Demografia do perfilhamento e taxas de acúmulo de matéria seca em capim 'Tifton 85' sob pastejo

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  Demografia do perfilhamento e taxas de acúmulo de matéria seca em capim 'Tifton 85' sob pastejo
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  591 Perfilhamento em capim 'Tifton 85' Scientia Agricola , v.57, n.4, p.591-600, out./dez. 2000 DEMOGRAFIA DO PERFILHAMENTO E TAXAS DE ACÚMULO DEMATÉRIA SECA EM CAPIM ‘TIFTON 85’ SOB PASTEJO Carlos Augusto Brandão de Carvalho 1,3 ; Sila Carneiro da Silva 2 *; André Fischer Sbrissia 1,3 ; LuizFelipe de Moura Pinto 1,4 ; Roberta Aparecida Carnevalli 1 ; Jailson Lara Fagundes 1 ; CarlosGuilherme Silveira Pedreira 2 1 Pós-Graduando do Depto. de Produção Animal - USP/ESALQ. 2  Depto. de Produção Animal - USP/ESALQ, C.P. 9 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP. 3 Bolsista FAPESP. 4 Bolsista CAPES.*Autor correspondente <scdsilva@carpa.ciagri.usp.br> RESUMO: Neste ensaio foram avaliados os parâmetros de densidade populacional, taxas de emissão e demortalidade, proporção de perfilhos florescidos e acúmulo de matéria seca de forragem para a espécie Cynodon spp. cultivar Tifton 85. Os tratamentos corresponderam a quatro situações de altura do pasto (5, 10, 15 e 20cm) mantidas constantes por ovinos sob regime de lotação contínua e taxa de lotação variável. O delineamentoexperimental foi o de blocos completos casualizados com quatro repetições. Foram utilizadas áreas( ≅  0,0176 m 2 ) delimitadas por anéis plásticos (PVC), onde todos os perfilhos existentes foram marcados compequenas argolas plásticas coloridas e contados a cada avaliação. As taxas de acúmulo de matéria secaforam avaliadas utilizando-se a técnica da gaiola de exclusão, com mensuração da massa de forragem a cada21 dias. Houve efeito (P<0,10) de data e/ou período de amostragem sobre todas as variáveis estudadas. Asmaiores densidades populacionais foram verificadas para os pastos mantidos baixos (5 cm), bem como asmaiores taxas de aparecimento e mortalidade. As taxas de mortalidade foram determinantes básicos dasdensidades populacionais de perfilhos. Ocorreu grande renovação da população de perfilhos durante a estaçãodo verão. Não houve efeito (P>0,10) de tratamento sobre as taxas de acúmulo de forragem.Palavras-chave: população de perfilhos, mortalidade, florescimento, acúmulo de forragem TILLER DEMOGRAPHY AND DRY MATTER ACCUMULATIONRATES IN ‘TIFTON 85’ SWARDS UNDER GRAZING  ABSTRACT: The aim of this study was to verify patterns of tiller population density, tiller appearance andmortality rates, proportion of flowering tillers and herbage dry matter accumulation   for Cynodon  spp. (cv. Tifton85). Treatments corresponded to four “steady state” conditions characterised by sward surface heights of 5, 10,15, and 20 cm, maintained by sheep grazing under continuous stocking and variable stocking rate. Treatmentswere allocated to experimental units (400 m 2  each) according to a completetely randomised block design withfour replication. Tillering evaluations consisted of tagging and counting all tillers present and new tillers emergingwithin two 15 cm diameter plastic rings (PVC) per experimental unit. Herbage accumulation was measuredusing exclosure cages rotated every three weeks. There was a time effect (P<0,10) for all response variablesstudied. Short swards (5 cm) presented the highest values for tiller population densities as well as the highestrates of tiller appearance and mortality. Tiller mortality rates were very influential on tiller density population. Agreat turnover in tiller population occurred during the summer period, suggesting that a high tiller populationdensity should be maintained during autumn and winter. There was no treatment effect on herbage accumulationrates (P>0,10).Key words: tiller population, tiller mortality, flowering tillers, herbage accumulation INTRODUÇÃO Numerosos estudos relacionados com o controle emanejo do pastejo têm sido conduzidos nos últimos anos.Contudo, o impacto das estratégias de manejo sobre ascaracterísticas morfogenéticas do pasto, particularmente paraplantas de clima tropical, não é bem definido. Hodgson (1990)sugere que o estudo de componentes do relvado, como osperfilhos individuais por exemplo, em experimentos depastejo, possam auxiliar no entendimento dos efeitos deestratégias de manejo do pastejo sobre as respostas e ocomportamento de plantas forrageiras em pastagens.Conceituado como a unidade vegetativa básica dasgramíneas (Hodgson, 1990), o perfilho possui importânciaímpar no que diz respeito à produtividade e sustentabilidadede sistemas de pastejo, pois a produção total de forragemde um relvado é determinada pela contribuição relativa decada perfilho e pelo número de perfilhos que constituem acomunidade de plantas (Nelson & Zarrough, 1981). As taxas de aparecimento, florescimento e mortede perfilhos determinam sua contribuição para acomposição botânica do relvado de forma a permitir maior ou menor acúmulo de forragem em diferentes épocas doperíodo de pastejo (Langer et al. 1964; Korte, 1986;  592 Carvalho et al. Scientia Agricola , v.57, n.4, p.591-600, out./dez. 2000 Hernandez Garray et al., 1997). Informações a respeito dademografia de perfilhos fornecem condições para um “ajustefino” das estratégias de desfolha, uma vez que são capazesde gerar aumentos significativos na produtividade daspastagens em situações específicas (Matthew et al., 1999). A emissão dos perfilhos ocorre segundo uma ordemnatural de sucessão foliar determinada geneticamente, massão as condições de ambiente, juntamente com a expressãogenética da planta, que decidem qual gema se desenvolveráprimeiro (Langer, 1956). Perfilhos emergem continuamenteno relvado e possuem um tempo de vida limitado,normalmente não excedendo mais que um ano (Langer,1963). Já que as gramíneas se constituem em umaagregação de perfilhos, o tempo de vida dos mesmos, bemcomo suas taxas de aparecimento, são fatores importantespara a sobrevivência da planta como um todo. Portanto, ataxa de crescimento do relvado torna-se uma integral dastaxas de crescimento de seus componentes (perfilhos)(Matthew et al., 1999). A morte de perfilhos vegetativos resulta de muitosprocessos, incluindo sombreamento, pastejo severo,arranquio, deposição de fezes e urina, pisoteio, florescimento,competição por nutrientes, doenças e predação por insetos(Ong et al., 1978; Matthew et al., 1996). A principal causada morte de perfilhos vegetativos é o sombreamento depequenos perfilhos devido ao aumento da massa de forragemno relvado (Ong et al., 1978; L’Huillier, 1987). Já a principalcausa da mortalidade de perfilhos reprodutivos é atribuída aopastejo, pois quando uma pequena porção do caule éremovida pelos animais durante essa fase dedesenvolvimento da planta, o perfilho todo morre (Chapmanet al., 1984; L’Huillier, 1987).O cultivar Tifton 85 foi desenvolvido por Burton et al.(1993) na USD-ARS em cooperação com a Coastal PlainExperiment Station da Universidade da Geórgia, em Tiftonnos EUA, e lançado em 1992. É um híbrido interespecífico( Cynodon  spp.) selecionado do cruzamento entre uma gramabermuda ( Cynodon dactylon ) do sul da África (P1290884) eo capim bermuda cultivar ‘Tifton 68’ ( Cynodon nlemfuënsis ).O Tifton 85 destacou-se nos Estados Unidos e posteriormenteno Brasil por sua alta produção de matéria seca e teor deproteína bruta, chegando a produzir 14 t ha -1  ano -1  de MS e15,2% PB em experimentos de corte (Alvim et al., 1997), alémde altas taxas de acúmulo de forragem (Fagundes, 1999),valor nutritivo, digestibilidade, desempenho animal ecapacidade de suporte (Carnevalli, 1999). Contudo, estudosa respeito da distribuição populacional de perfilhos ao longodo ano, bem como de suas taxas de aparecimento,mortalidade e florescimento em pastagens continuamescassos e são fundamentais para que se possa desenvolver estratégias de manejo mais adequadas a essa planta,culminando com maior produtividade dos sistemas de pastejosustentados em seu uso.Portanto, o objetivo deste trabalho foi identificar ospadrões da distribuição populacional, taxas de aparecimento,mortalidade e acúmulo de forragem em pastagens de Tifton85 manejadas sob quatro intensidades de pastejo, utilizandolotação contínua e taxa de lotação variável. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado na UnidadeExperimental de Plantas Forrageiras (UEPF), em área doDepartamento de Produção Animal da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo,no município de Piracicaba, Estado de São Paulo,localizado a 22°42’30’’de latitude sul, 47°38’00’’de longitudeoeste e 546 m de altitude (Ometto, 1989). O períodoexperimental foi de 18 de agosto de 1998 a 08 de marçode 1999, com duração de 219 dias.Conforme o sistema Köppen, o clima da região dePiracicaba pode ser classificado como Cwa, isto é,mesotérmico úmido, subtropical de inverno seco, onde atemperatura do mês mais frio é inferior a 18°C e a do mêsmais quente ultrapassa os 22°C (Brasil, 1960). Os dadosclimáticos referentes ao período experimental (TABELA 1)foram obtidos no Meteorológico do Departamento deCiências Exatas da ESALQ/USP, localizado próximo à áreaexperimental. Pastagem e período experimental O ensaio foi instalado em solo classificado como Argissolo eutrófico, horizonte A moderado, e de texturaargilosa/muito argilosa. A análise do solo realizada ao inícioda implantação da área experimental encontra-se naTABELA 2. Devido à alta fertilidade não foifeita calagem no momento da implantação ou durante oensaio. As pastagens foram implantados em março de1996 por meio de mudas, sendo que, devido àsadversidades climáticas e ao baixo percentual depegamento das mudas, fez-se o replantio de algumasparcelas durante os meses de fevereiro e março de 1997. Ao longo de 1997 foram adubadas com 150 kg N ha -1  naforma de sulfato de amônio. Em 1998 receberam umaadubação com 40 kg N ha -1  na forma de sulfato de amônioem janeiro e outra em julho. Um corte de uniformizaçãofoi realizado em março de 1998 a uma altura de cerca de3 cm do nível do solo. Os animais foram alocados àsunidades experimentais à medida que as alturas previstasdos tratamentos eram atingidas (a partir de maio).O período experimental iniciou-se em 18 de agostode 1998, quando todas as unidades experimentais jáhaviam atingido suas alturas pré-determinadas (5, 10, 15e 20 cm), e estendeu-se até 8 de março de 1999. Durantea condução do experimento foram realizadas quatroadubações nitrogenadas utilizando como fonte denitrogênio o sulfato de amônio. A primeira foi realizada em19 de setembro (40 kg N ha -1 ), a segunda em 21 deoutubro (50 kg N ha -1 ), a terceira em 7 de dezembro (25kg N ha -1 ) e a quarta em 7 de março (75 kg N ha -1 ). Asquantidades de fertilizantes aplicadas foram calculadas afim de que fosse conseguido um acúmulo mínimo deforragem suficiente para manter pelo menos dois animaispor unidade experimental durante todo o período deavaliação.  593 Perfilhamento em capim 'Tifton 85' Scientia Agricola , v.57, n.4, p.591-600, out./dez. 2000 Delineamento e manutenção das condiçõesexperimentais O delineamento experimental utilizado foi em blocoscompletos casualisados com quatro repetições. O cultivar Tifton 85 foi submetido a quatro condições de altura do pasto(5, 10, 15 e 20 cm em relação ao nível do solo), mantidasconstantes. Cada parcela possuía cerca de 400 m 2  e ocontrole das alturas foi realizado através de pastejo por ovinosem regime de lotação contínua e taxa de lotação variável. Aaltura média dos pastos foi monitorada semanalmente atravésda tomada de 20 leituras em cada unidade experimental como prato ascendente duas vezes por semana. Uma vez ao mêsera feita a calibração de altura comprimida do pasto com aaltura não comprimida (régua), gerando-se dessa forma ovalor da altura usado como referência para o monitoramentodos tratamentos. Os animais foram colocados ou retiradosdas unidades experimentais conforme a necessidade demanutenção das alturas determinadas pelos tratamentos. Avaliação da demografia de perfilhos, taxas deaparecimento e mortalidade Para avaliação dos padrões demográficos deperfilhamento e suas respectivas taxas de aparecimentoe mortalidade utilizou-se uma área amostragem de 0,0165m 2  representada por um anel de cano plástico (PVC) de15 cm de diâmetro e 2 cm de altura fixado ao solo, sendoque em cada unidade experimental existiam dois anéis. Cadaamostragem foi realizada dentro de um período máximo dedois dias e o intervalo entre amostragens foi deaproximadamente quatro semanas. As gerações de perfilhosforam marcadas com argolas plásticas de cores distintas,sendo que a cada amostragem os perfilhos pertencentes àsgerações pré-existentes eram contados e os novos marcadoscom uma nova cor. As densidades populacionais, ospercentuais de novos perfilhos e de mortos e florescidos napopulação foram calculados da seguinte forma: Densidade populacional  = número total de perfilhosexistentes em todas as gerações marcadas (1 a  + 2 a  + 3 a + ...+ 8 a  gerações) por unidade de área Aparecimento =  n o  de perfilhos novos (última geração marcada) x 100 n o  de perfilhos totais existentes (gerações marcadas anteriormente) Mortalidade =  n o  total de perf. marcados nas ger. ant. - total de perf. sobrev. (última marc.) x 100 n o  total de perfilhos marcados nas gerações anteriores TABELA 1 - Temperaturas médias mensais do ar (máxima média, mínima média e média), precipitação pluvial e insolaçãodiária média durante o período experimental (de agosto/98 a março/99) e comparação com os dados dosúltimos 80 anos. Mês/anoTemperatura (°C)Precipitação MédiaInsolação MédiaMáxima médiaMínima médiaMédiammh dia -1 agosto/9827,414,420,9 21,86,2Média (80 anos - agosto)27,310,919,1 29,48,1setembro/9827,615,321,5 89,35,7Média (80 anos - setembro)28,113,320,7 63,36,8outubro/9827,116,321,7183,15,4Média (80 anos - outubro )28,915,622,2111,36,9novembro/9830,016,423,2 26,67,8Média (80 anos - novembro)29,616,723,1130,07,4dezembro/9830,019,224,6292,66,1Média (80 anos - dezembro)29,618,123,9200,26,6 janeiro/9931,419,025,2210,87,7Média (80 anos - janeiro)30,018,224,0142,46,8fevereiro/9930,720,025,4198,35,4Média (80 anos - fevereiro)30,219,024,6185,96,5março/9931,419,025,2210,87,7Média (80 anos - março)30,018,224,0142,46,8 Fonte: Arquivos do Departamento de Ciências Exatas - ESALQ/USP (1999). TABELA 2 - Análise química do solo da área experimental antes do início do experimento. pHCaCl 2 M.O.PKCaMgH+AlSBTVg kg -1 mg dm -3 --------------------------------- cmol c dm -3  ---------------------------------%5,437,0990,467,52,63,010,613,678,0  594 Carvalho et al. Scientia Agricola , v.57, n.4, p.591-600, out./dez. 2000 Florescidos =  n o  de perfilhos florescidos (última geração marcada) x 100 n o  de perfilhos totais existentes (gerações marcadas anteriormente) As taxas de aparecimento, mortalidade eflorescimento de cada unidade de amostragem foramsomadas e o total dividido por 2 (dois anéis/unidadeexperimental), obtendo-se a estimativa média para cadaunidade experimental. Foram considerados perfilhosflorescidos apenas aqueles que apresentavam ainflorescência visível. Calibração: Altura x Massa Uma vez ao mês foi elaborada uma equação decalibração entre altura e massa de forragem, com afinalidade de relacionar a altura média do pasto com amassa de forragem existente na pastagem bem como parao cálculo do acúmulo de matéria seca. Para estacalibração foram escolhidos dois pontos de cada unidadeexperimental, sendo estes correspondentes àqueles demaior e menor altura, afim de se obter as maioresamplitudes possíveis de alturas. As medidas com régua eprato ascendente foram tomadas dentro de um círculo com0,25 m 2 de área, alocado em cada ponto previamenteescolhido. Em seguida a forragem era cortada ao nível dosolo, lavada para eliminação de resíduos de terra e fezes,seca em estufa a 65°C até massa constante e pesada. Após determinada a massa seca, estabeleceu-se, por meiode regressão linear, a relação entre altura e massa deforragem para cada mês. A partir da obtenção dasequações de calibração foi possível calcular asmassas de forragem presentes em cada mês de avaliaçãobem como o acúmulo de forragem de forma indireta,utilizando-se somente a altura da régua ou do pratoascendente. Acúmulo de forragem O acúmulo de forragem foi medido utilizando-se3 gaiolas de exclusão por parcela, compreendendo umaárea de aproximadamente 0,49 m 2  (70 cm x 70 cm) x 70de altura cada e observando-se um intervalo de 21dias entre amostragens sucessivas. Após aamostragem as gaiolas eram rotacionadas nas unidadesexperimentais e fixadas em novos pontos representativosda condição (altura média) das mesmas no momento dorodízio.O acúmulo de forragem foi estimado utilizando-seo método agronômico da diferença, conforme a equação(Davies et al., 1993): AF = MFf – MFi, onde: AF = acúmulo de forragem;MFf = massa média de forragem sob a gaiola, no últimodia da exclusão (dia 21);MFi = média da massa de forragem na unidadeexperimental no dia da colocação das gaiolas (dia 0). Análise estatística Os dados foram analisados utilizando-se oprocedimento GLM ( General Linear Models ) do pacoteestatístico SAS (Statistical Analysis System), versão 6.12para Windows. Dentro deste procedimento, optou-se pelosub-procedimento de medidas repetidas no tempo(Repeated Measures), uma vez que todas as variáveis emestudo foram coletadas ao longo de oito meses (SASInstitute, 1988). Desta forma foi possível detectar-se osefeitos das causas de variação principais (bloco, altura),as interações entre elas (bloco x altura), além dos efeitosde tempo dentro de cada uma das causas de variaçãoprincipais (tempo, tempo x bloco, tempo x altura).Todos os conjuntos de dados foram testados,antes da análise geral global , com a finalidade deassegurar que as quatro prerrogativas básicas da análisede variância (aditividade do modelo, independência doserros, normalidade dos dados e homogeneidade dasvariâncias) estavam sendo respeitadas. Utilizou-se o“LSMEANS” para comparação de médias entretratamentos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram observados efeitos de data e/ou período deamostragem e altura de pastejo (P<0,10) para densidadepopulacional, aparecimento e mortalidade de perfilhos.Uma vez que florescimento ocorreu somente para umadata de amostragem, não foram realizadas análisesestatísticas para esta variável. Para o acúmulo de forragemtambém foi observado efeito de data de avaliação(P<0,10), porém não foi observado efeito de altura dopasto (P>0,10). Tifton 85 praticamente não apresentouincidência de perfilhos com inflorescência visível do finaldo inverno ao final do verão (agosto a março). Taxas de aparecimento de perfilhos  Analisando a distribuição das taxas deaparecimento durante o período experimental verifica-seque os maiores valores (apesar de não ter sido detectadodiferenca estatística) foram observados durante a estaçãodo verão (P6 e P7), com uma média de 59%, seguido pelofinal do inverno (P1 e P2), com taxa média de 46%.Durante a primavera (P3, P4 e P5) a taxa média foi de38%. As menores taxas foram observadas ao início e finalda primavera (P3 e P5) (TABELA 3).Não foram observadas diferenças (P>0,10) nastaxas de aparecimento para as intensidade de pastejotestadas, exceto para o P5 (TABELA 3). Umcomportamento semelhante foi descrito por L’Huillier (1987), que também não observou diferenças nas taxasde aparecimento de perfilhos em relação às intensidadesde pastejo testadas. Isto pode ser devido à atividade deperfilhamento ser compreendida como uma resposta amudanças em temperatura (Mitchell, 1953) e regimes deluz (Mitchell, 1953), além de ser controlado pela taxa deaparecimento de folhas (Davies & Thomas, 1983), que é  595 Perfilhamento em capim 'Tifton 85' Scientia Agricola , v.57, n.4, p.591-600, out./dez. 2000 insensível à desfolha (Anslow, 1966). Outra possibilidadeseria a grande variabilidade inerente a esse tipo deavaliação (TABELA 3) (Davies, 1981). Houve umatendência de maiores taxas de aparecimento nos pastosmantidos baixos (5 vs. 20 cm). Taxas de mortalidade  As maiores taxas de mortalidade se concentraramdurante o verão apresentando uma taxa média de 45%,38% na primavera e 24% no final do inverno, com o valor mais alto (47%) ao final da primavera (P5) (TABELA 4). As maiores taxas de mortalidade observadas durante overão são coincidentes com maiores taxas deaparecimento na mesma época (TABELA 3),demonstrando uma alta renovação da população srcinal.Durante a primavera, as taxas de mortalidade eaparecimento mantiveram-se semelhantes, determinando,dessa forma, a manutenção das densidades populacionaisde perfilhos durante a estação. Já no período final doinverno ocorreu novamente um alta renovação, onde astaxas de aparecimento foram superiores às de mortalidade,revelando uma elevação das densidades populacionais deperfilhos durante aquele período. Estes resultadoscorroboram aqueles encontrados por Korte (1986), ondeo autor verificou as maiores taxas de mortalidade duranteo verão e as menores durante o inverno, sendo estepadrão de comportamento atribuído à inexistência detranslocação de reservas dos perfilhos mais velhos paraos mais jovens e pequenos (mais sombreados) durante overão. De forma geral espera-se que as maiores taxas demortalidade sejam compensadas por maiores taxas deaparecimento, pois a manutenção da densidadepopulacional de perfilhos é o resultado líquido do balançoentre estas taxas em um dado ambiente e condição demanejo da pastagem (Hodgson, 1990; Da Silva & Pedreira,1997, Matthew et al., 1999). TABELA 4 - Mortalidade de perfilhos em pastagens de Tifton 85 de acordo com as alturas de pastejo e épocas do ano. EPM - Erro Padrão da Média.Médias na mesma linha seguidas da mesma letra não diferem a (P>0,10).P1 = 18/08 a 15/09/98; P2 = 15/09 a 16/10/98; P3 = 16/10 a 13/11/98; P4 = 13/11 a 08/12/98;P5 = 08/12/98 a 11/01/99; P6 = 11/01 a 03/02/99; P7 = 03/02 a 08/03/99.* I = Inverno, P= Primavera, V= Verão TABELA 3 - Taxa de aparecimento de perfilhos em pastagens de Tifton 85 de acordo com as alturas de pastejo e épocas do ano. EPM - Erro Padrão da Média.Médias na mesma linha seguidas da mesma letra não diferem a (P>0,10 ).P1 = 18/08 a 15/09/98; P2 = 15/09 a 16/10/98; P3 = 16/10 a 13/11/98; P4 = 13/11 a 08/12/98;P5 = 08/12/98 a 11/01/99; P6 = 11/01 a 03/02/99; P7 = 03/02 a 08/03/99.* I = Inverno, P= Primavera, V= Verão Época Alturas de Pastejo (cm)MédiasEPMMédias por estação*5101520--------------------------------------- % ----------------------------------------------------------- % -----------P138,0 a50,8 a43,7 a35,3 a42,012,1I46,2P261,3 a43,8 a55,4 a41,2 a50,413,3P339,4 a33,5 a36,3 a38,5 a36,98,2P37,6P466,8 a38,7 a29,8 a40,9 a44,118,5P544,9 a31,5 a26,7 a24,5 b31,97,3P657,9 a55,3 a39,1 a34,3 a46,712,6V59,3P767,5 a60,9 a99,0 a59,9 a71,815,3Média53,744,947,139,2 Época Alturas de Pastejo (cm)MédiasEPMMédias por estação*5101520----------------------------------------- % ------------------------------------------------------------- % -------------P128,8 a37,4 a 26,0 ab17,1 b27,34,4I23,7P223,8 a20,3 a17,1 a18,9 a20,02,7P354,9 a32,1 b25,1 b26,3 b34,66,0P38,0P437,8 a31,3 a30,4 a28,3 a32,05,3P555,5 a 50,3 ab 47,3 ab36,4 b47,45,9P657,3 a41,7 b44,4 b39,5 b45,74,8V44,8P760,7 a45,2 b30,0 b39,3 b43,85,6Média45,536,931,529,4
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