presente trabalho foi avaliar a relação e o efei-to entre os diâmetros fronto-occiptal (DFO) e bizigomáti-co (DBZ) e as medidas biométricas das estruturas do bul-bo ocular de cães, a fim de estabelecer parâmetrosconfiáveis de normalidade. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado no Laboratório de Biologia eMedicina de Animais Silvestres e Domésticos da Amazônia(BIOMEDAM), Universidade Federal do Pará (UFPA), localizadona cidade de Castanhal (Pará). Foram avaliados 31 cãessaudáveis, sem raça definida, sendo 10 machos e 21 fêmeas,com idade de1-7 anos de idade e peso de 1,5-28 kg. Inicialmenteforam mensurados os DFO e DBZ do crânio com o auxílio deum paquímetro (Zaas, São Paulo, SP, Brasil) (Fig.1A e 1B).Para a realização do exame ultra-sonográfico, foi conduzidaa contenção mecânica dos animais. No experimento, a técnicaadotada para realizar o exame ultra-sonográfico do bulbo ocularfoi a transpalpebral, na posição sentada ou em decúbito esternal.As imagens foram obtidas utilizando o ultra-som Philips HDI4000 (Philips Medical Systems, Bothel, WA, USA), em modo B,com transdutor microconvexo multifreqüêncial de 5-8 MHz.Previamente ao exame, foi aplicado entre o transdutor e aspálpebras, gel ultra-sonográfico hipoalérgico (Aquasonic, ParkerLaboratories, INC, Fairfield, New Jersey). Após o exame aspálpebras foram cuidadosamente limpas para a remoção dogel com compressas de algodão (Compressa de Gaze Hidrófila,Cremer, Blumenau, SC, Brasil) umedecidas com solução  Pesq. Vet. Bras. 29(4):286-290, abril 2009Poliana S. Beserra et al.288 Fig.2. Esquema das mensurações das estruturas internas doglobo ocular em Canis familiaris adultos. A ) D1 = espessurada córnea; D2 = distância entre o ponto central da imagemda córnea e a da cápsula anterior do cristalino; D3 = distân-cia entre o ponto da imagem da córnea e a da cápsula pos-terior do cristalino; D4 - espessura do cristalino; D5 = diâ-metro do cristalino. B ) D6 = área do cristalino; D7 = câmaravítrea; D8 = distância da cápsula anterior do cristalino e re-tina; D9 = distância entre a imagem da córnea e retina. Quadro 1. Média ± EP das estruturas internas (cm) dobulbo ocular de acordo com a categoria de diâmetrofronto-occiptal de cães adultos SRD ParâmetrosDiâmetro fronto-occiptal (cm)(cm) a 5,0 - 7,58,0 - 10,011,0 - 13,0 P  D10,07±0,02 a 0,08±0,002 b 0,10±0,003 c 0,001D20,26±0,01 a 0,32±0,007 b 0,39±0,02 c 0,001D30,91±0,01 a 0,98±0,01 b 1,15±0,02 c 0,001D40,69±0,01 a 0,65±0,01 a 0,72±0,01 a 0,53D51,01±0,01 a 1,05±0,02 a 1,15±0,02 b 0,004D60,51±0,01 a 0,51±0,01 a 0,61±0,01 b 0,006D70,82±0,01 a 0,86±0,01 a 0,97±0,02 b 0,002D81,47±0,02 a 1,49±0,01 a 1,66±0,01 b 0,001D91,70±0,02 a 1,81±0,03 b 2,06±0,04 c 0,001 a D1= espessura da córnea; D2 = distância entre o ponto central daimagem da córnea e a da cápsula anterior do cristalino; D3 = distân-cia entre o ponto da imagem da córnea e a da cápsula posterior docristalino; D4 = espessura do cristalino; D5 = diâmetro do cristalino;D6 = área do cristalino; D7 = câmara vítrea; D8 = distância da cápsulaanterior do cristalino e retina; D9 = distância entre a imagem da córneae retina. Letras diferentes indicam diferenças estatísticas entre as mé-dias das estruturas internas do GO quando comparado entre os dife-rentes grupos ( P<0,01 ). fisiológica (NaCl 0,9%, Indufal, Mossoró, RN, Brasil). As medidasobtidas foram as seguintes: D1- espessura da córnea; D2-distância entre o ponto central da imagem da córnea e a dacápsula anterior do cristalino (câmara anterior); D3- distânciaentre o ponto central da imagem da córnea e a da cápsulaposterior do cristalino; D4- espessura do cristalino, quecorresponde a distância entre a imagem da cápsula anterior ea cápsula posterior do cristalino; D5- diâmetro do cristalino,distância entre as imagens dos pólos do cristalino; D6- área docristalino; D7- câmara vítrea, distância entre a imagem dacápsula posterior do cristalino e a retina; D8- distância entre acápsula anterior do cristalino e a retina; D9- distância entre aimagem da córnea e a retina (Fig.2A e 2B). Os dados foramrepresentados em média ± erro padrão. As médias dasestruturas internas do BO direito e esquerdo e entre machos efêmeas foram comparadas entre si pelo teste t   de Student  . Paraavaliar o efeito DFO e DBZ sobre o diâmetro das estruturas dobulbo ocular foi utilizada a ANOVA, dividindo os animais emtrês grupos diferentes de DFO e DBZ nas medidas: 5,0-7,5cm,8,0-10,0cm, 11,0-13,0cm e 5,0-6,5cm, 7,0-10cm, 11,0-12,0cm,respectivamente. As diferenças estatísticas entre as médiasforam determinadas pelo teste de Fisher PLSD. Análises deregressão foram feitas entre as medidas lineares das estruturasdo BO com os DFO e DBZ, respectivamente. Todos os testesforam aplicados a 1% de probabilidade. As análises estatísticasforam realizadas com o software estatístico Stat View (SASInstitute. Inc., Cary, NC, USA). RESULTADOS O total de 62 BO normais foi avaliado, referente aos 31 ani-mais utilizados neste experimento. O transdutor microcon-vexo multifreqüêncial de 5-8 MHz possibilitou a realizaçãodo exame por via transpalpebral sem almofada de recuo.Não houve diferenças estatísticas entre as medidasbiométricas das estruturas do bulbo ocular quando compa-rados os olhos direito e esquerdo entre machos e fêmeas. Efeito e relação do DFO sobre as medidas das estru-turas do bulbo ocular No Quadro 1 estão demonstradas as análises devariância entre os diferentes grupos de tamanhos do DFOe os parâmetros das estruturas internas do BO. Houveefeito significativo ( P  <0,01) do DFO sobre as medidas dasestruturas do bulbo ocular D1, D2, D3, D5, D6, D7, D8,  Pesq. Vet. Bras. 29(4):286-290, abril 2009Biometria ultra-sonográfica em modo B do globo ocular e os diâmetros fronto occiptal e bizigomático em Canis familiaris  289 Quadro 2. Média ± EP das estruturas internas do bulboocular de acordo com a categoria de diâmetro bizigomáticode cães adultos SRD ParâmetrosDiâmetro bizigomáticol (cm)(cm) a 5,0 – 6,57,0 – 1011,0 – 12,0 P  D10,08±0,001 a 0,08±0,003 b 0,10±0,005 c 0,001D20,28±0,01 a 0,33±0,01 a 0,38±0,00 b 0,01D30,94±0,01 a 0,99±0,03 a 1,14±0,01 b 0,003D40,67±0,008 a 0,70±0,02 a 0,71±0,03 a 0,16D51,04±0,01 a 1,11±0,02 b 1,10±0,02 b 0,005D60,52±0,01 a 0,55±0,01 a 0,60±0,007 b 0,002D70,83±0,01 a 0,90±0,01 b 1,00±0,01 c 0,001D81,47±0,01 a 1,58±0,01 a 1,68±0,03 b 0,002D91,71±0,02 a 1,90±0,01 b 2,14±0,02 c 0,001 a D1 = espessura da córnea; D2 = distância entre o ponto central daimagem da córnea e a da cápsula anterior do cristalino; D3 = distân-cia entre o ponto da imagem da córnea e a da cápsula posterior docristalino; D4 = espessura do cristalino; D5 =- diâmetro do cristalino,D6 = área do cristalino; D7 = câmara vítrea; D8 = distância da cápsulaanterior do cristalino e retina; D9 = distância entre a imagem da córneae retina. Letras diferentes indicam diferenças estatísticas entre as mé-dias das estruturas internas do GO quando comparado entre os dife-rentes grupos ( P<0,01 ). Quadro 3. Análise de regressão linear entre as distânciasdas estruturas internas do bulbo ocular e o diâmetrofronto-occiptal em cães adultos SRD ( P<0,01 ) Parâmetro (cm) a EquaçãoR 2 D1D1 = 0,041 + 0,005 DFO0,76D2D2 = 0,070 + 0,027 DFO0,90D3D3 = 0,677 + 0,038 DFO0,84D4D4 = 0,633 + 0,007 DFO0,52D5D5 = 0,828 + 0,028 DFO0,64D6D6 = 0,374 + 0,021 DFO0,92D7D7 = 0,607 + 0,029 DFO0,82D8D8 = 1,189 + 0,038 DFO0,85D9D9 = 1,329 + 0,061 DFO0,82 a  D1= espessura da córnea; D2 = distância entre o ponto central daimagem da córnea e a da cápsula anterior do cristalino; D3 = distân-cia entre o ponto da imagem da córnea e a da cápsula posterior docristalino; D4 = espessura do cristalino; D5 =- diâmetro do cristalino,D6 = área do cristalino; D7 = câmara vítrea; D8 = distância da cápsulaanterior do cristalino e retina; D9 = distância entre a imagem da córneae retina. R 2 = Coeficiente de determinação. Quadro 4. Análise de regressão linear entre as distânciasdas estruturas internas do bulbo ocular e o diâmetrobizigomático em cães adultos SRD ( P<0,01 ) Parâmetro (cm) a EquaçãoR 2 D1D1 = 0,054 + 0,004DBZ0,86D2D2 = 0,169 + 0,02DBZ0,92D3D3 = 0,688 + 0,04 DBZ0,98D4D4 = 0,644 + 0,006 DBZ0,80D5D5 = 0,806 + 0,039DBZ0,96D6D6 = 0,405 + 0,019DBZ0,89D7D7 = 0,672 + 0,027 DBZ0,71D8D8 = 1,232 + 0,041 DBZ0,88D9D9 = 1,245 + 0,081DBZ0,91 a  D1= espessura da córnea; D2 = distância entre o ponto central daimagem da córnea e a da cápsula anterior do cristalino; D3 = distân-cia entre o ponto da imagem da córnea e a da cápsula posterior docristalino; D4 = espessura do cristalino; D5 = diâmetro do cristalino,D6 = área do cristalino; D7 = câmara vítrea; D8 = distância da cápsulaanterior do cristalino e retina; D9 = distância entre a imagem da córneae retina. R 2 : Coeficiente de determinação. D9. A D4 não variou de acordo com tamanho do DFO. Asmédias das estruturas do bulbo ocular D1, D2, D3 e D9foram diferentes entre os três grupos de tamanhos do DFO.As médias D5, D6, D7 e D8 foram estatisticamente dife-rentes quando comparados os animais com DFO entre 5-10cm e 11-13cm ( P  <0,01). No Quadro 3 estão demons-trados as análises de regressão entre a biometria dasestruturas do bulbo ocular e os DFO, sendo que todosforam significativos para o intercepto ( P  <0,05) e coefici-entes de regressão ( P  <0,01). Efeito e relação do DBZ sobre as medidas das estru-turas do bulbo ocular No Quadro 2 estão demonstradas as análises devariância entre os diferentes grupos de tamanhos do DBZe os parâmetros das estruturas internas do BO. Houveefeito significativo ( P   <0,01) do DBZ sobre as medidasdas estruturas do bulbo ocular: D1, D2, D3, D5, D6, D7,D8, D9. A D4 não variou de acordo com o DBZ. As médi-as D1, D2, D3, D7 e D9 foram diferentes entre os trêsgrupos do DBZ ( P  <0,01). Na D5 houve diferença estatís-tica quando comparados os animais com DBZ entre 5-6,5cm e 7,0-12,0cm ( P  <0,01), enquanto que a D6 e D8foram estatisticamente diferentes entre grupos de animaiscom DBZ entre 5-10cm e 11-12cm ( P  <0,01). No Quadro4 estão demonstradas as análises de regressão entre abiometria das estruturas do bulbo ocular e o DBZ, sendoque todos foram significativos para o intercepto ( P  <0,05)e coeficiente de regressão ( P  <0,01). DISCUSSÃO A utilização do transdutor microconvexo multifreqüêncialde 5-8 MHz, sem almofada de recuo, forneceu medidasfidedignas das estruturas do bulbo ocular, com o empre-go da técnica transpalpebral, ou seja, com as pálpebrasfechadas. As vantagens dos transdutores microconvexosem relação a transdutores lineares foram: a fácil execu-ção de manobras em busca de uma boa imagem ultra-sonográfica e o menor contato com a pele, proporcionadopela curva do transdutor, obtendo imagens por uma pe-quena janela acústica (King 2004). A técnica transpalpe-bral proporcionou um menor incômodo para o paciente,não havendo a necessidade da utilização de um anesté-sico tópico, também evitando o surgimento de irritações elesões mecânicas em decorrência do manuseio do trans-dutor sobre a córnea. A limpeza das pálpebras, no térmi-no do exame ultra-sonográfico, com solução fisiológicafoi realizada de acordo com o sugerido por Nyland &Mattoon (2005), evitando que o gel atingisse a córnea e aconjuntiva e permanecessem por um tempo prolongadocausando possíveis lesões irritativas.No presente trabalho foi adotado como parâmetro asmedidas do formato do crânio, como os DFO e DBZ paracomparar com as médias das estruturas do bulbo ocular  Pesq. Vet. Bras. 29(4):286-290, abril 2009Poliana S. Beserra et al.290 entre os animais com diferentes conformações do crânio.O peso tem sido utilizado como parâmetro para compararas médias D1, D2, D3 e D4 em cães de diferentes portes(Sampaio et al .  2002). No entanto, o peso pode variar deacordo com o estado físico do indivíduo, não sendo, por-tanto, confiável para estimar padrão de normalidade daecobiometria ocular, uma vez que os diâmetros das es-truturas do bulbo ocular não sofrem modificações com oestado físico do animal.Segundo as análises estatísticas, não houve diferen-ça entre as estruturas do bulbo ocular direito e esquerdo,dessa forma o olho normal pode ser parâmetro confiávelpara estabelecer o BO esquemático para o olho lesionadoou enucleado. No entanto, em casos de trauma, enuclea-ção ou má formação congênita nos dois olhos, asmensurações dos DFO e DBZ podem auxiliar no cálculodos bulbos oculares protéticos ou esquemáticos, consi-derando que foi demonstrado que as medidas D1, D2,D3, D5, D6, D7, D8 e D9 sofrem influência dos aumentosdos DFO e DBZ. No tocante a D4, o efeito do DFO e doDBZ não foi significativo. Esse resultado pode ser expli-cado pelo mecanismo de acomodação do cristalino, quetem a capacidade de mudar o seu contorno de acordocom o ponto focal no momento do exame (Gonçalves etal. 2000), assim alterando os resultados biométricos domesmo. Em humanos, é fácil obter com precisão o cálcu-lo da espessura do cristalino, pois o paciente é orientadopara realizar manobras de movimentação dos olhos emdireções variadas, tais como médio lateral e crânio cau-dal e não realizar movimentos de piscar, acomodandodesta forma o cristalino no GO, esses tipos de manobrastornam-se úteis nos cálculos biométricos de D4, D5, D6,D7 E D8 (Figueirêdo & Teixeira 2007). No entanto, as re-lações lineares entre a D4 e os DBZ e DFO foram signifi-cativas, sendo que o DBZ apresentou o modelo maisconfiável (R 2 =0,80), que pode estar relacionado ao fatode que as duas estruturas estão no mesmo plano desecção em relação ao crânio. As análises de regressãosão importantes para estimar o olho esquemático ecompará-lo com o olho real do cão, podendo ser úteis naprática clínica para avaliar doenças que alteram o com-primento axial tanto do GO quanto de suas estruturas in-ternas. CONCLUSÕES Conforme os dados obtidos neste estudo, foi demons-trado que D1, D2, D3, D5, D6, D7, D8, D9 são relaciona-das pelo tipo de crânio canino.Devido às mudanças da acomodação do cristalino noato do exame, não foi possível estabelecer o efeito daconformação do crânio sob a D4.A análise da conformação do crânio em relação àecobiometria das estruturas internas do BO são parâme-tros confiáveis, permitindo avaliar patologias que alterama biometria do BO, bem como pode auxiliar no estudo deolho esquemático canino e na escolha da melhor fórmulapara o cálculo da lente intra-ocular. REFERÊNCIAS Cottrill N.B., Banks W.J. & Pechman R.D. 1989. Ultrasonographic andbiometric evaluation of the eye and orbit of dogs. Am. J. Vet. 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