Práticas leitoras no ensino de línguas uma abordagem metodológica PIBID UFS

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  Despite a settled tradition in the theoretical field that opposes reading as a decoding activity, the presence of this authoritarian conception is still strong in the basic education. The necessity of reading practices’ transformation in school
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    II SIHELE  –  Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita “Métodos e material didático na história da alfabetização, da leitura e da escrita no Brasil”   11 e 12 de julho de 2013  –   Belo Horizonte-MG Entidade promotora: ABALF  –   Associação Brasileira de Alfabetização PRÁTICAS LEITORAS   NO ENSINO DE LÍNGUAS: UMA ABORDAGEM METODOLÓGICA DO PIBID/UFS Flávio Soares Bezerra Letras Inglês  –   UFS  –   Sergipe, Brasil. flay.1@hotmail.com Bolsista PIBID  –   Universidade Federal de Sergipe, Brasil Eixo 3  –   Métodos e material didático para o ensino de leitura e escrita, ações do estado e movimento editorial Resumo A despeito de uma já estabelecida tradição no campo teórico contrária à leitura como decodificação, ainda é forte a presença dessa concepção autoritária no Ensino Básico. A necessidade de transformação das práticas leitoras na escola conduz à rediscussão do  papel da leitura como prática social. O estudo resulta das ações do subprojeto de línguas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID) da Universidade Federal de Sergipe. Palavras-chave : práticas leitoras, ensino de línguas; letramento crítico. Abstract Despite a settled tradition in the theoretical field that opposes reading as a decoding activity, the presence of this authoritarian conception is still strong in the basic education. The necessity of reading practices ’ transformation  in school reopens the discussion about the role of reading as a social practice. The research results of actions from the languages subproject of the Institutional Docent Initiation Scholarship Program (PIBID) from the Federal University of Sergipe. Key-words : reading practices; language teaching; critical literacy.    II SIHELE  –  Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita “Métodos e material didático na história da alfabetização, da leitura e da escrita no Brasil”   11 e 12 de julho de 2013  –   Belo Horizonte-MG Entidade promotora: ABALF  –   Associação Brasileira de Alfabetização Este texto resulta das ações e faz referência direta ao subprojeto de línguas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID) da Universidade Federal de Sergipe, que tem como objetivo analisar as práticas leitoras que estão sendo conduzidas em algumas escolas públicas da cidade de Aracaju, por docentes de língua inglesa, mas com correspondências ao ensino de línguas em geral. Tal subprojeto surgiu da necessidade de disseminação de práticas leitoras que venham a agir de maneira  positiva dentro e fora do âmbito escolar, uma vez que busca preparar os alunos-bolsistas (professores pré-serviço) para sua futura atuação profissional, por meio da reflexão sobre tais práticas e sobre sua possível transformação. O subprojeto objetivou, a partir do resgate de vivências pessoais de licenciandos em Letras, de leitura analítica de textos teóricos, pragmáticos e/ou metodológicos sobre a prática da leitura, bem como da criação de oportunidades de inserção concreta no ambiente escolar, investir na formação do docente na área de Línguas para o trabalho com práticas leitoras no ensino médio. Como objetivos específicos, foram propostas ações no sentido de: sistematizar habilidades operacionais e competências diversas relacionadas à prática da leitura, conforme descrita em  bibliografia específica; sinalizar possibilidades de pesquisas e estudos de caso referentes ao tema da leitura e sua aplicabilidade em distintas áreas do conhecimento, com ênfase nas licenciaturas do curso de Letras; tomar parte em etapas concretas do projeto  político-pedagógico de escola pública, em aula de línguas, com vistas à análise de  propostas de ensino, promoção e divulgação de práticas leitoras, segundo eficácia e viabilidade em seu contexto de aplicação; propor metodologias específicas do trabalho com a leitura junto a grupos docentes e discentes, criando oportunidades para que licenciandos do curso de Letras protagonizem ações de inserção no contexto escolar. Para desenvolver meios de se chegar a esses objetivos, foram necessários estudos sobre a leitura, sua função social e as atuais práticas escolares, de forma a construir uma compreensão mais abrangente sobre todo o processo. A primeira fase das ações do grupo caracteriza-se pela inserção de alunos de graduação em Letras - habilitação Inglês e Português/Inglês - em escolas da rede  pública, seguida da observação e coleta de dados sobre as práticas leitoras em sala de aula. Os dados coletados até o presente ecoam, em linhas gerais, o que a produção científica na área já há algum tempo revela: a leitura não tem o merecido espaço no cotidiano e é ainda utilizada nas escolas de maneira mecânica e descontextualizada.    II SIHELE  –  Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita “Métodos e material didático na história da alfabetização, da leitura e da escrita no Brasil”   11 e 12 de julho de 2013  –   Belo Horizonte-MG Entidade promotora: ABALF  –   Associação Brasileira de Alfabetização O ensino de línguas, fundado no desenvolvimento de competências comunicativas (Perrenoud)  –   verbais, linguísticas, textuais  –   e mobilizando nos discentes suas capacidades de ouvir, falar, ler, escrever em determinado idioma, deve levar em conta práticas leitoras que têm seu início muito antes do contato destes com aspectos normativos relacionados às línguas, mesmo à língua materna. Tais práticas de leitura e produção de textos, iniciando-se na infância e variando de indivíduo para indivíduo, dizem respeito a contextos sócio-culturais contingentes e múltiplos, os quais parecem escapar à escola. As incidências e reincidências desse processo, contudo, permitem agregá-las segundo afinidades, regularidades e padrões. Uma vez que se define como espaço privilegiado para o desenvolvimento de tais níveis de letramento (Soares), a escola deve encontrar estratégias para mapeá-los, articulando leitura escolar à leitura de mundo (Freire).  No ensino da língua materna, não são incomuns na escola práticas leitoras que contribuam, paradoxalmente, para a formação de não-leitores. Desde o primeiro contato com a leitura, os alunos são condicionados a utilizar a leitura como objeto de extração de significados fragmentados por meio de atividades exaustivas e de exercícios que geram desconforto. A construção de sentidos e os significados individuais que cada aluno poderia criar a partir de um texto são ofuscados pela interpretação padrão imposta, seja ela supostamente a do autor do texto, do livro didático ou a do próprio  professor. Kleiman (2004, p. 23) alerta para tais práticas no Ensino Básico, identificando suas limitações, seus riscos, e defendendo ações alternativas que possam transformar o aluno em um leitor. Para a autora , “a  união de todos os aspectos que fazem da atividade escolar uma paródia da leitura encontra-se numa concepção autoritária da leitura, que  parte do pressuposto de que há apenas uma  maneira de abordar o texto, e uma   interpretação a ser alcançada”.  Essa concepção é influente não somente na escola, mas é particularmente ali que é legitimada e passa a permear grande parte das experiências dos alunos, criando  pré-conceitos relacionados à leitura, os quais, por consequência, operam a negação do  prazer que pode ser proporcionado pelo contato com o texto e não instigam no aluno o hábito de ler e entremear-se com as palavras, fazendo com que continue seguindo apenas a interpretação dita correta e veja na leitura uma tarefa mecânica.    II SIHELE  –  Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita “Métodos e material didático na história da alfabetização, da leitura e da escrita no Brasil”   11 e 12 de julho de 2013  –   Belo Horizonte-MG Entidade promotora: ABALF  –   Associação Brasileira de Alfabetização Como coloca Coracini (2002, p. 18), o “ texto constitui, na escola, o lugar instituído do saber e, por isso mesmo, funciona pedagogicamente como objeto onde se inscreve, objetivamente a verdade ” . A idéia que se cristaliza é de que o texto deve ser assimilado pelo aluno, sem que esse introduza um sentido próprio, ou faça uso de seu conhecimento prévio, ou ainda que o texto retenha um sentido o qual o aluno deve alcançar por meio de uma junção de fragmentos, sem a sua reflexão. Sabemos que a responsabilidade do aluno como leitor é criar significados e desenvolvê-los juntamente com suas expectativas, projeções, conclusões e julgamentos. A prática escolar, ao ignorar esse encargo, faz com que a leitura aconteça de forma instrumental. A autoridade do professor, conferida a ele pela instituição, tende a prejudicar o desenvolvimento de boas práticas leitoras durante as aulas de línguas, uma vez que o  professor coloca-se/é colocado como repositório de maior conhecimento da língua para manter essa autoridade: frequentemente apoiado pelo uso do livro didático, assume o  papel de detentor da interpretação correta. O poder do professor em sala de aula impede questionamentos e fecha espaços onde caberiam diálogos e questões que não somente  poderiam aumentar os conhecimentos adquiridos pelos alunos, como também desenvolver seu senso crítico e analítico, ajudando-os a se tornarem leitores de mundos, não apenas de palavras. Essas observações sobre o papel do professor abrem ainda espaço para a questão da má formação do professor-leitor, a qual está fortemente relacionada a fatores contingentes de nossa educação pública, como as condições de trabalho, a infraestrutura  precária, o pouco tempo investido no hábito de ler e na formação contínua, devido à necessidade de busca pelas condições mínimas materiais para sua subsistência. Tornar a leitura uma ação prática requer tempo e disponibilidade, que muitas vezes não fazem  parte das experiências formativas do professor, mesmo já nos cursos de graduação. Esses fatores tendem fortemente a contribuir de forma negativa para a formação do  professor-leitor, o que certamente tem implicações profundas para a formação do aluno-leitor. Diante da necessidade de rever as práticas leitoras escolares e seus métodos atuais, há que se pensar na leitura como prática social, ou seja, como uma atividade que atravessa diferentes espaços socioculturais e que faz parte do dia-a-dia de professores e alunos em diferentes contextos. A leitura não se dá somente em âmbito escolar, e o reconhecimento disso pode fazer grande diferença na formação de leitores hoje em dia,    II SIHELE  –  Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita “Métodos e material didático na história da alfabetização, da leitura e da escrita no Brasil”   11 e 12 de julho de 2013  –   Belo Horizonte-MG Entidade promotora: ABALF  –   Associação Brasileira de Alfabetização  por meio do estabelecimento do diálogo entre a sala de aula e as práticas leitoras que alunos e professores já desenvolvem cotidianamente, inclusive, para a inserção e experimentação em outras práticas leitoras às quais ainda não foram introduzidos. O estímulo a práticas leitoras significativas na escola implica criar um laço forte entre aluno e livro para que se possa descobrir a leitura como fonte de prazer. Logo no parágrafo inicial de suas reflexões e memórias de leitura, Proust (1991, p. 9) registra o alcance desse prazer: “ Talvez não haja na nossa infância dias que tenhamos vivido tão plenamente como aqueles que pensamos ter deixado passar sem vivê-los, aqueles que passamos na companhia de um livro preferido ” . A partir daí, desfilando  profunda reverência e gratidão pelos textos de ficção, o mestre francês constrói um relato apaixonado de ricas experiências vividas no entrecruzamento entre o eu e o outro, o individual e o social, o solitário e o comunal, por meio do diálogo silencioso da leitura. Barthes também mergulha no prazer da leitura, porém avança para a  possibilidade de uma experiência mais abrangente, mais holística, um prazer brutal,  precoce e desafiador, ao que chama de fruição: “O que eu aprecio num relato, não é pois diretamente o seu conteúdo, nem mesmo sua estrutura, mas antes as esfoladuras que imponho ao belo envoltório, corro, salto, ergo a cabeça , torno a mergulhar” (1993, p. 188-19). Claramente para esses autores ler é interagir, construir-se enquanto sujeito num  processo exploratório, questionador e dialógico, não simplesmente decodificar signos e símbolos de forma passiva. Trata-se de uma experiência participativa, de engajamento com o texto, ou melhor, com o mundo por meio do texto, que não é de natureza meramente intelectual, cognitiva ou reflexiva, mas cujo prazer também se inscreve no corpo daquele que lê, impregnado de sensações e emoções, despertado em suas pulsões e desejos. As considerações de Proust e Barthes apontam para a centralidade do leitor no processo de  produção de sentidos, motivo pelo qual, no processo pedagógico, torna-se fundamental levar em conta sua bagagem cultural, seus conhecimentos e vivências prévias, seu horizonte de expectativas. Essa é uma concepção muito mais complexa da leitura, quando comparada àquela concepção autoritária, pois entende que os sentidos estão indelevelmente atravessados pela biografia, psicologia, e ideologia de autores e leitores, consequentemente, são construídos nos indivíduos, na história e na cultura. Como nos lembram os teóricos da Estética da Recepção em seus escritos sobre a literatura e o  prazer estético, a leitura permite ao sujeito experimentar a si mesmo “ na apropriação de
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