Classificação dos Salmos por Hermann Gunkel

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  Classificação dos Salmos por Hermann Gunkel
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  ! Uma Classificação dos Salmos Baseado na Crítica da Forma de Acordo com Hermann Gunkel. 1   Tyler F. Williams , Outubro de 2006 Chefe do Departamento de Religião e Teologia, e professor do Antigo Testamento em Taylor University College, Edmonton, Alberta, Canada. Tradução:  Bio Nascimento , 2009 AD Introdução O trabalho pioneiro da crítica da forma de Herman Gunkel buscou prover um contexto novo e significante na qual se podem interpretar os salmos; não por considerar o seu contexto literário dentro dos Saltérios, o qual ele não via como significante, mas por juntar salmos do mesmo gênero ( Gattung  ) através de todo o livro de Salmos. De acordo com Gunkel, para o salmo ser considerado parte de um mesmo gênero ( Gattung  ), três condições devem ser cumpridas: (1)   Os salmos tinham que ter um contexto de vida semelhante (Sitz im Leben ), base na adoração, um contexto de culto comum, ou que pelo menos srcinalmente deriva-se de um [mesmo contexto]; (2)   Os salmos tinham que ser caracterizados por pensamentos, sentimentos, e disposição em comum; (3)   Os salmos exigiam que tivessem uma dicção, estilo e estrutura compartilhados, isto é, uma linguagem relacionada à forma (  Formensprache ). A última característica provê os sinais de um gênero em particular. Trabalhando com estes critérios, Gunkel isolou um número de gêneros diferentes ou tipos de salmos. No seu  primeiro trabalho ele destacou quatro tipos primários de salmos (hinos, lamentos comunitários, salmos de ação de graças individuais, e lamentos individuais), com várias subcategorias, assim como várias formas mistas. Em seu trabalho posterior, completado por Joachim Begrich, ele identificou seis principais tipos de salmos (hinos, salmos de entronamento, queixas coletivas, salmos reais, queixas individuais, e salmos de ação de graças individuais), e um número de gêneros menores e tipos mistos. (...) Note que alguns salmos são encontrados em mais de uma categoria. I.   Hinos a.   Hinos em Geral Salmos 8; 19; 29; 33; 65; 67; 68; 96; 98; 100; 103; 104; 105; 111; 113; 114; 117; 135; 136; 139; 145-150.  Forma  i.   Introdução: um convite ao louvor, canção, e alegria a Yahweh, de alguma forma ii.   Corpo: as razões pelas quais Yahweh deve ser louvado: 1.   Suas qualidades e atributos. 2.   Suas ações regulares ou repetidas, inclusive sua obra na criação e na conservação do cosmos, e seu trabalho na história, especialmente de Israel. 1  Este texto foi traduzido por Bio Nascimento. É um trabalho preparado por Tyler F. Williams (10/2006). Sua principal fonte foi Hermann Gunkel, The Psalms: A Form-Critical Introduction (Fortress Press, 1967; tradução de  Die Religion in Geschichte und Gegenwart [2nd ed; J.C.B. Mohr (Paul Siebeck), 1930); e Hermann Gunkel (completado por Joachim Begrich),  Introduction to Psalms: The Genres of the Religious Lyric of  Israel (Mercer University Press, 1998; tradução de  Einleitung in die Psalmen: die Gattungen der religiösen Lyrik Israels [Vandenhoeck & Ruprecht, 1985, 1933]).    # iii.   Conclusão: convite renovado ao louvor. Sitz in Leben  Hinos eram cantados como parte da adoração em diversas ocasiões, inclusive festivais sagrados, assim como em outros momentos, talvez por um coral ou um cantor individual. b.   Canções de Sião Salmos 46; 48; 76; 84; 87; 122. Estes salmos tendem a faltar uma determinada introdução. Eles louvam Yahweh, louvando Jerusalém, dirigindo-se ao lugar santo, e invocando bênçãos sobre ele. Eles eram cantados em ocasiões particulares que celebravam a majestade de Jerusalém e o seu significado escatológico futuro. c.   Salmos de Entronamento de Yahweh Salmos 47; 93; 96:10-13; 97; 99.  Forma (1)   Geralmente começa com as palavras !"#   $%$&  “Yahweh se tornou rei”, “Yahweh reina”. (2)   Contem muitas chamadas para regozijar-se; (3)   Breves referências aos feitos de Yahweh, descritos como se tivessem acontecidos agora; (4)   Dá descrições do que seu reino será para Israel e para o mundo; (5)   Apresenta a idéia de que um novo reino mundial está vindo. Sitz im Leben Estes salmos foram usados como parte da adoração de Israel, possivelmente incluindo uma festa de entronamento, na qual Yahweh é glorificado como rei. Estes salmos tiveram uma reinterpretação profética, escatológica em seus estágios finais. II.   Salmos de Lamento/Reclamação a.   Salmos de Reclamação Comunitária Salmos 44; (58); (60); 74; 79; 80; 83; (106); (125).  Forma (1)   Chamando a Yahweh por nome, geralmente no vocativo; (2)   Lamentando reclamações sobre infortúnios; quase sempre de natureza política; (3)   Súplicas e petições a Yahweh para transformar os infortúnios; (4)   Pensamentos voltados para exercitar confiança no suplicante e mobilizar Yahweh à ação, tais como sua honra ou por amor ao seu nome; (5)   Geralmente terminar com a certeza de ser escutado. Sitz im Leben O contexto destes salmos são dias de jejum nacional e/ou festivais de lamento conclamados  por várias calamidades nacionais, tais como guerra, exílio, pestilência, seca, fome, e pragas. b.   Salmos de Reclamação Individual Salmos 3; 5; 6; 7; 13; 17; 22; 25; 26; 27:7-14; 28; 31; 35; 38; 39; 42-43; 54-57; 59; 61; 63; 64; 69; 70; 71; 86; 88; 102; 109; 120; 130; 140; 141; 142; 143.  $  Forma Os lamentos tipicamente incluirão os seguintes elementos, embora não necessariamente na mesma ordem. (1)   Convocação para Yahweh. (2)   O lamento/reclamação em si, geralmente precedido por uma descrição da oração. (3)   Considerações induzindo Yahweh a intervir, quer por desafiar a honra de Yahweh, por desafiar a sua ira citando as palavras dos inimigos, ou pela natureza da reclamação em si. (4)   Petição/Deprecação. Esta a parte mais significante do salmo de reclamação. Pode ser de natureza geral ou pode ser bem específico (petições confessionais, petições de inocência, etc.). (5)   Convicção de ser ouvido (presente apenas em alguns salmos) e/ou um voto. Sitz im Leben O contexto de vida é difícil de determinar devido o caráter formulativo da linguagem nos lamentos. Originalmente deriva-se de um culto de adoração e então mais tarde foi usado como cânticos espirituais de indivíduos. Estes salmos surgiram de situações de aparente risco de vida mais do que de situações do dia a dia; tais situações podem incluir doença, infortúnio,  perseguição por inimigos. De qualquer modo o leitor precisa ser cuidadoso ao tomar estas figuras muito literalmente. c.   Salmos Protestando Inocência Salmos 5; 7; 17; 26. Estes salmos têm uma reforçada segurança de inocência, e mesmo que em alguns casos seja qualificado como auto-culpa. d.   Salmos de Confissão Salmos 51 e 130 (salmos expressando penitência nacional incluem Salmo 78; 81; 106; veja Esdras 9.9-15; Ne 9.9-38; Dn 9.4-19). Estes salmos são caracterizados por uma consciência dolorida de ter pecado contra Yahweh e merecendo assim punição. Nestas condições eles  pedem perdão e apelam para a graça de Deus. e.   Salmos de Maldição e Vingança Salmo 109, entre outros. Estes salmos lutam por retaliação contra os inimigos. f.   Salmos de Confiança Salmos 4; 11; 16; 23; 27:1-6; 62; 131 (Salmo 125 é um salmo de confiança nacional). (1)   Estes salmos reformulam os salmos de lamento e mudam seu foco para uma expressão de crença e confiança, tanto que freqüentemente a reclamação, a petição, e a certeza de ser ouvido desaparecem. (2)   Estes geralmente falam de Yahweh na terceira pessoa. III.   Salmos Reais Salmos 2; 18; 20; 21; 45; 72; 101; 110; 132; 144:1-11; veja 89:47-52.  Forma Salmos Reais formalmente são de tipos diferentes, embora em todos os casos eles estejam “preocupados inteiramente com os reis.” Alguns dos seus elementos distintivos incluem: (1)   Louvores ao rei. (2)   Afirmações do favor de Yahweh pelo rei. (3)   Orações pelo rei (ou suas próprias orações) e oráculos reais. (4)   Descrições da retidão e piedade do rei.  % Sitz im Leben  Estes salmos eram executados em algum tipo de festividade da corte, onde eram executados na  presença do rei e seus dignitários. Ocasiões específicas podem festivais de entronização ou ascensão, aniversários de casamento, vitória sobre um inimigo, cura de uma doença, entre outros. IV.   Salmos de Ações de Graça a.   Ações de Graça de um Indivíduo Salmos 18; 30; 32; 34; 40:2-12; 41; 66:1-7; 92; (100); (107); 116; 118; 138.  Forma  (1)   Uma introdução maior, declarando a intenção de agradecer a Deus. (2)    Narração da dificuldade, geralmente para os convidados da celebração. O salmista geralmente reconta: a.   Sua dificuldade (neste sentido eles se assemelham aos lamentos).  b.   Sua invocação a Deus. c.   Seu livramento. (3)   Reconhecimento do livramento de Yahweh, freqüentemente direcionado a outros. (4)   Em muitos casos o salmo termina com um anúncio de ações de graça. Sitz im Leben  Já que a palavra geralmente traduzida “ações de graça” é a mesma palavra para “agradecimento” ( $'%(   todah , e.g.: Sl 50.14, 23; Jonas 2.9), fica claro que estes salmos tinham a intenção de serem usados num contexto cúltico. Pensa-se que o indivíduo, na presença da congregação em adoração (e.g. Sl 22.22; 26.12) testemunharia pessoalmente dos atos salvadores de Deus, acompanhados de um ritual e uma refeição. Eventualmente, estes salmos foram liberados do contexto de sacrifício. b.   Ações de Graça da Comunidade Salmos 66.8-12; 67; 124; 129. Estes salmos estão paralelos em forma aos salmos de ações de graça individuais. O contexto situacional era possivelmente uma celebração cúltica em lembrança da ajuda de Deus e sua intervenção. V.   Salmos Sapienciais Salmos 1; 37; 49; 73; 91; 112; 127; 128; 133. Enquanto há elementos sapienciais encontrados em salmos de uma variedade de gêneros, há salmos que exibem uma concentração de temas sapienciais para serem considerados de um tipo distinto. Como tal, estes salmos não exibem um  padrão singular único, mas compartilham de um número de características, incluindo: (1)   O salmista fala de suas palavras como sabedoria, instrução, etc. (2)   Ele descreve o “temor de Yahweh”. (3)   Ele aborda seus ouvintes como “filhos”. (4)   Ele adverte, ensina, e usa figuras, técnicas de pergunta e resposta, bem-aventuranças, descrições dos caminhos de Yahweh.  & VI.   Gêneros Menores e Tipos Mistos a.   Salmos de Peregrinação Apenas um exemplo completo restou, Salmo 122. Estes salmos eram usados no começo de uma peregrinação, assim como quando o peregrino alcançava o seu/sua destino. b.   Salmos Usando Antigas Estórias (ou Lendas) de Israel Salmos 78; 105; 106. Estes salmos estão inclusos dentro de outros tipos literários (e.g., Salmo 105 é um hino), mas pode ser agrupado junto, porque compartilham certo número de características): (1)   A narração dos feitos de Yahweh e/ou dos pecados de Israel (da sua  Heilsgeschichte ). (2)   A exortação como em Deuteronômio. c.   Salmos Litúrgicos Salmos 15; 20; 24; 14/53; 66; 81; 82; 85; 95; 107; 115; 118; 121; 126; 132; 134. Estes salmos são caracterizados pela estrutura antífona, particularmente adequados para cultos coorporativos. d.   Miscelânea Salmos 36; 50; 52; 75; 82; 108. e.   Salmos Mistos Salmos 9-10; 12; 77; 90; 94; 119; 123; 137.
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