O fenômeno El Niño Oscilação Sul e a variabilidade interanual da evaporação do tanque Classe A e da umidade relativa do ar em Santa Maria, RS

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  The objective of this study was to associate the interannual variability of Pan evaporation and air relative humidity with the El Niño Southern Oscilation (ENSO) phenomenon in Santa Maria, RS, Brazil. Daily data records of Pan evaporation (PAN, mm
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  1452   Streck et al  . Ciência Rural, v.38, n.5, ago, 2008.   Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.5, p.1452-1455, ago, 2008 ISSN 0103-8478 RESUMO O objetivo deste trabalho foi associar avariabilidade interanual da evaporação do tanque Classe A eda umidade relativa do ar com o fenômeno El Niño OscilaçãoSul (ENOS) em Santa Maria, RS. Foram utilizados os dadosdiários de evaporação do tanque Classe A (ECA, mm dia -1 ) eumidade relativa média diária do ar (UR, %) medidos emSanta Maria, RS. A ECA foi medida de 1973 a 2006 e a UR de1969 a 2006. Os anos foram classificados em El Niño (EN), La Niña (LN) e Neutros (N), considerando o período de 01/07 deum ano até 30/06 do ano seguinte. Os resultados mostraramque a ECA é menor nos anos de EN e maior nos anos de LN. Jáa UR foi maior em anos de EN e menor em anos de LN. O efeitodo fenômeno ENOS sobre a ECA é maior nos meses denovembro, dezembro, janeiro e maio, enquanto que sobre aUR os meses de maior influência do ENOS são outubro,novembro, dezembro e maio. Palavras-chave:  La Niña, vapor d’água, variabilidadeclimática, risco climático, agricultura. ABSTRACT The objective of this study was to associate theinterannual variability of Pan evaporation and air relativehumidity with the El Niño Southern Oscilation (ENSO) phenomenon in Santa Maria, RS, Brazil. Daily data records of Pan evaporation (PAN, mm day  -1 ) and mean daily relativehumidity (RH, %) measured in Santa Maria, RS, were used.PAN was measured from 1973 to 2006 and RH was measured  from 1969 to 2006. Years were grouped into El Niño (EN) years, La Niña (LN) years, and Neutral (N) years, from July 1 st  of the year to June 30 th  of the following year. Results showed that PAN is lower in EN years and greater in LN years. On theother hand, RH was greater in EN years and lower in LN years.The effect of ENSO on PAN is greater in November, December, January, and May, whereas RH is affected by ENSO in October, November, December and May. Key words:  La Niña, water vapor, climate variability, climaterisk, agriculture. O fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS)é um fenômeno de grande escala que acontece na regiãodo Oceano Pacífico equatorial, constituído de doiscomponentes, um oceânico e outro atmosférico, e deduas fases, a fase quente (El Niño) e a fase fria (La Niña) (GLANTZ, 2001; BERLATO & FONTANA, 2003). No Brasil, o sinal do ENOS se dá, principalmente, por anomalias climáticas de precipitação pluviométrica dasregiões Sul e Nordeste (GRIMM et al., 1996a,b;OLIVEIRA & SATYAMURTY, 1998; MARENGO &OLIVEIRA, 1998; DIAZ et al., 1998; BERLATO &FONTANA, 2003). Entre os elementos meteorológicosque ainda não foram associados com o fenômeno ENOSno Rio Grande do Sul, estão a evaporação do tanqueClasse A (ECA) e a umidade relativa do ar (UR). A ECArepresenta a lâmina de água transferida de reservatóriosde água livre para a atmosfera e por meio desta pode-se estimar a necessidade hídrica, a lâmina e o turno derega na irrigação das lavouras (MATZENAUER et al.,1998; CAMPELO JÚNIOR & CURI, 2001; CARLESSOet al., 2001). A UR é um dos principais elementosmeteorológicos que influenciam o estabelecimento e o - NOTA - I Departamento de Fitotecnia, Centro de Ciências Rurais (CCR), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Avenida Roraima,1000, 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: nstreck1@smail.ufsm.br. *Autor para correspondência. II Curso de Agronomia, CCR, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. III Programa de Pós-graduação em Engenharia Agrícola, CCR, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. O fenômeno El Niño Oscilação Sul e a variabilidade interanual da evaporação do tanqueClasse A e da umidade relativa do ar em Santa Maria, RS Nereu Augusto Streck I*  Hamilton Telles Rosa II  Lidiane Cristine Walter II  Leosane Cristina Bosco III Isabel Lago III  Arno Bernardo Heldwein I El Niño Southern Oscilation and the interannual variability of Pan evaporation and air relativehumidity in Santa Maria, RS, Brazil Recebido para publicação 13.02.07 Aprovado em 05.12.07  1453 O fenômeno El Niño Oscilação Sul e a variabilidade interanual da evaporação do tanque Classe A... Ciência Rural, v.38, n.5, ago, 2008. desenvolvimento de epifitias em plantas (HELDWEIN,1997; SENTELHAS et al., 2004), o ataque de insetoscomo ácaros (BOUDREAUX, 1958; ENGLISH-LOEB,1990), a secagem ou desidratação da planta parafenação (VILELA, 1994) e o risco de incêndios florestaise de campos (SOARES, 1984). O objetivo deste trabalhofoi associar a variabilidade interanual da evaporaçãodo tanque Classe A e da umidade relativa do ar com ofenômeno ENOS em Santa Maria, RS.Foram usados a evaporação média diáriamedida no tanque Classe A (ECA, mm dia -1 ) e a umidaderelativa média diária do ar (UR,%) medidos na EstaçãoClimatológica Principal do 8º Distrito de Meteorologia,localizada no Departamento de Fitotecnia daUniversidade Federal de Santa Maria (latitude: 29 o 43’S,longitude: 53 o 48’W e altitude: 95m). Usaram-se os dadosde ECA de 01/07/1973 a 30/06/2006, totalizando 33 anos,e UR do período de 01/07/1969 a 30/06/2006, totalizando37 anos. A UR foi calculada a partir de três leiturasdiárias (9 horas, 15 horas e 21 horas): UR = (UR  9h  +UR  15h  + 2.UR  21h )/4. Nos dias de chuva em que houvetransbordamento de água do tanque Classe A,considerou-se os dados de ECA como dados perdidos.Classificaram-se os anos em anos de El Nino(EN), La Niña (LN) e Neutros (N), segundo BERLATOet al. (2005) e NOAA (2007), considerando-se o períodode 01/07 do ano até 30/06 do ano seguinte, já que ofenômeno ENOS geralmente inicia no segundo semestrede um ano e acaba no primeiro semestre do ano seguinte(BERLATO & FONTANA, 2003; BERLATO et al., 2005).Os anos de El Niño foram 1969-1970, 1972-1973, 1976-1977, 1982-1983, 1986-1987, 1987-1988, 1991-1992, 1992-1993, 1993-1994, 1994-1995, 1997-1998, 2002-2003 e 2004-2005; os anos de La Niña foram 1970-1971, 1971-1972,1973-1974, 1974-1975, 1975-1976, 1984-1985, 1988-1989,1995-1996, 1998-1999 e 1999-2000; os anos Neutrosforam 1977-1978, 1978-1979, 1979-1980, 1980-1981, 1981-1982, 1983-1984, 1985-1986, 1989-1990, 1990-1991, 1996-1997, 2000-2001, 2001-2002, 2003-2004 e 2005-2006. Osresultados foram analisados por análise de probabilidade empírica (diagrama de caixa) em nívelmensal e anual (BERLATO & FONTANA, 2003).Os diagramas de caixa anual para ECA e UR são apresentados na figura 1, onde lê-se, por exemplo,que para a probabilidade de 90%, em 90% dos casos aECA e a UR estão abaixo dos valores correspondentesaos valores indicados pela extremidade superior da barra. O valor de ECA na probabilidade de 90% foimenor em anos de EN, maior em anos de LN eintermediário em anos N (Figura 1A) e o valor da UR nesta probabilidade foi maior em anos de EN, menor em anos de LN e intermediário em anos N (Figura 1B).Os menores valores de ECA e maiores valores de UR em anos de EN estão associados a condiçõesmeteorológicas de maior nebulosidade e maior númerode dias com chuva nestes anos (CARMONA &BERLATO, 2002; FONTANA & ALMEIDA, 2002). Jáos maiores valores de ECA e menores valores de UR em anos de LN estão associados a uma maior insolaçãorelativa e menor precipitação pluvial nestes anos(FONTANA & BERLATO, 1997; CARMONA &BERLATO, 2002). Os diagramas de caixa mensais daECA e da UR (dados não mostrados) indicaram que osmeses de maior influência do fenômeno ENOS sobre aECA e UR foram novembro, dezembro, janeiro e maio para a ECA e outubro, novembro, dezembro e maio para a UR. Estes meses coincidem com o primeiro e osegundo trimestre de maior influência do fenômenoENOS sobre a precipitação pluvial do Rio Grande Sul,que são outubro a dezembro e abril a junho,respectivamente (FONTANA & BERLATO, 1997). Figura 1 - Distribuição da evaporação média mensal medida no tanque Classe A no período de 1973 a 2006 (A) e da umidaderelativa do ar média mensal no período de 1969 a 2006 (B) associada ao anos de El Niño (EN), La Niña (LN) e Neutros(N), para Santa Maria, RS. A linha cheia horizontal, no interior das caixas, representa o percentil de 50 (mediana); alinha tracejada representa a média dos anos neutros; o final das caixas representa os percentis de 25 e 75; as barrasrepresentam os percentis de 10 e 90; os pontos, quando presentes, representam os valores extremos.  1454   Streck et al  . Ciência Rural, v.38, n.5, ago, 2008. Os resultados deste estudo podem auxiliar no planejamento das atividades agrícolas visandoreduzir os riscos do agronegócio. Por exemplo, na previsão de um evento de El Niño, são esperadosmenores valores de evaporação do tanque classe A emaiores valores de umidade relativa do ar, o que develevar a um menor uso de água pelas culturas de verão(MATZNAUER et al., 1998; CAMPELO JUNIOR &CURI, 2001; CARLESSO et al., 2001), condições maisfavoráveis ao aparecimento de doenças nas lavouras(HELDWEIN, 1997; SENTELHAS et al., 2004) edificuldade na secagem de material vegetal para fenação(VILELA, 1994). Ao contrário, se a previsão é de La Niña, esperam-se maiores valores de evaporação dotanque classe A e menores valores de umidade relativado ar e, neste caso o agricultor pode se preparar paraum aumento na necessidade de água pelas culturas(MATZNAUER et al., 1998; CAMPELO JUNIOR &CURI, 2001; CARLESSO et al., 2001), o que implica emum ajuste da área plantada ao tamanho dosreservatórios de água na propriedade, bem comocondições mais favoráveis ao aparecimento de insetos- praga como ácaros, os quais são favorecidos por  períodos secos e baixa umidade relativa do ar (50-65%)(BOUDREAUX, 1958; ENGLISH-LOEB, 1990), e maior risco de incêndios florestais e em campos (SOARES,1984). AGRADECIMENTOS Ao Conselho Nacional de DesenvolvimentoCientífico e Tecnológico (CNPq), à Fundação de Amparo àPesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) e àCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelas bolsas concedidas. REFERÊNCIAS BERLATO, M.A.; FONTANA, D.C. 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