Descobrindo a vida secreta dos mamíferos do Pantanal

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  Grandes mamíferos terrestres parecem ser fáceis de estudar, mas a maioria possui uma vida secreta noturna e pouco conhecida, além de ocuparem extensas áreas como território para sua sustentabilidade, a exemplo dos carnívoros. O monitoramento de
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  See discussions, stats, and author profiles for this publication at: http://www.researchgate.net/publication/262187409 Descobrindo a vida secreta dos mamíferos doPantanal  ARTICLE  · APRIL 2014 CITATION 1 READS 69 9 AUTHORS , INCLUDING:Karl-L. SchuchmannZoological Research Museum Alexander Koenig 144   PUBLICATIONS   420   CITATIONS   SEE PROFILE Marinêz Isaac MarquesUniversidade Federal de Mato Grosso (UFMT) 59   PUBLICATIONS   237   CITATIONS   SEE PROFILE Olaf JahnZoological Research Museum Alexander Koenig 151   PUBLICATIONS   98   CITATIONS   SEE PROFILE Todor GanchevTechnical University of Varna 133   PUBLICATIONS   627   CITATIONS   SEE PROFILE Available from: Olaf JahnRetrieved on: 27 October 2015  Abril de 20147 Grandes mamíferos terrestres parecem ser fáceis de es-tudar, mas a maioria possui uma vida secreta noturna e pouco conhecida, além de ocuparem extensas áreas como território para sua sustentabilidade, a exemplo dos carnívoros.O monitoramento de mamíferos empregando “camera traps” tem provado, desde 1980, ser um dos métodos cientí-ficos mais modernos, eficientes, não invasivos, e ideais para estudos de longa duração de espécies pouco conhecidas, bem como aquelas ameaçadas de extinção. Além disso, possuem a vantagem de acionar automaticamente quando o sensor de infravermelho detecta a presença de um animal endotérmico, capturando excelentes imagens e sequências de vídeos. Estas informações permitem conhecer, por exemplo, o comporta-mento, ciclo de vida, e estimar a densidade dessas populações.Para as atividades de pesquisa do projeto “Os Sons do Pantanal” (O Biólogo nº 29, 2014) do Instituto Nacional de Ciên cia e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU/UFMT/CNPq) estão sendo utilizadas “camera traps” e gravadores de sons automatizados como mé-todos audio-visuais complementares, para avaliar e comparar os dados das comunidades de mamíferos do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Algu-mas espécies de mamíferos dessas áreas úmidas são mais sensíveis aos distúrbios antrópicos, tanto tem-poral, quanto espacialmente nesses habitats. Assim, a presença ou ausência, bem como sua abundância são fortes indicativos do grau de perturbação do ecos-sistema, além de subsidiar ações para a conservação dessas espécies em seus habitats naturais. Áreas de estudo no Pantanal O Pantanal é um centro de biodiversidade e uma das maiores áreas úmidas da América do Sul, ca-racterizada pelo seu ciclo hidrológico com a alternân-cia entre períodos de seca e cheia causando mudanças drásticas em seus habitats e, limitando, significativa-mente, as áreas de distribuição e forrageamento, espe-cialmente, para os mamíferos terrestres.Este estudo de monitoramento automatizado da diversidade de mamíferos iniciou-se em 2012 no Pan-tanal de Mato Grosso, fazenda Pouso Alegre e no SESC Pantanal, Base Avançada de Pesquisas do Pantanal da Universidade Federal de Mato Grosso, e no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a partir de 2010, na fazenda Barranco Alto. Conhecendo o nosso estudo As “camera traps” estão instaladas em transectos a uma distância de 1 km entre si contendo unidades de armazena-mento de dados. As imagens capturadas durante esse estudo permitirão estimar a riqueza de espécies e calcular a abundân-cia relativa de mamíferos terrestres em diferentes áreas de ocor-rência. Em cada imagem são registrados os padrões e tempo de atividade, temperatura e fases da lua, permitindo a análise dos dados comportamentais em relação aos parâmetros abióticos.Além disso, as “camera traps” registram também as es-pécies de mamíferos, seus rastros e documentam a captura das presas. Os mamíferos que produzem sons, mas que não são cap-turados pelas “camera traps” são registrados pelos gravadores automatizados. Como metodologia tradicional de monitoramen- COMUNICAÇÃO Descobrindo a vida secreta dos mamíferos do Pantanal Lydia Moecklinghoff, Karl-L. Schuchmann, Kathrin Burs, Ricarda Wistuba, Marinêz I. Marques, Olaf Jahn, Todor Ganchev, Josiel M. de Figueiredo, Filipe F. de Deus Figuras 1-6. Alguns exemplos de grandes mamíferos amostrados pelas “camera traps” do Projeto Sons do Pantanal: 1. tatu-canastra ( Priodontes maximus ), 2. veado-mateiro ( Mazama americana ), 3. jaguatirica ( Leopardus pardalis ) 4. onça-parda ( Puma concolor  ), 5. cateto ( Pecari tajacu ), 6. anta ( Tapirus terrestris ).  Informativo Sociedade Brasileira de Zoologia8 to e complementar aos gravadores e “camera traps” estão sendo realizadas observações diretas dos mamíferos do Pantanal. Resultados gerais Dentre as imagens capturadas no Pantanal de Mato Gros-so, durante 399 noites de coletas, foram identificadas 22 espé-cies de grandes mamíferos, com registros considerados raros como do tatu-canastra ( Priodontes maximus ), espécie ameaça-da de extinção (IBAMA 2003, www.biodiv   ersitas.org.br), entre-tanto, classificada na categoria vulnerável pela IUCN (2006, www.redlist.org). Na área de estudo no Pantanal de Mato Gros-so do Sul foram identificadas 31 espécies de grandes mamífe-ros, durante 2.037 noites de captura, incluindo os primeiros re-gistros regionais do cachorro-vinagre ( Speothos venaticus ) e do gato-palheiro ( Leopardus colocolo ), consideradas como quase ameaçadas pela IUCN (2014, www.iucnredlist.org).No entanto, essa pesquisa demonstra a importância de adicionar outros tipos de monitoramento tradicionais dos tran-sectos como a pé, a cavalo, de canoa e/ou de carro, como complementares aos dados obtidos com “camera traps” e gra-vadores automatizados, para avaliar a riqueza e composição de espécies de mamíferos do Pantanal. Oito espécies de mamíferos no Pantanal de Mato Grosso e cinco no Mato Grosso do Sul só foram detectadas por observações diretas, a exemplo do lobo--guará ( Chrysocyon brachyurus ), ariranha ( Pteronura brasiliensis ) e o tatu-de-rabo-mole ( Cabassous unicinctus ). Os territórios das ariranhas são aquáticos, e os indivíduos se deslocam com pou-ca frequência para os ambientes terrestres, enquanto o tatu-de--rabo-mole ocorre em ambientes terrestres, porém, com baixa abundância e pequena “home-range”, dificultando, assim, o registro dessas espécies pelas “camera traps”. O mesmo ocor-re com o lobo-guará ( Chrysocyon brachyurus ), que parece ser migrante, com baixa abundância, sem uma população estável e, portanto, com baixa probabilidade de registro automatizado.Em resumo, esses estudos que empregam “camera traps” com alta resolução digital de imagens fornecem dados cientí-ficos sobre o comportamento e ecologia da vida secreta dos mamiferos, contribuem significativamente para identificar as ameaças a esses animais, bem como responder a potenciais medidas de conservação. Além dessa importante questão, a tecnologia digital empregada permitirá, em um futuro próximo, identificar, automaticamente, as espécies e também os indiví-duos, como já fazem com a ajuda de tais equipamentos para os seres humanos. Essa pesquisa planeja, portanto, desenvolver metodologias apropriadas para as imagens digitais, semelhan-tes a impressão digital, empregando novos métodos computa-cionais de processamento de sinais inteligentes.Saiba mais sobre o projeto: www.ic.ufmt.br/cobra 1  Sobre os Autores: Os autores são membros do “Grupo Internacional de Pesquisadores em Bioacústica Computacional – CO.BRA” da UFMT, Cuiabá, MT. Lydia Möcklinghoff  , Ecóloga, doutoranda da Universidade de Bonn, e do Mu-seu de Pesquisas Zoológicas Alexander Koenig, Bonn, Alemanha. Karl-L. Schuchmann , Ornitólogo, Professor Titular da Universidade de Bonn e do Museu de Pesquisas Zoológicas Alexander Koenig, Bonn, Alemanha, Bolsista PVE do Programa Ciência sem Fronteiras CNPq/INAU/UFMT. Pro-fessor Visitante do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conserva-ção da Biodiversidade e do Programa de Pós-Graduação em Zoologia da UFMT. Coordenador do projeto “Os Sons do Pantanal”. Kathrin Burs , Ecóloga, doutoranda da Universidade de Bonn e do Museu de Pesquisas Zoológicas Alexander Koenig, Bonn, Alemanha, e pesquisadora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas INAU/CNPq/UFMT. Ricarda Wistuba , Ecóloga, mestranda da Universidade de Bonn, e do Museu de Pesquisas Zoológicas Alexander Koenig, Bonn, Alemanha. Marinêz Isaac Marques , Entomóloga, Professora Associada do Instituto de Bio-ciências e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade e Programa de Pós-Graduação em Zoologia da UFMT, e pesquisadora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas INAU/ CNPq/UFMT. Olaf Jahn , Ornitólogo, Museu de Pesquisas Zoológicas Alexander Koenig, Bonn, Alemanha, e Bolsista BJT do Programa Ciência sem Fronteiras CNPq/ INAU/UFMT. Todor Ganchev , Engenheiro, Professor Associado da Universidade de Varna, Departamento de Computação, Varna, Bulgária, e Bolsista BJT do Progra-ma Ciência sem Fronteiras CNPq/INAU/UFMT. Josiel Maimone de Figueiredo , Diretor do Instituto de Computação da UFMT, e Professor do Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental da UFMT. Filipe Ferreira de Deus , Mestre em Ecologia Vegetal, e Bolsista do Instituto de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas INAU/CNPq/UFMT. Curiosidade! Que ave que aparece no livro do programa do “Primer Congreso Sudamericano de Zoologia” de 1959?O fato curioso é que não é a mesma que ilustrou o cartaz colorido cuja imagem e impressão foram oferecidos pela prefeitura de La Plata. Para surpresa dos zoólogos participantes à época, o cartaz apresentava uma bela ilustração de um grou indiano. A explicação corrente na época foi de que o prefeito vira o animal em um zoológico e admirara seu porte e colorido. Fernando Dias de Avila-Pires Dep. de Medicina Tropical, IOC, favila@matrix.com.br MEMÓRIA  EXPEDIENTE Boletim Informativo. Órgão de divulgação da Sociedade Bra-sileira de Zoologia | Publicação Trimestral | ISSN 1808-0812 Editores desta edição:  Sionei R. Bonatto e Rosana M. da Rocha Design e composição:  Sionei R. Bonatto Tiragem:  600 exemplares Boletim online: a versão eletrônica deste Boletim está dispo-nível em www.sbzoologia.org.br. Créditos: As fotos da primeira página deste boletim são de au-toria de: Ana Paganelli (ave: Tachuris rubrigastra ), Antonio C. de Freitas (macaco: Cebus robustus ), Fernando Carbayo (planária: Luteostriata  sp.), Pedro H.C. Pereira (coral e Spirobranchus gi- ganteus ), Willianilson Pessoa (anfíbio: Bokermannohyla oxenti  ). Sociedade Brasileira de Zoologia CNPJ 28.254.225/0001-93Universidade Federal do Paraná, Departamento de ZoologiaCaixa Postal 19020, 81531-980 Curitiba, PRE-mail: sbz@sbzoologia.org.brWeb: www.sbzoologia.org.br  SOCIEDADE BRASILEIRA DE Zoologia  Ano XXXVI – Número 108 – Curitiba, abril de 2014 – ISSN 1808-0812
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