O USO DE ESPÉCIES VEGETAIS NATIVAS PARA A RECUPERAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA NO CAMPUS UVARANAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, PONTA GROSSA -PR

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  This study proceeds in a fragment of secondary natural vegetation belonging to phytogeographic training Grassland (EGL) and characterized as a typical fragment of Araucaria Forest (FOM), located in the Campus Uvaranas of Universidade Estadual de
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  O USO DE ESPÉCIES VEGETAIS NATIVAS PARA A RECUPERAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA NO CAMPUS UVARANAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, PONTA GROSSA - PR  12  STRACHULSKI, Juliano; STRUMINSKI, Edson RESUMO: O presente estudo procede em um fragmento de vegetação natural secundária, pertencendo à formação fitogeográfica Estepe Gramíneo-Lenhosa (EGL) e caracterizando-se como um fragmento típico da Floresta Ombrófila Mista (FOM), localizado no Campus Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa – PR. A área estudada possui 3.126 m², sendo oriunda do sub-bosque de um reflorestamento com Eucalyptus sp anteriormente removido. Sendo que o objetivo do presente estudo foi inserir espécies vegetais nativas a fim de recuperar esta área degradada de vegetação natural secundária no Campus Uvaranas da UEPG. Para tanto, a metodologia contou com várias técnicas como repicagem, semeadura, plantio de espécies arbóreas nativas, além de tratos silviculturais. Em relação ao plantio, foram abertas covas de aproximadamente 30x30 cm, com espaçamento de 5 metros de distância de uma cova para outra. Foram plantadas ao todo 328 mudas desde o início dos trabalhos, restando 248, ou seja, 75,6% dos indivíduos. Das 248 mudas apenas 45 ou 18,1% apresentam boa qualidade, ou seja, apresentam condições de superar as gramíneas na competição pela luz e tornarem-se árvores adultas, destacando-se a  Mimosa scabrella, Schinus terebhintifolius, Luehea divaricata, Parapiptadenia rígida e  Vitex megapotamica  . Estas espécies obtiveram sua melhor evolução sob áreas abertas e de forma dispersa. Contudo, o baixo número de espécies nativas plantadas que apresentaram boas condições fitossanitárias mostra a importância da manutenção dos trabalhos na referida área. PALAVRAS-CHAVE: Área degradada. Recuperação. Plantio de espécies nativas. UEPG. THE USE OF NATIVE PLANT SPECIES FOR THE RECOVERY OF DEGRADED AREA IN THE UVARANAS CAMPUS OF THE UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, PONTA GROSSA-PR   ABSTRACT: This study proceeds in a fragment of secondary natural vegetation belonging to phytogeographic training Grassland (EGL) and characterized as a typical fragment of Araucaria Forest (FOM), located in the Campus Uvaranas of Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa - PR. The studied area has 3,126 m², and coming from the understory of a reforestation with Eucalyptus sp previously removed. The objective of the present study was to insert native plant species to recover this area degraded of secondary natural vegetation in Campus Uvaranas of UEPG. For both, the methodology included several techniques such as transplanting, seeding, planting of native tree species, besides silvicultural treatments. In relation to the planting, were open pits of approximately 30x30 cm, with spacing of 5 meters away from a pit to another. Were planted altogether 328 seedlings since the beginning of the jobs, remaining 248, in other words, 75.6% of individuals. Of the 248 seedlings only 45 or 18.1% have good quality, i.e. present conditions to overcome the grasses in the competition by the light and become adult trees, highlighting the  Mimosa scabrella, Schinus terebhintifolius, Luehea divaricata, Parapiptadenia rígida   and Vitex megapotamica  . These species have obtained their best evolution under open areas and of scattered mode. However, the low number of native species planted that presented good phytosanitary conditions shows the importance of maintaining the works in that area.  KEY WORDS: Degraded area. Recovery. Planting of native species. UEPG. 1  Mestre em Gestão do Território pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. E-mail: . julianostrachulski@hotmail.com 2  Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná.  Rev. GEOMAE Campo Mourão, PR v.4n.1 p. 70 - 85 1ºSem 2013 ISSN 2178-3306   INTRODUÇÃO O atual estudo se apresenta em uma área situada ao redor do Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Pós-Graduação (CIPP), no Campus Uvaranas da UEPG, englobando uma mancha de vegetação natural secundária localizada na formação fitogeográfica Estepe Gramíneo-Lenhosa, em cuja região também se fazem presentes diversos fragmentos de vegetação referentes ao domínio da Floresta Ombrófila Mista. Tal mancha de vegetação foi identificada em um estudo preliminar acerca da vegetação do presente campus (STRACHULSKI e SILVA, 2010) e diagnosticada por Struminski (2010). Para esta área estava prevista inicialmente a construção de um estacionamento, o qual teve sua localização alterada atendendo sugestões de Struminski (2010). A presente pesquisa busca dar continuidade as proposições apontadas por este autor, que aponta uma alternativa locacional à implantação deste estacionamento e como medida compensatória propõe a recuperação da área pesquisada. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo inserir espécies vegetais nativas a fim de promover a recuperação da área degradada.Os espaços verdes do campus e em específico a área em questão recebem um constante fluxo de pessoas sendo de grande procura pela comunidade acadêmica, funcionários e moradores vizinhos que diariamente se beneficiam da vegetação ali existente para descansar, estudar e relaxar, além de serem laboratórios a céu aberto para estudos acerca da vegetação.Portanto, a recuperação que se pretende na área degradada se faz tanto por necessidade ambiental como social. Assim, várias técnicas foram efetuadas, como realização de tratos silviculturais, a repicagem, o plantio de mudas fornecidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), etc. O plantio de mudas nativas de várias espécies visou proporcionar uma melhora genética do fragmento, além de um maior adensamento e diminuição de herbáceas que competem pela luz com as plântulas emergentes, acarretando na melhora da qualidade ambiental do campus e catalisando seu potencial acolhedor de pessoas.  A vegetação, por ser um elemento importante em áreas urbanizadas quase sempre é relacionada com a saúde e recreação ativa e passiva e proporcionadora de interação das atividades humanas com o meio ambiente (DEMATTÊ, 1997).  A simples existência de espaços verdes no meio urbano tende a colaborar para a melhora da qualidade de vida das pessoas, valorizando o ambiente e o aspecto estético-paisagístico, promovendo integração entre as atividades humanas e a natureza, se constituindo em importantes espaços e oportunidades de recreação e educação (GANGLOFF, 1996). O termo espaços verdes ou áreas verdes se refere a “um tipo especial de espaços livres onde o elemento fundamental de composição é a vegetação” (CAVALHEIRO et al. (1999, p. 1). Já para Lima et al. (1994, p. 549) área verde é uma categoria de espaço livre, em que há o predomínio de vegetação arbórea, como por exemplo, “praças,  jardins públicos e parques urbanos”. Segundo Angelis Neto et al. (2004, p. 66) a ação dos espaços verdes “dá-se de maneiras as mais diversas, abarcando um leque que vai da melhoria do microclima local, passando pela recuperação de áreas degradadas e estendendo-se, inclusive, sobre a psique dos seres humanos”.  As áreas verdes, desta forma, atuam respectivamente sobre as características físicas e mentais das pessoas, “absorvendo ruídos, atenuando o calor do sol; no plano psicológico, atenua o sentimento de opressão do Homem com relação às grandes edificações; constitui-se em eficaz filtro das partículas Revista GEOMAE - Geografia, Meio Ambiente e Ensino. Vol. 04, Nº 01, 1º SEM/2013   71  sólidas em suspensão no ar, contribui para a formação e o aprimoramento do senso estético, entre tantos outros benefícios” (LOBODA e DE ANGILIS, 2005, p. 134). Segundo Loboda e De Angilis (2005, p. 134) “As áreas verdes desempenham um papel importante no mosaico urbano, porque constituem um espaço encravado no sistema urbano cujas condições ecológicas mais se aproximam das condições normais da natureza”.Desta forma, visando melhorar a qualidade de vida em áreas urbanas e promover o equilíbrio ecológico, tem-se o emprego da vegetação para a recuperação de espaços perturbados pela ação intempestiva do ser humano, como as áreas degradadas. O conceito de área degradada é muito utilizado na temática ambiental, sendo definido por Kageyama et al. (1994), como aquela que, após a ocorrência de um distúrbio, teve reduzidos os seus meios de regeneração natural, não sendo, portanto, capaz de se regenerar sem a interferência da ação humana. Para Reichmann Neto (1993) área degradada é aquela que teve suas características srcinais alteradas, em função de causas naturais ou pela ação antrópica. Referindo-se ao caminho inverso à degradação encontra-se o termo recuperação, definido simplificadamente por Kobiyama, Ushiwata e Barcik (1993) como sendo o processo inverso à degradação. Ampliando a definição Griffith (1986) entende que recuperação significa a reparação dos recursos ao ponto que seja suficiente para restabelecer a composição e frequência das espécies encontradas srcinalmente.Outro termo de relevada importância, e assíduo em pesquisas que envolvem a recuperação de áreas degradadas, é o de recomposição florestal, “entendendo-se como recomposição as áreas que tenham a vegetação nativa em desenvolvimento, naturalmente ou plantadas, em um estágio que garanta a sua sobrevivência” (BURKO e JUNIOR, 2009, p.16), ou seja, buscar transformar o local degradado para que este tenha condições ambientais satisfatórias que permitam a manutenção da vegetação em questão. Portanto, pode-se aqui entender o termo recomposição como sinônimo de recuperação, ou seja, regeneração da vegetação e revitalização das demais características físico-biológicas locais. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO  A área de vegetação natural secundária, objeto deste estudo, é um pequeno fragmento que possui 3.126 m² de área, localizado no Campus Uvaranas da UEPG, estando em frente ao CIPP e ao lado de um reflorestamento com Eucalyptus sp . (figura 1), pertencente à formação fitogeográfica Estepe Gramíneo-Lenhosa, contudo, podendo ser caracterizada como um fragmento de vegetação referente ao domínio da Floresta Ombrófila Mista.Este local no passado abrigou um reflorestamento com Eucalyptus sp , que está sendo gradativamente retirado, havendo, com isto, uma grande exportação de nutrientes do solo em função esta retirada. Também é mantida a realização de roçadas pelos jardineiros, intensificando a exportação de nutrientes, o que acarreta na acidificação do solo. Este, por sua vez, apresenta-se compactado e com pouca capacidade de retenção da água e de umidade. Isso se agrava pela pequena presença de matéria orgânica. Nota-se ainda a presença de restos de construção em meio ao solo, indicando que está desestruturado, pois mescla restos de construção (pedra brita, ferro e concreto) com os agregados do solo. 72 STRACHULSKI, J.; STRUMINSKI, E.  Revista GEOMAE - Geografia, Meio Ambiente e Ensino. Vol. 04, Nº 01, 1º SEM/2013   73 Figura 1 - Localização da área de estudo Fonte: Os autores. Por outro lado, hoje pode ser encontrado neste local um agrupamento de cerca de 50 espécies características de um estágio sucessional intermediário (Capoeira) de Floresta Ombrófila Mista (VELOSO, 1991), com cerca de 6 a 8 anos de idade e na forma de mudas, arbustos ou árvores com até 7 m de altura. Segundo Struminski (2010) estas árvores beneficiaram-se do ambiente relativamente estável (ausência de caminhos, ou outras intervenções humanas) do sub-bosque dos eucaliptos (figura 2) e posteriormente também da abertura do dossel, representando um esforço natural de sucessão, após a retirada dos eucaliptos. Além das árvores já adultas, é possível identificar o aparecimento de mudas com cerca de 0,2 m de altura, que poderão chegar a árvores adultas, caso recebam manejo adequado no tipo de roçada e em forma de coroamento de herbáceas e podas periódicas. A retirada do reflorestamento, por outro lado, provocou a rápida invasão de gramíneas usadas para pastagem, que tem impedido que o processo de sucessão natural avance a contento.Foram identificados de forma expedita exemplares das seguintes espécies arbóreas: aroeira ( Schinus terebhintifolius  ), canela guaicá ( Ocotea puberula  ), leiteiro ( Sapium glandulatum ), vassourão branco ( Piptocarpha angustifolia  ), jerivá (  Arescastrum romanzoffianum ), manduirana ( Senna macranthera  ), uvarana ( Cordyline dracaenoides  ), paineira ( Chorisia speciosa  ), pessegueiro-bravo ( Prunus sp ), mamica-de-porca (  Zanthoxylum sp ), capororoca (  Myrsine ferruginea  ), cedro ( Cedrella  fissilis  ), erva-mate ( Ilex paraguariensis  ), bracatinga (  Mimosa scabrella  ), figueira-mata-pau (  ficus sp ) e pitanga ( Eugenia uniflora  ), leguminosas e flacourtiáceas. O Pinheiro-do-Paraná (  Araucaria angustifolia  ) está ausente deste agrupamento remanescente.  74 Figura 2 –  Eucalyptus sp  e vegetação natural secundária em sub-bosque Fonte: Os autores. Segundo Struminski (2010) este grupo de árvores apresenta condições fitossanitárias satisfatórias e algumas das características correspondentes às formações florestais no estágio médio de sucessão estabelecido pelas Resoluções 1/94 e 2/94 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio  Ambiente) (BRASIL, 1994), definidas resumidamente a seguir:a) fisionomia arbórea predominando sobre a arbustiva e herbácea, podendo constituir estratos diferenciados;b) cobertura arbórea de aberta a fechada, com ocorrência eventual de indivíduos emergentes;c) distribuição diamétrica com amplitude moderada, predomínio de diâmetros médios;d) serrapilheira variando a espessura de acordo com a estação do ano e localização;e) diversidade biológica provavelmente significativa, se forem incluídas herbáceas; MATERIAIS E MÉTODOS  A partir do mapeamento realizado pelo trabalho citado na introdução (STRACHULSKI e SILVA, 2010) foi possível identificar em campo a área potencial a ser recuperada no campus da UEPG. Tal mapeamento foi realizado por meio do programa Quantum GIS 1.7.1 Wroclaw. Na sequência houve o levantamento das espécies ali existentes e sua avaliação qualitativa. Em seguida iniciaram-se tratos silviculturais (capina de gramíneas no entorno e podas) àqueles indivíduos que necessitassem, visando um melhor desenvolvimento ao seu crescimento. Assim, tem-se início o processo de recuperação da presente área, sendo que Roderjan e Kuniyoshi (1988) apontam que a recuperação deve fornecer condições para que ocorra o processo de sucessão ecológica. Deste modo, segundo Attanasio et al., 2006) as formas mais importantes de aquisição de espécies para o desenvolvimento da sucessão em área degradada são o plantio de mudas STRACHULSKI, J.; STRUMINSKI, E.
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