Os mais antigos vasos marítimos e sua difusão a partir do estuário do Tejo (Portugal) / The oldest maritime vessels and their diffusion from the estuary of the Tagus (Portugal)

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  L. Salanova (2000 a), taking up the “Classical Theory”, defended the origin of the maritime Beakers in the Tagus estuary, considering that this vase corresponded to the only pure Beaker production, named by her as the standard style. In this context,
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  ESTUDOS ARQUEOLÓGICOSDE OEIRAS  Volume 25 • 2019      2019 CÂMARA MUNICIPAL DE OEIRAS  47 OS MAIS ANTIGOS VASOS MARÍTIMOS E SUA DIFUSÃO  A PARTIR DO ESTUÁRIO DO TEJO (PORTUGAL) THE OLDEST MARITIME VESSELS AND THEIR DIFFUSION  FROM THE ESTUARY OF THE TAGUS (PORTUGAL)  João Luís Cardoso* “Les chrono-typologies de naguère? Laissons-les en paix […] . Mieux vaut envisager un complexe campaniforme aux facettes multiples (“maritime”, “géometrique”, groupes régionaux), agissant dans le cadre de sphères d’influence à la fois personnalisées et interconnectées”   (GUILAINE, 2000)  Abstract  L. Salanova (2000 a), taking up the “Classical Theory”, defended the srcin of the maritime Beakers in the Tagus estuary, considering that this vase corresponded to the only pure Beaker production, named by her as the  standard   style. In this context, the importance of the published radiocarbon dates more recently published becomes evident, as it points to the actual antiquity of this pr oduction.  This is particularly significant in the region in question, concerning the Hut FM of Leceia (CARDOSO, 1997-1998; 2014 a), which results confirm the emergence of the Beaker ceramics in this region around 2750 cal BC, a time when maritime Beakers already coexisted with regional productions. These results, along with the information produced by the DNA analysis carried out at the European level on Beaker populations, have confirmed the direct relation of these populations from their local predecessors (OLALDE et al. , 2018). These are decisive arguments for the srcin of the maritime vessels in the region of the Tagus estuary, which is the most important nucleus, on a European scale. From here, it expanded along the Atlantic coast, becoming an important receiving pole in Brittany, until it assumed residual values in more eastern regions, the Rhine valley and the Netherlands.  Keywords : Bell Beakers, maritime vessels, chronology, srcin, Tagus estuary 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS  A síntese sobre as diversas teorias sobre a srcem e difusão das produções campaniformes apresentada por Richard Harrison na sua obra notável e dificilmente ultrapassável “Bell Beaker Cultures of Spain and Portugal” (1977) ainda não contemplou plenamente o “Dutch Model” (LANTING & VANDER WAALS, 1974), que marcou profundamente a investigação ao longo das décadas de 1980 e de 1990 sobre a génese e difusão das produções campaniformes. Estudos Arqueológicos de Oeiras 25, Oeiras, Câmara Municipal, 2019, p. 47-74 ISSN: 0872-6086 * Universidade Aberta (Lisboa). Centro de Estudos Arqueológicos do Concelho de Oeiras (Câmara Municipal de Oeiras). Investigador Integrado ICArEHB (Universidade do Algarve). cardoso18@netvisao.pt   48 Segundo tal modelo, as primeiras produções de vasos campaniformes, correspondentes ao grupo cordado (AOC), teriam resultado da evolução das cerâmicas cordadas holandesas. Esta perspectiva foi rejeitada por L. Salanova (SALANOVA, 2000 a: 16).Com efeito, as datas de radiocarbono entretanto obtidas vieram demonstrar serem os campaniformes cordados mais modernos naquela região que os mais antigos marítimos ibéricos. A efectiva maior antiguidade destes encontra-se confirmada na actualidade, reforçando a “teoria clássica”, que desde o início do século XX, e por via de diferentes investigadores se vinha coerentemente afirmando. De facto, pouco depois, verificou-se ser impossível de comprovar, com base na revisão das datas de radiocarbono disponíveis, a filiação das produções campaniformes nas cerâmicas cordadas (BECKERMAN, 2011-2012).Desde inícios do século XX diversos autores faziam situar na Península Ibérica a srcem daquelas produções. Schmidt, em 1913 (1915) foi quem, pela primeira vez chamou a atenção para a importância da Península Ibérica na srcem do campaniforme, logo seguido por Bosch Gimpera (1926), que postulou a sua dispersão pan-europeia a partir desta região. Tal proposta inspirou A. del Castillo (1928) na sua notável obra de síntese.Muitos anos volvidos, Alberto del Castillo (CASTILLO YURRITA, 1954) afirmou que a expansão dos  vasos campaniformes foi sempre por via marítima – atlântica e mediterrânea – atribuindo à metalurgia do cobre o motor principal desta realidade. E ao a discutir questão da srcem e cronologia da cultura do vaso campaniforme, anteviu a importância de realização de futuras escavações em povoados da região do estuário do Tejo, a qual foi ulteriormente confirmada pelos resultados obtidos em Leceia e em outros locais de menor relevância para a discussão desta questão (CARDOSO, 1997-1998; CARDOSO, 2017). A“teoria clássica” veio progressivamente a aprimorar-se, com propostas ulteriores, destacando-se a de E. Sangmeister do “refluxo” (1961, 1966), a qual foi de certo modo corroborada pelo “modelo dual” de Harrison (1977). Este modelo, que admitia duas srcens diferenciadas, uma na Península Ibérica, outra na Europa Central foi confirmado pelos resultados de ADN relativos às populações campaniformes europeias recentemente publicadas (OLALDE et al. , 2018). L. Salanova (2000 a), retomando a “teoria clássica”, defendeu a srcem do vaso marítimo no estuário do  Tejo, considerando que tal vaso correspondia à única produção campaniforme pura, por ela designada de estilo  standard  . Neste contexto, torna-se evidente a importância das datas de radiocarbono publicadas que apontam para a sua efectiva antiguidade e, particularmente, na região em apreço, as relativas à Cabana FM de Leceia (CARDOSO, 2014 a), que comprovam a emergência do campaniforme na região cerca de 2750 cal BC, época em que os vasos marítimos  já coexistiam com produções campaniformes de cunho regional. Estes resultados, a par das informações produzidas pelas análises de ADN efectuadas à escala europeia a populações campaniformes, vieram confirmar a descendência directa destas a partir das suas antecessoras locais (OLALDE et al. , 2018), reforçando a srcem do vaso marítimo na região do estuário do  Tejo, região onde constituiu o núcleo mais importante à escala europeia. Daqui se expandiu ao longo da costa Fig. 1            Municipal de Cascais. Arquivo João Luís Cardoso/Octávio da  Veiga Ferreira.  49 atlântica, de que resultou importante pólo receptor na Bretanha, até assumir valores residuais em regiões mais orientais, no vale do Reno e nos Países Baixos (outra razão para negar a viabilidade do “Dutch Model”...). 2 – CRONOLOGIAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS  A particular incidência de marítimos na região do estuário do Tejo, já conhecida desde a época que se elaboraram os primeiros estudos sobre estas produções cerâmicas, deve relacionar-se com a riqueza e o uso intensivo e extensivo dos solos desta região, consubstanciando uma agricultura altamente produtiva, geradora de excedentes propícios ao estabelecimento de vias de circulação e de comercialização trans-regionais. Foi a sua importância agrícola, tal como em outras regiões europeias, que explica a abundância das manifestações Fig. 2 – Localização dos sítios mencionados no texto. 1 - Vila Nova de São Pedro; 2 - Serra das Mutelas; 3 - Zambujal; 4 - Alto do Pinheiro; 5 - Moita da Ladra; 6 - Verdelha dos Ruivos; 7 - Penha Verde; 8 - Leião; 9 - Leceia; 10 - Carrascal; 11 - Freiria; 12 - Ponte da Laje; 13 - Alapraia; 14 - Quinta do Anjo; 15 - Rotura; 16 - Lapa do Bugio; 17 - Pedra Branca.  50 campaniformes aqui verificadas, muito maior do que a observada em regiões cupríferas (HARRISON, 1977).  Tal conclusão encontra-se confirmada em Portugal pela realidade observada tanto nas regiões cupríferas do  Alto e do Baixo Alentejo, onde a presença campaniforme é escassa, acentuando-se tal realidade no Algarve, em que é residual (CARDOSO, 2014 b), não obstante a riqueza cuprífera ali observada. Tal situação põe em causa o binómio, muitas vezes invocado, campaniforme-metalurgia.Com efeito, na região do estuário do Tejo inventariaram-se cerca de 2000 vasos campaniformes de entre os 2500 vasos campaniformes identificados no território português (SALANOVA, 2004). O estilo  standard   (16% do total do país) concentra-se massivamente na Estremadura, especialmente nos povoados fortificados. Os 291 vasos marítimos identificados nesta região correspondem a 1/3 da totalidade do conjunto peninsular e a 3/4 dos vasos marítimos portugueses sendo provenientes de uma área em torno do estuário do Tejo: daí a importância desta a nível europeu. Existe forte correlação entre os marítimos desta região e os da Bretanha (SALANOVA, 2000 b). Segundo a autora (SALANOVA, 2000 a, p. 193, 194), este fenómeno só pode explicar-se pela deslocação dos fabricantes dos recipientes, dado que os vasos propriamente ditos pouco circulariam, de acordo com os resultados das, embora escassas, análises ceramográficas até ao presente efectuadas (CARDOSO et al. , 2005). Não obstante, mesmo nesta zona de maior concentração de marítimos, considerada por tal razão de difusão primária, estes podem ocorrer em minoria absoluta, considerando a totalidade das produções campaniformes registadas (CARDOSO, 2014 a), ou mesmo não ocorrer, o que revela uma capacidade criativa e de assimilação, motivada por uma larga tradição oleira anterior. Trata-se, não de simples imitações por oleiros locais, aqui ou em qualquer outro lado do território europeu onde se verificou o mesmo fenómeno, mas de criação de novos modelos integrando as novidades do estilo  standard   às fortes tradições oleiras locais de cada região considerada, de vários milhares de anos. Tal facto explica, por outro lado, a assinalável heterogeneidade tipológica evidenciada por tais produções locais, consoante as regiões consideradas, sendo até questionável, no limite, a designação de “campaniformes” (SALANOVA, 2000 a). A diversidade observada foi sem dúvida favorecida pela importante tradição oleira anteriormente verificada na região, associada a produções de alta qualidade, nalguns casos consideradas antecedentes do vaso marítimo, como adiante se verá. Fig. 3  – Imitação de vaso marítimo proveniente da gruta              técnica pontilhada característica do vaso marítimo foi substituída pela incisa. Museu do LNEG. Arquivo João Luís Cardoso/O. da  Veiga Ferreira. Fig. 4             Quinta do Anjo, Palmela. O vaso contém uma vértebra humana e um fémur.  A datação de radiocarbono do fémur deu o seguinte resultado: GrN – 10744 4040+/-70 BP (Cardoso & Soares, 1990-1992). Museu do LNEG. Arquivo João Luís Cardoso/O. da Veiga Ferreira.
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