X Seminário ALAIC 2019
 
Diálogos desde el sur: comunicación + comunidad + alternatividad
24 e 25 de outubro de 2019 - Universidade Federal Fluminense (UFF)
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Tabus maternos: representações e debates em mídias sociais brasileiras
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Ana Luiza de Figueiredo Souza
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Universidade Federal Fluminense
Resumo
 Nas discussões
online
 sobre a maternidade que vêm crescendo no Brasil, é comum a aparição de termos como
“tabu”
 ou
“quebra
 de
tabu”
 quanto a ela. Apesar da frequência com que são acionados, nem sempre correspondem ao que se empreende nos debates. Descrever os aspectos ruins da maternidade, embora represente uma ruptura com práticas maternas hegemônicas
(O’REILLY,
 2010), sobretudo quanto a sua abordagem nas mídias massivas (FISCHER, 2001; TOMAZ, 2016), não constitui exatamente um tabu. Aproxima-se de uma nova forma de abordá-la, demandada por boa  parte das mães. Contudo, afirmar que a maternidade não vale a pena, que foi um erro ou que não se ama os filhos já ultrapassa a tolerância mais flexível que o trato da maternidade adquiriu nos últimos anos. Pôr em xeque as recompensas (pessoais, afetivas, sociais ou mesmo políticas) da maternidade e o afeto maternal configurariam, assim, tabus maternos contemporâneos. Tais conclusões derivam de dissertação de mestrado acerca de narrativas pessoais de mulheres sobre a maternidade nas  plataformas em que são mais abundantes, as mídias sociais (FIGUEIREDO SOUZA, 2019). O  presente trabalho explora formas como os tabus maternos são retratados nessas mesmas mídias, tanto no âmbito de produção desses conteúdos quanto no de sua recepção por parte do público feminino. Mães arrependidas. Mulheres
childfree
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que não gostam de crianças. Mães abusivas. Mulheres que argumentam que a maternidade tem mais sacrifícios do que benefícios. Mães que entregam o filho  para o pai, os avós ou a adoção. Mães de pet. Como essas mulheres são retratadas e se manifestam nas mídias sociais? Por meio de uma análise exploratória, são apresentados exemplos representativos do cenário de abordagem de tabus maternos na cultura digital. O objetivo é identificar, nas mídias sociais, os principais modos de produção e recepção de conteúdo a eles relacionado, bem como os eixos discursivos que mobilizam. Conclui-se que há pouca utilização dessas plataformas para discutir tabus maternos, reproduzindo no ambiente virtual convenções da vida cotidiana (MILLER, 2011). As discussões que não se srcinam em perfis pessoais costumam ser geradas pela postagem de matérias sobre tabus maternos em
 fanpages
 de veículos midiáticos ou por
 posts
 em páginas, canais, grupos e contas voltados para debates sobre a maternidade e a não maternidade. No âmbito da recepção, há mais conflitos quando as respostas apresentam vozes dissonantes (FIGUEIREDO SOUZA, 2019). Os tabus maternos são majoritariamente tratados na esfera individual, refletindo uma ideologia individualista (CASTELLANO, 2018). Existem, porém, discussões que os abordam enquanto consequências da marginalização sofrida por mulheres que não contemplam os ideais
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 Trabalho apresentado no GI 5 - Gênero e Vulnerabilidade na Mídia Latino-Americana do X Seminário ALAIC 2019, de 24 e 25 de outubro de 2019, na Universidade Federal Fluminense, Niterói-RJ.
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 Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF. Bacharela em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela UFRJ. Integra o grupo de pesquisa em Mídias Digitais, Identidade e Comunicação, MiDICom (CNPq/UFF). E-mail: analuiza.dfigueiredo@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1368-3184. 
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 Pessoa que não tem ou não deseja ter filhos, por opção; movimento que defende a possibilidade de escolher não ter filhos; estilo de vida sem filhos.
 
 
X Seminário ALAIC 2019
 
Diálogos desde el sur: comunicación + comunidad + alternatividad
24 e 25 de outubro de 2019 - Universidade Federal Fluminense (UFF)
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hegemônicos de feminilidade e/ou maternidade (DONATH, 2017; BADINTER, 2011; MERUANE, 2018). Ao se apropriarem das mídias sociais para abordar tabus maternos, encarando-os como integrantes de pautas coletivas (CHAGAS, 2019), as mulheres revelam o potencial que essas  plataformas possuem para ressignificá-los. Potência que tende a ser mais explorada no Brasil nos  próximos anos.
Palavras-chave
Maternidade; tabus maternos; mídias sociais; Brasil.
Referências bibliográficas
BADINTER, Elisabeth.
O conflito
:
 
a mulher e a mãe. Rio de Janeiro: Record, 2011.
 
CASTELLANO, Mayka.
Vencedores e Fracassados
: O Imperativo do Sucesso na Cultura da Autoajuda. Curitiba: Appris, 2018. CHAGAS, Viktor. Digerindo o indigesto: a escatologia política do Vomitaço.
Galáxia (online
)
 ,
n. 40, jan./abr., p. 41-56, 2019. DONATH, Orna.
 Mães Arrependidas
: uma outra visão da maternidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. FIGUEIREDO SOUZA, Ana Luiza de.
“Me
 deixem decidir se quero ou não ser
mãe!”
: narrativas  pessoais de mulheres sobre a maternidade nas mídias sociais. Dissertação (Mestrado em Comunicação)
 – 
 Universidade Federal Fluminense, Niterói-RJ, 2019. FISCHER, Rosa Maria Bueno. Mídia e educação da mulher: uma discussão teórica sobre os modos de enunciar o feminino na TV.
 Estudos feministas
, v. 9, n. 2, p. 586-599, 2001. MILLER, Daniel.
Tales from Facebook 
. Cambridge/Malden: Polity Press, 2011. MERUANE, Lina.
Contra os filhos
: Uma diatribe. São Paulo: Todavia, 2018.
 
O’REILLY,
 Andrea. Outlaw(ing) Motherhood: A Theory and Politic of Maternal Empowerment for the Twenty-First Century. In: ___. (Org.).
Twenty-first Century Motherhood 
: Experience, Identity, Policy, Agency. New York: Columbia University Press, 2010. p. 366-380. TOMAZ, Renata. Vendem-se conselhos: poder pastoral, mídia e maternidade.
 Rizoma
, v. 4, n. 1, p. 196-207, 2016.
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