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    Introdução   A elaboração da presente reflexão crítica visa analisar o capítulo “  Never Ending Stories ”   do livro “  Media   Convergence, Networked Digital Media in Eveyday Life ”, no âmbito da unidade curricular Comunicação e Mediação, leccionada pela docente Maria João Centeno. “  Media Convergence, Netwoked Digital Media in Everyday Life ”  é um livro da autoria de Sherman Young e Graham Meikle, que discute o papel dos meios de comunicação,  bem como a sua relação e adaptação às novas tecnologias. Os autores, ao longo dos capítulos, abordam os assuntos apoiando-se em casos reais, o que leva os leitores a compreenderem melhor as mudanças pelas quais os diferentes meios foram passando, e a forma como isso afeta a sociedade e o seu quotidiano. O recurso a inúmeros teóricos conceituados, como Jenkins, Castells e Dery, levam à discussão dos processos tecnológicos, industriais, criativos e sociais que se estabilizaram na mudança mediática ao longo dos anos. A publicação do mesmo, datada de 2012, mostra que os autores já tinham percepção bem construída de como a adaptação dos media  ao digital iria ocorrer, sendo que através de bons exemplos, descreveram as práticas dos meios de comunicação dos dias de hoje. Com a realização desta reflexão crítica, procurámos aperfeiçoar o nosso conhecimento sobre a adaptação dos meios ao digital, sendo que para isso faremos alguma ligação com alguns casos que estão presentes no nosso quotidiano. O presente trabalho irá, numa primeira fase, abordar o capítulo de uma forma geral, sendo que ao longo da recensão irão ser explicitados os modelos presentes nesta parte do livro. Em fase de conclusão, faremos considerações gerais sobre o que foi descrito no capítulo, com algumas reflexões finais. Achámos útil não traduzir alguns conceitos, pois caso contrário, o seu significado não iria estar conciliado com a intenção srcinal. Os autores   Sherman Young é vice-reitor da Universidade de Macquarie, sendo que ao mesmo tempo lecciona algumas unidades curriculares na mesma instituição relacionadas com música, comunicação, arte e estudos culturais. Para além de ensinar, também é considerado um  pesquisador nato nas áreas de teoria e produção dos novos media.  É autor das obras “  Reshaping Education”,   “  Beyond 2.0: the Future of Music ”, “ The Book is Dead, Long Live    the Book  ” e co -autor do livro em análise nesta reflexão, sendo que todos eles analisam o impato mediático consequente do aparecimento novas tecnologias. Para além das obras, já foi galardoado com três prémios no âmbito do ensino, todos eles foram ganhos em 2017. O professor tem bacharelato em  Design , mestrado em Media, Tecnologia e Direito pela Universidade de Macquarie e doutoramento em Mídias e Estudos Culturais, sendo que antes de se tornar académico, dirigiu uma empresa de produção multimédia, cujo objetivo era criar conteúdo mediático interativo para os seus clientes e editoriais. Graham Meikle tem 53 anos, oriundo do Reino Unido e, tal como Sherman, com uma vasta lista de obras publicadas, entre elas “ The Internet of Things ” , “ The Routledge Companion to Media and Activism ” , “ Social Media ”  ,   “  New Media ”  , “Interpreting News” e   “Future Active”, sendo que todas estas obras estão de alguma forma ligadas a processos mediáticos e tecnologia. Graham é um Senior Fellow  da Academia de Educação Superior e lecciona unidades curriculares de licenciatura e mestrado, sendo o coordenador do mestrado em Social Media , Cultura e Sociedade na Universidade de Westminster. Tem doutoramento em Media e Comunicação, mestrado em Media, Tecnologia e Direito na Universidade de Macquarie, tal como o outro co-autor deste livro, Sherman Young. “Never Ending Stories”   O capítulo começa por abordar um vídeo postado por um utilizador do Youtube    –   Kutiman-, que masterizou vinte e dois vídeos presentes na plataforma, transformando-o num único que até à data (novembro de 2018) com mais de um milhão de visualizações. Nesse vídeo, “  My Favorite Color  ”, K  utiman acrescenta ao solo da utilizadora Tenesan1 diversos vídeos de pessoas a tocar instrumentos distintos entre si- do saxofone ao piano, passando por uma demonstração de triângulo, entre outros. Este é o ponto de partida dos autores, que depois de dar este exemplo, aborda a constante mudança na natureza dos media  num ambiente cada vez mais convergente, onde o som se coaduna com o texto, o texto com a imagem, e por aí adiante. Os autores aplicam e explicitam este ambiente convergente com as diferentes vertentes dos meios de comunicação (rádio, jornais, programas de televisão, cinema), expondo o fenómeno da intertextualidade e mostrando que este está cada vez mais presente e enraizado no seio da sociedade, de formas cada vez mais diversificadas e complexas, uma vez que esta sociedade também foi sofrendo  ao longo dos anos, várias mudanças culturais. O networking process  permitiu essa mudança cultural ao apostar na crescente simultaneidade de conteúdo, de forma mais rápida, criativa e que procura chamar e prender a atenção do público.   O capítulo pretende estudar a continuidade e contestações envolvidas nestas mudanças tecnológicas e culturais, relacionando-as com o desenvolvimento das co-relações entre os media. Desta forma, os autores dividem o texto em três modelos de convergência, traçando-os com percursores históricos, observando a emergência das novas combinações entre as indústrias mediáticas, as suas formas e mensagens e analisando as consequências nas audiências. Estes três modelos de convergência são: o modelo de mash up , o modelo multimédia, e por último, o modelo de convergência textual através de plataformas ( transmedia ). Modelo de mash up   Relativamente ao modelo de mash up, os autores usaram o exemplo de Kutiman, que  pegou em vídeos que já estavam publicados no Youtube  e juntou-os, transformando-o num conteúdo muito popular para a altura (2012). Esse fenómeno é, para os autores, o exemplo  perfeito para explicar a convergência de diversos temas/assuntos com a mesma forma, mas que nunca tiveram a intenção de se ligar entre eles, tornando-se num só. As tecnologias de distribuição e produção tornaram-se cada vez mais acessíveis, tornando possível a combinação dos mais variados temas para produção de novos objetos dos media , sendo que tais mudanças, que foram surgindo maioritariamente no início do século XXI, reconfiguram as relações entre os profissionais e amadores. O  sampling,  na opinião de Meikle e Young, é um movimento que emergiu rapidamente na primeira década do século XXI, denotando uma estratégia de longo  planeamento e que, tal como Paul Miller (DJ Spooky) refere, é uma nova forma de produzir conteúdo novo com base em algo que já está feito. Tal acontecimento não é algo totalmente inovador, pois o mesmo já se tinha observado com artistas do século XX, como Picaso e Duchamp, e que levaram o movimento dadaísta ao hip-hop por exemplo, mas que nesta altura, as novas tecnologias revolucionaram tais acontecimentos, proporcionando dimensões muito maiores ao que estávamos habituados. Os autores referem Jenkins (2003), ao dizer que certos fenómenos, como por exemplo, os leitores de música portáteis - desde o Walkman aos telemóveis- ao permitirem aos utilizadores a customização das  playlists , fizeram com que este   processo se tornasse mais fácil para a emergência das novas tecnologias, pois foram eles que “pavimentaram a estrada”. O modelo de mash up  é, desta forma, uma oportunidade para amadores e profissionais do meio, pois possibilita a produção de material criativo. Este fenómeno é, à vista dos teóricos, algo que se foi desenvolvendo com base em conteúdos já existentes, como por exemplo os meios de comunicação social, que sempre o fizeram ao utilizar temas ou ideias de outros meios como complemento de algo novo. O cinema é um excelente exemplo disto, pois clássicos como “A Cinderela” e “A Branca de Neve e os Sete Anões” são adaptações ao “grande ecrã” de histórias tradicionais e contos de fada. Estas adaptações não acontecem só  no cinema, mas em todas as indústrias. Na música, desde os covers  aos remixes , as novas obras advêm de conteúdos previamente lançados, sendo que tal fenómeno é considerado uma estratégia de marketing   para relembrar o público do conteúdo que já era conhecido, complementando-o ao novo, atingindo assim diferentes tipos de consumidor e alcançando o sucesso. O mesmo se aplica aos livros, onde a junção de diferentes géneros resulta em obras  bem- sucedidas, como por exemplo, “  Pride and Prejudice and Zombies ”, livro de Seth Grahame-Smith, que interliga o terror moderno com a ficção de antiga srcinal de Jane Austen. A co-relação entre ambos os géneros resultou tão bem, que começou a ser feita uma saga a partir da primeira obra. As tecnologias de informação acabam por ser o grande segredo do sucesso destas indústrias, uma vez que nunca foi tão fácil pegar em algo, relacioná-lo com outro, misturá-lo e difundi-lo, sendo que apenas são necessárias ferramentas tão simples como um computador e ligação à internet. Tal é comprovado num estudo feito em 2007 sobre os conteúdos mais vistos no Youtube , que revelou que metade desses conteúdos eram de srcem caseira, ou seja, vídeos que foram feitos sem qualquer produção profissional, sendo que, mais uma vez, os autores mencionam o exemplo da obra realizada por Kutiman. Os mash ups  também poderão ser utilizados noutro tipo de contexto: o de revolucionar as ideias existentes, pois muitas vezes estes são utilizados para fins políticos, discutidos como cultural jamming  . O cultural jamming é o “retrabalho” de mensagens e imagens já existentes nos media  com o intuito de fazer uma declaração política ou cultural, sendo que na maior  parte das vezes é utilizado para resolver um problema mediático, como por exemplo, a influência da propaganda, tendo como objetivo chamar a atenção dos media  para esse  problema. Este termo teve srcem no grupo de rock Negativland, que são mais conhecidos por terem utilizado um  sample  dos U2 numa música sua e, por consequente, terem enfrentado várias disputas com a editora da banda irlandesa. O grupo de rock define cultural jamming     como " entrar onde não deveria estar nas ondas de rádio e estragar tudo ”. Nesta perspectiva, o termo é relacionado a obstrução, mas a perspectiva musical é também importante, pois sugere colaborações criativas à volta de um tema existente.  No entanto, a utilização deste modelo não é 100% aclamada, pois surge o problema dos direitos de autor e a posse de propriedade inteletual, pondo em questão a legitimidade da utilização do modelo. Um exemplo disso é retratado no texto, o caso do lançamento álbum “ The Grey Album ”, em 2004 pelo DJ Dangermouse, que misturou o álbum do rapper   Jay-Z “ The Black Album ” com o “ White Album ” dos The Beatles. Este tipo de tensões tanto acontecem na indústria musical, como na cinematográfica e livresca, onde os exemplos referidos em parágrafos acima- “A Cinderela” e o livro de Seth Grahame -Smith- também  provocaram alguma inquietude, porém, tanto o filme como o livro estão lançados e tiveram imenso sucesso, mostrando que o público está receptivo a mash ups  e consome-os, tornando-os, em alguns casos, em clássicos. Modelo de multimédia O modelo de multimédia é introduzido neste artigo utilizando um acontecimento mundialmente importante no contexto dos media: o sismo e tsunami Tohoku  de 2011, no Japão, que provocou estragos inumeráveis no país, graças às mortes, desaparecimentos, riscos na estação nuclear em Fukushima, bem como graves problemas com a electricidade e água.  No seguimento deste desastre, os autores referem que no dia seguinte a este ter acontecido, os  jornais tradicionais encheram-se de comentários e reportagens num estilo textual que, tal como é referenciado no texto, era “familiar a um leitor do século XIX”, dada a utilização do esquema em pirâmide, onde as informações principais aparecem em primeiro lugar e vão afunilando em grau de importância. No online , a abordagem foi diferente: no próprio dia do desastre, os meios de comunicação social preocuparam-se em desenhar uma cobertura  baseada numa ga ma mais ampla de formas mediáticas, criando “ live blogs ” que iam sendo constantemente atualizados durante vários dias, interligando testemunhos com vídeos amadores,  screenshots  de utilizadores do Twitter,  entre outros exemplos. Os jornais online , ao mesmo tempo que davam a “informação -  base”, interligavam -na com elementos visuais, comentários da audiência e complementavam com testemunhos que estavam, ou teriam estado, na área do acontecimento, para dar informações do que tinha acontecido e das medidas postas em prática aquando a tragédia. Esta convergência entre imagem, som, vídeo e animações foi a confirmação do computador portátil como “chave” da plataforma multimédia,
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