Em conversa com Jean-Marc Ela: curto apontamento sobre o ensino superior e investigação em ciências sociais em Cabo Verde

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  Em conversa com Jean-Marc Ela: curto apontamento sobre o ensino superior e investigação em ciências sociais em Cabo Verde
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  Em conversa com Jean-Marc Ela: curto apontamento sobre o ensino superior einvestigação em ciências sociais em Cabo Verde Por Redy Wilson LimaEstar desde de Novembro de 2012 em trânsito entre Praia e Lisboa possibilita-me matar o tempo nos aeroportos e aviões dialogando com intelectuais aricanos p!s-coloniais"sendo o #ltimo deles $ean-%arc Ela" soci!logo camaron&s' ( mobili)a*+o deste aricano para este desabao em ormato de cr!nica vem a prop!sitodos recentes ,ou n+o t+o recentes assim discursos na imprensa e no  facebook   de pessoas.ue nada t&m contribu/do para a produ*+o de conecimento end!geno ,de dentro" n+oobstante a ostenta*+o de t/tulos de investigadores ,.ue ao .ue parece virou moda" sem.ue no entanto os ditos investigadores alem das suas investiga*ões" sobre anecessidade de se come*ar a produ)ir conecimento cient/ico em abo erde' (o se alar da necessidade da produ*+o de um conecimento cient/ico #til em aboerde ,se3a l4 o .ue 5 .ue isso signiica" caso se .ueira ugir de uma an4lise supericialcom escola nos il5us" 4 .ue mencionar os blo.ueios .ue impedem essa alta de produ*+o" principalmente por parte da.ueles .ue o t&m e6igido' 7eno notado .ue tem-se conundindo produ*+o de conecimento cient/ico com produ*+o supericial deconecimento baseado numa cultura de consultoria ,e n+o teno nada contra asconsultorias" .ue at5 34 os i)" mas problemati)ando as .uestões tratadas .ue temassombrado a ediica*+o de uma cultura end!gena de conecimento cient/ico" uma ve).ue nessas consultorias o conecimento tem sido tratado como uma mercadoria eencontra-se dependente do e6terior ,bem como 5 supericial e muitas ve)es legitimador de m4s pr4ticas governativas' No mundo acad5mico" a mina esera proissional" a ci&ncia progride com cr/ticas e n+ocom ba3ula*ões ,se bem .ue as ba3ula*ões a)em alguns progredirem na carreira"sobretudo os  yes man ' Na mina maneira de ver" pelo menos na orma como uso asredes sociais" os blogues servem para a)er activismo e o  facebook   5 um !ptimo campode observa*+o online ' Produ*+o de conecimento cient/ico a)-se nas academias masn+o ecadas em torres de marim climati)ados' 84 .ue sair 9s ruas por.ue a vidaacontece nas ruas' : investigador cabo-verdiano" para uma melor compreens+o da vida cabo-verdianacontemporânea" ter4 de come*ar a olar a realidade crioula de perto e de dentro ,na   perspectiva de $os5 %agnani" baseando-se na.uilo .ue $ean-%arc Ela cama de;antropologia do pr!6imo<" para .ue se possa aprender a conecer por dentro os povosa .ue pertence' ( n/vel te!rico" buscando arlos ardoso 9 conversa" o grande desaio da investiga*+oem =rica 5 a produ*+o de uma teoria com sentido cr/tico e plural' ( inova*+o de .uetanto se ala o3e em abo erde" transportada para o campo da investiga*+o" s! seconsegue a partir de uma tripla dimens+o de aud4cia epistemol!gica> ausar alar" ausar  pensar e ausar actuar' ?er cr/tico e transgredir teoricamente 5 ser inovador' Estaabordagem nos possibilita dei6ar de ser uma esp5cie de museu de antiguidade europeiae possibilita os ;intelectuais< dei6arem de ser meros imitadores das teorias produ)idasnoutras paragens ou ornecedores de dados etnogr4icos ,inormadores .ualiicados na perspectiva de @olanda Avora .ue posteriormente s+o elaborados em orma de teorias ede conceitos pelos colegas do Norte ou do novo imp5rio do ?ul' ?e .uisermos mesmo a)er da Bniversidade um verdadeiro locus  de conecimento" elatem .ue dei6ar de estar cativa do Estado e reestruturar-se a partir de um modelo .uerepousa sobre a descentrali)a*+o" a autonomia" a inova*+o" a criatividade pedag!gica e ainterdisciplinaridade ,ou a in-disciplinaridade como advoga :dair Carros arela'ontudo" voltando 9 .uest+o reerida em riba ,da mercantili)a*+o do conecimento" 4.ue ter em conta .ue nos tempos de crise ,se bem .ue os nossos tempos sempre oramde crise em .ue a prostitui*+o 5 uma estrat5gia de sobreviv&ncia" o investigador correr4o risco de se transormar numa esp5cie de ;proletariado da ci&ncia< ,nalguns casos at5 bem renumerado' Por um lado" poder-se-4 di)er .ue a raca produ*+o cient/ica no ar.uip5lago deve-se 9aus&ncia de meios regulares de trabalo" .ue impede um cientista sensato" e tendo umaam/lia para alimentar" gastar tempo na investiga*+o' Por outro" a sobrecarga das aulas,derivado em muitos casos da primeira situa*+o poder4 ser a e6plica*+o dessa situa*+o' No entanto" Ela considera .ue esta n+o pode ser encarada como ra)+o suiciente para 3ustiicar a raca publica*+o em =rica ,ou em abo erde' Pensando no meu caso particular" a sobrecarga de aulas n+o me impediu de publicar em revistas e cap/tulos delivros por convite" .uer no estrangeiro .uer nos il5us ,se bem .ue mais no estrangeiro"nem de investigar e participar em encontros cient/icos internacionais' : problema da raca publica*+o apontado por Ela poder4 estar na eran*a colonial deuma orma*+o onde n+o 4 lugar para a investiga*+o' Pegando" por e6emplo" a situa*+odos senores doutores" a impress+o .ue d4 5 .ue muitos deles passaram tanto tempo a   preparar uma tese .ue a criatividade esgotou-se ali" limitando-se agora a repetir a coisaem todo .uanto o s/tio' :utros mudam apenas os t/tulos dos artigos" republicando-os emtodo o lado' omo deende Ela" 34 n+o 5 poss/vel omitir o acto colonial se .uisermos compreender o.ue est4 a acontecer em =rica' No entanto" 5 necess4rio renunciar a ideia de encontrar no continente ,especialmente em abo erde o ;omem aut&ntico<" por.ue .ueiramos.uer n+o" desde o surgimento do capitalismo nas sociedades aricanas" nada 5 comodantes e" por conseguinte" 34 n+o se pode compreender nada do povo aricano comocompreender/amos se a coloni)a*+o n+o tivesse acontecido' Dalar de crise de identidade do aricano nesse conte6to 5 considerar .ue o povo aricanooi t+o proundamente perturbado pelo poder colonial .ue 34 n+o apresenta a mesmaidentidade' ?e isto aplica-se ao cabo-verdiano 5 algo .ue n+o pretendo discutir a.ui"entretanto" lembrando Driedric Niet)sce" o omem mesti*o pertence a uma ra*a 9 parte e 5 a.uele em .ue menos se pode coniar uma ve) .ue age de acordo com os seusinteresses individuais ,airma*+o esta .ue pode tamb5m ser interpretado como tendouma base racista' a orma como observo a coisa ,e sem .uerer generali)ar" o .ue parece 5 .ue noar.uip5lago o ensino superior nada mais 5" ainda" do .ue o prolongamento do ensinosecund4rio de tipo colonial cu3a inalidade era produ)ir os agentes necess4rios ao bomuncionamento dos gabinetes administrativos de gest+o corrente' 7al como reere Elaem rela*+o ao continente negro ,e incluindo abo erde no continente negro" n+oestamos ainda a preparar verdadeiros agentes de mudan*a camados a integrar-se num pro3ecto de transorma*+o 9 escala nacional" continental ou mesmo internacional'Estamos sim a reprodu)ir nos nossos alunos a cultura do macaco e do papagaio" levandoa .ue o omem da c5lebre rase pensar pelas nossas pr!prias cabe*as d& valentes voltasno t#mulo'
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