UM OLHAR GEOGRÁFICO PARA O FILME HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS

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  Ficha técnica: Título: Histórias que só existem quando lembradas Ano: 2011 Duração: 98 minutos-longa metragem Direção: Júlia Murat Elenco: Sonia Guedes, Lisa E. Favero, Luiz Serra mais Gênero: Drama Nacionalidades: Argentina, França, Brasil Sinopse:
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  UM OLHAR GEOGRÁFICO PARA O FILME “HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS”    Amarolina Ribeiro Ficha   técnica : Título : Histórias que só existem quando lembradas Ano : 2011 Duração : 98 minutos  –  longa metragem Direção : Júlia Murat Elenco : Sonia Guedes, Lisa E. Favero, Luiz Serra mais Gênero : Drama Nacionalidades : Argentina, França, Brasil Sinopse : O filme conta a história de uma comunidade ficcional do Vale do Paraíba no estado do Rio de Janeiro. A localidade margeia uma ferrovia há anos desativada, um lugar remoto que não conta com luz elétrica, e que os habitantes possuem uma rotina rígida e repetitiva. Há apenas, pouco mais de uma dezena de idosos moradores, entre eles, um padre, uma padeira e um comerciante do único estabelecimento comercial do lugarejo: um armazém, com pouco a ser vendido. Um dia chega à vila uma jovem fotógrafa mochileira errante. Rita. A partir de então, as relações entre os moradores e em especial da padeira Madalena com a visitante, passam a ser analisadas e realizadas por novas perspectivas. A fotografia do filme é um elemento crucial para a construção da narrativa e dá um significado particular ao enredo.    A começar pela beleza do título, o longa-metragem é um chamamento à reflexão sobre as permanências e transitoriedades da vida. O tempo neste filme é o protagonista. É ao mesmo tempo um personagem e o caminho. A cidade fictícia de Jotuomba, que pela narrativa pode estar em qualquer lugar do globo, parece ter interrompido o curso do tempo. Acertadamente, a estratégia de privilegiar a repetição de situações do cotidiano dos idosos do vilarejo, consegue conduzir o observador a uma atmosfera de rotineira passividade e constância.  A paisagem constituída por casas antigas, algumas em ruínas, além dos trilhos tomados pelo mato, contribuem para a constituição de um cenário do cotidiano e do aprisionamento do tempo. A padeira viúva Madalena, faz todos os dias o pão e o leva para ser vendido no armazém de Antônio. Todos os dias têm o mesmo diálogo com pequenas variações. Se conhecem há quarenta anos, e partilham uma  rotina de cumplicidade em que é possível perceber que a memória é mais importante que as atividades de um cotidiano enferrujado. Na película, a realizadora opta por promover um enfrentamento, com a inserção de uma personagem jovem. Esta moça, caminhante, chega ao vilarejo para passar alguns dias. Só a presença desta figura que destoa dos demais moradores, já provoca novos olhares e pensamentos por parte dos nativos do lugar.  Ao ensinar a jovem Rita a manejar a massa do pão, a idosa Madalena solta a frase: “É preciso sentir o tempo da massa com a mão ”. O tempo, enclausurado até então, no espaço do vilarejo. Com a presença exótica, passa a produzir um novo espaço. O espaço da contradição, do confronto entre o espaço material e o espaço simbólico. Em uma das “histórias contadas” no longa, o idoso comerciante  Antônio recorda de uma namorada que morreu aos 18 anos. Demonstra a satisfação de por conta do falecimento precoce, ele poder hoje se lembrar do antigo amor, com a aparência de seus 18 anos, e não de uma velha da idade dele. Esta e outras histórias contadas pelos personagens, se mesclam com as imagens captadas por Rita. Que utiliza equipamentos fotográficos modernos e também primitivos, arcaicos. As histórias descrevem as imagens e as fotografias ilustram as histórias e memórias afetivas. O embate entre o costume, o habitual e a novidade é que dá a tônica à história. Em enquadramentos em que se opõem o lampião e iPod, se encontram Rita e Madalena caminhando no trilho abandonado. A estrangeira e a nativa, contrastam e se completam nas temporalidades antagônicas. O bucolismo e as singularidades do lugar encantam as lentes e os olhos de Rita ao mesmo tempo que a simples presença do ícone da juventude, faz com que Madalena encare novamente a sua própria imagem. Ao constatar pelas linhas de expressão a sua própria velhice, Madalena entende que quer morrer. Em um lugar onde ninguém morre. No espaço das abalroadas temporalidades, há agora novas dinâmicas de convivência e de questionamentos. Espaço em que se examina a noção de progresso e atraso. O que é progredir? Há necessidade de uma materialização do progresso? O novo é a representação do progresso? Progredir rumo a que cenário? Não há respostas a essas questões. Ao contrário, novas perguntas são somadas a essas e outras indagações, impulsionadas pelo enredo do filme.   A fotografia utilizada como personagem e linguagem ilustra a relação intrínseca dos moradores do vilarejo com o seu espaço de vivência. A ideia de um progresso relacionado ao desenvolvimento tecnológico ou econômico é questionada pela visão da jovem Rita. Em um dado momento a questão seguinte é lançada no diálogo: “  A que lugar você pertence? ”, indagação essa q ue apanham os personagens e o expectador. A relação de pertencimento é colocada em xeque. Podem participar deste debate intelectivo as variáveis afetivas, de natalidade e de identificação. No entanto, no longa, os espaços físicos, materializados na Igreja, no caminho dos trilhos, no cemitério proibido, no lugar das refeições coletivas ganham ares de lugar   e também de território. Em especial o cemitério lacrado por Deus. É território do poder exercido pelo fantasmagórico. Quando Madalena entrega a chave do cemitério à Rita, e assim desautoriza Deus, a jovem abre o mundo da morte a quem quer morrer. Agora o cemitério é território da morte. Madalena pode deixar a rotina, o cotidiano do tempo aprisionado, estático. Sua partida, no entanto, inaugura uma nova indagação:  _  Quem vai fazer o pão agora?
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