Proposição de um modelo de estruturação dos setores de insumos da cadeia produtiva da construção habitacional: o primeiro passo para a realização de estudos prospectivos

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    Proposição de um modelo de estruturação dos setores de insumos da cadeia produtiva da construção habitacional: o primeiro passo para a realização de estudos prospectivos Heitor Cesar R. Haga (1); Luiz Reynaldo de A. Cardoso (2); Alex K. Abiko (3) (1) Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) - Av. Professor Almeida Prado, Trav. 2, n. 83 – Cep.: 05508-900 - São Paulo/SP – Tel.: 55 (11) 3091-5459, Fax.: 55 (11) 3091-5715 e-mail: heitor.haga@poli.usp.br  (2) Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), Tel.: 55 (11) 3091-5107 e-mail: luiz.cardoso@poli.usp.br  (3) Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), Tel.: 55 (11) 3091-5449 e-mail: alex.abiko@poli.usp.br   RESUMO Este artigo apresenta os resultados parciais de uma pesquisa que busca realizar o estudo diagnóstico dos setores de insumos da construção, embasado no conceito de visão prospectiva. Inicialmente são discutidas as bases conceituais da análise prospectiva. Em seguida é apresentada uma análise das classificações destes setores existentes na bibliografia. Propõe-se, ao final do trabalho, um modelo de estruturação. O exercício da modelagem significa ampliar a compreensão dos segmentos estudados e a  principal conclusão obtida neste trabalho é que a modelagem oferece importante contribuição na realização de estudos diagnósticos e prognósticos. ABSTRACT This paper presents the partial results of a research (under progress/development) that aims to carry out a diagnosis of the construction material sectors in Brazil. The study is based on the concept of  prospective vision. Firstly, the paper discusses the conceptual basis of the prospective analysis. Secondly, an analysis of the classifications identified in the literature review is presented. Finally, the research proposes a structural model for the construction material sectors. The paper concludes that the modeling exercise contributed to enhance the understanding of the sectors and can additionally support diagnostic and prognostic studies. Palavras-chave: cadeia produtiva habitacional, setores de insumos da construção, construção habitacional, prospectiva  1. INTRODUÇÃO Este artigo apresenta os resultados parciais de uma pesquisa que busca realizar o estudo diagnóstico dos setores de produção e de comercialização de insumos para a construção, embasado no conceito de visão prospectiva. A prospecção ou análise prospectiva é uma técnica de planejamento estratégico que tem sido utilizada  para melhorar a base de informações disponíveis aos gestores, melhorando qualitativamente os planos realizados e apoiando substancialmente os administradores em suas tomadas de decisões.  No contexto da pesquisa, é uma forma de se conhecer o comportamento atual e futuro dos componentes de uma cadeia produtiva, entendendo as relações formais e informais entre eles e em que grau estes comportamentos afetam o desempenho do conjunto. Pode-se conhecer a eficiência interna dos componentes, a distribuição de benefícios e o impacto destas variáveis na competitividade da cadeia, tanto no presente quanto no futuro (CASTRO et al, 1998). Tal conhecimento pode ser utilizado pelos próprios componentes ou por instituições de desenvolvimento, no sentido de gerir o desenvolvimento da cadeia produtiva, implicando no estabelecimento negociado de padrões de eficiência e qualidade que fortalecem a competitividade e a sustentabilidade da cadeia como um todo. O conceito de prospecção tecnológica, embora bastante difundo internacionalmente, apresenta poucos casos conhecidos de aplicação ao nível nacional, principalmente nos setores envolvidos com a construção civil. Uma aplicação inédita e recente foi a pesquisa “  Estudo Prospectivo da Cadeia Produtiva da Construção Civil: Produção e Comercialização de Unidades Habitacionais Urbanas ”, desenvolvida no ano de 2002 pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, através do Departamento de Engenharia de Construção Civil e Urbana. Este estudo foi de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC, coordenado pela sua Secretaria de Tecnologia Industrial - STI e internacionalmente apoiado  pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Tecnológico Industrial - UNIDO. A pesquisa teve como objetivo realizar um estudo prospectivo da cadeia produtiva da construção civil no Brasil, na produção e comercialização de unidades habitacionais urbanas, partindo-se da situação  presente, de forma a configurar um futuro desejado e viável para o desenvolvimento da cadeia, considerando-se o horizonte 2003-2013. Foi desenvolvida em duas fases: diagnóstica e prognostica. Maiores detalhes e resultados podem ser obtidos nas seguintes referências: EPUSP/PCC (2003) e CARDOSO et al (2004a). Os setores relativos aos insumos da construção, de “produção de insumos” e o de “comercialização de insumos”, não foram profundamente estudos devido o distanciamento destes com o foco principal do estudo prospectivo, que foi a produção habitacional. Os segmentos estudados naquela ocasião foram os seguintes: “produção de unidades” e “comercialização de unidades” habitacionais e o elo chamado de “consumidores finais” da produção de habitações. Entretanto, o Comitê de Prospecção da Cadeia Produtiva da Construção Civil, constituído de 10 especialistas da área ("  stakeholders ") em virtude do estudo, verificou que os insumos e seus fabricantes representam ser um dos elos críticos ao desenvolvimento global da cadeia produtiva da construção habitacional. Alguns destes fatores determinantes foram os seguintes: a necessidade de  processos mais "amigáveis", a necessidade de padronização de insumos e a melhoria na industrialização e nos canais de distribuição de insumos.  No campo acadêmico, os insumos da construção já vinham sendo largamente investigados,  principalmente quanto à questão do desperdício de materiais em canteiro, devido a sua significativa  participação nos custos de produção e também na qualidade do produto habitacional. Este tem sido um dos principais focos da academia da engenharia de construção civil, porém os seus setores industriais não são, por tradição, focalizados como principais objetos de interesse científico. Observa-se que, em geral, acabam por ser focalizados por acadêmicos de outras áreas, como da administração e da economia.  Entretanto, já se observam mudanças deste contexto, já que é considerável que o setor de construção habitacional ou sua cadeia produtiva anseia: •  por um maior conhecimento, principalmente no que diz respeito a sua estruturação, delimitação e dinâmica econômica dos setores envolvidos nos processos de produção; •  por uma maior articulação e sinergia, cuja complexidade só pode ser abatida através da ênfase nas interrelações entre os vários segmentos da construção e entre estes e os setores de insumos para a construção e •  pela sugestão de novas direções a tomar, em especial por propostas de políticas tecnológicas associadas com estudos de mercado. Estas considerações justificam a busca de um maior desenvolvimento setorial dos setores de insumos da construção, bem como de formulações de políticas públicas e de avanços na própria gestão de tecnologia e de P&D. A presente pesquisa busca obter elementos que possam exatamente contribuir nestes sentidos. A pesquisa foi motivada pelo fato de que os setores de insumos da construção foram considerados críticos ao desenvolvimento da cadeia produtiva habitacional e também por que não puderam ser  profundamente investigados no estudo prospectivo citado, por limitações de recursos e por estarem distantes de seu foco principal. A pesquisa é um trabalho de doutoramento científico que está sendo desenvolvido com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP. Seus primeiros resultados estão sendo apresentados neste artigo. Os resultados aqui apresentados são parciais, pois correspondem aos estudos realizados na primeira das três etapas definidas na pesquisa. Estas três etapas são: • Primeira etapa: priorização, caracterização e modelagem de cadeias produtivas de insumos da construção; • Segunda etapa: análise de desempenho das cadeias e • Terceira etapa: identificação de fatores críticos das cadeias.  Neste sentido o artigo apresenta a proposta de um modelo de estruturação dos setores de insumos da cadeia produtiva da construção habitacional, resultado da etapa que tem como objetivo principal elaborar um modelo geral destes setores. Para tanto o artigo e a realização desta primeira etapa da pesquisa apresentaram como base teórica três conceitos básicos: visão sistêmica, cadeia produtiva e a visão prospectiva. Esta introdução de conceitos já apresenta por si uma reflexão sobre sua aplicação ao setor da construção. Por seguinte apresenta-se a análise de algumas abordagens de classificações destes setores, em verdade proposições de estruturações presentes em estudos e referências anteriores, cada qual com seu foco e/ou perspectiva específicos. Por final se apresenta uma proposta de classificação destes setores, resultado do exercício da modelagem que teve como bases os conceitos apresentados e a análise das classificações existentes em algumas bibliografias nacionais. 2. CONCEITOS BÁSICOS O conceito de modelo é comum a toda metodologia científica. De fato, em qualquer enfoque aplicado, é através de modelos que a ciência tem se expressado para compreender a natureza dos fenômenos. A presente pesquisa adota três conceitos na elaboração do modelo: • a visão sistêmica, que permite balizar a compreensão dos inter-relacionamentos existentes entre os segmentos e componentes dos setores pesquisados; • a cadeia produtiva, que busca balizar a caracterização das cadeias produtivas de interesse e • a visão prospectiva, para o entendimento da abordagem e orientação do tema desta pesquisa, ou seja, a realização de um estudo diagnóstico orientado pelo conceito de prospecção tecnológica.  2.1. Visão sistêmica Segundo CASTRO e LIMA (2001), pela teoria dos sistemas, o todo (ou o sistema) é o produto de  partes interativas, cujo conhecimento e estudo deve acontecer sempre relacionando o funcionando dessas partes em relação ao todo. A palavra “sistema”, como observa BERNARDES (1982), é uma expressão verbal de uma idéia de grande extensão, alias como toda noção primitiva. Assim sendo fica difícil a sua compreensão com  base em uma definição simples do termo, razão pela qual são também apresentadas considerações a respeito deste conceito além da breve definição do termo. A primeira consideração é sobre “limite de sistema”, ou seja, uma abstração que é aplicada pelos estudiosos para separar determinado sistema de seu particular interesse, de todos os demais que compõe o universo. Deve-se atentar que, embora muitas vezes não seja de interesse de um determinado estudioso a idéia de estabelecer limites, o mesmo permite a apreciação de conjuntos menores de componentes interativos, facilitando o entendimento do seu funcionamento. Do conceito de limite deriva-se outro considerado também importante por CASTRO e LIMA (2001), que é o de “hierarquia”. Enquanto o conceito de limite está relacionado com os objetivos a alcançar, o conceito de hierarquia decorre de existirem na natureza sistemas dentro de sistemas, numa ordem decrescente, onde um determinado sistema passa a ser um subsistema numa escala hierárquica mais alta e contém outro subsistema numa escala mais baixa. Uma última consideração pode ser colocada a respeito deste conceito, que é sobre a “caracterização” ou análise de um sistema. Um sistema está caracterizado quando se definem os seus objetivos (razão  pela qual ele opera); os seus insumos (elementos entrando no sistema); os seus produtos (elementos saindo do sistema); os seus limites; os seus componentes (elementos internos que transformam insumos em produtos); os fluxos (movimento de elementos entre os seus componentes), definindo as variáveis de estado e as taxas de fluxo, que podem ser utilizadas para se medir o comportamento dinâmico do sistema. A visão sistêmica se relaciona a essa visão de sistemas, assim como o enfoque sistêmico. Este termo é freqüentemente confundido com sistemas de qualquer natureza, que por sua vez são interpretados como sistemas de gerenciamento e até como sistemas de produção. Também se confundi com o termo sistemático, que na verdade significa uma abordagem organizada de algum processo ou fato. 2.2. Cadeia produtiva O conceito de cadeia produtiva foi desenvolvido como instrumento da visão sistêmica. Parte da  premissa que a produção de bens pode ser representada como um sistema, onde os diversos atores estão interconectados por fluxos de materiais, de capital e de informação, objetivando suprir um mercado consumidor final com os produtos do sistema. Segundo PROCHNIK (1986) a noção de cadeia produtiva está associada à noção de processo  produtivo e, como afirma HAGUENAUER et al (1984), a designação “cadeia produtiva” pode ser atribuída à seqüência de estágios sucessivos, assumidos pelas diversas matérias neste processo de transformação.  Na cadeia de cimento, por exemplo, a principal matéria-prima é o calcário; o cimento é o produto intermediário e os blocos de concreto, lajes de moldadas, etc., estão no estágio mais elaborado deste  processo de transformação. Cadeia produtiva é, portanto, um conjunto de componentes interativos, usualmente representados na forma de elos encadeados. Uma típica cadeia produtiva industrial apresenta como seus componentes mais comuns: os mercados consumidores final, compostos pelos indivíduos que consomem o produto final; a rede de atacadistas e varejistas; a indústria de processamento e/ou transformação do produto; seus diversos sistemas produtivos e por fim, os produtores e fornecedores de insumos. Esses componentes ou elos da cadeia produtiva estão relacionados a um ambiente institucional (leis, normas, instituições normativas) e a um ambiente organizacional (instituições governamentais, de crédito etc.), que em conjunto exercem influência sobre os componentes da cadeia (CASTRO e LIMA, 2001).  As cadeias produtivas formam uma trama de interligações complexas. Algumas cadeias se unem, outras subdividem-se e os seus ramos se dirigem para várias direções. Esta observação é exemplificada por PROCHNIK (1986), respectivamente, no caso dos produtos metálicos e a do cimento, que se unem na produção de lajes pré-moldadas, e no caso da cadeia siderúrgica, que é base  para muitos produtos dos macrocomplexos metalmecânico e da construção civil. Segundo o mesmo autor, não há como supor que esta trama de cadeias se espalhe uniformemente por toda a economia. Ao contrário, observa-se a existência de conjuntos de indústrias fortemente articuladas entre si e que mantém fraca ligação com as demais indústrias. Estes conjuntos são os complexos industriais, eles surgem a partir do reatamento dos segmentos que compõe cadeias  produtivas interligadas. No caso do macrocomplexo da construção civil existe uma grande independência entre as cadeias de produção. 2.3. Visão prospectiva A visão prospectiva nasceu da necessidade de desenvolver uma postura ativa em relação ao futuro, em oposição à previsão clássica de futuro único. Conceitualmente, a previsão clássica baseia-se na  projeção dos acontecimentos do passado, o que resulta num futuro único e definido. E a visão  prospectiva parte da análise do passado e do presente para: configurar futuros possíveis, construir o futuro desejado, ou para afastar-se de um futuro indesejado.  Nos casos de aplicação da visão prospectiva as técnicas mais utilizadas internacionalmente são as de elaboração de cenários e a técnica “  Delphi ”. No estudo prospectivo da construção civil comentado anteriormente foi utilizada esta última técnica (CARDOSO et al, 2004b). Em resumo, a aplicação da prospectiva para cadeias produtivas envolve: • a modelagem da cadeia enquanto sistema industrial, composto de elos sucessivos e interligados e a segmentação de cada elo; • a análise do ambiente institucional e organizacional que envolve a cadeia produtiva; • a identificação de necessidades e aspirações de cada segmento e da cadeia como um todo; • a análise de desempenho da cadeia produtiva e a identificação de fatores críticos à melhoria do desempenho; • o prognóstico do comportamento futuro dos fatores críticos e portanto, do desempenho futuro da cadeia. E seus resultados devem identificar: • demandas tecnológicas e como conseqüência, orientação para a busca de inovações; • demandas não tecnológicas, tais como oportunidades, ameaças e ações possíveis na cadeia e no seu ambiente institucional e organizacional, visando a melhoria de seu desempenho para o futuro. 3. ANÁLISE DAS CLASSIFICAÇÕES EXISTENTES DOS SETORES DE INSUMOS DA CONSTRUÇÃO Pode ser localizada na literatura acadêmica e científica nacional a existência de várias propostas de classificação dos setores de insumos e, em conseqüência, das atividades da construção. Estas classificações sofrem alterações decorrentes do objetivo e da metodologia adotadas em cada pesquisa. Apresentam-se a seguir detalhes daquelas consideradas mais importantes neste estudo, que em geral são as mais referenciadas e seguidas posteriormente por outros autores. Salienta-se que certamente  podem ser encontradas outras classificações numa pesquisa bibliográfica mais exaustiva. Para a  presente pesquisa esta relação é considerada suficiente. A primeira delas é a abordagem de ROSSO (1980), que considera o grau de industrialização do  produto como critério de divisão, onde o material de construção recebe vários estágios de aplicação de tecnologia que aumentam o seu grau de industrialização. Neste processo de produção, que determinam os produtos intermediários, o material sofre transformações que agregam valor econômico e efetividade funcional.
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