COMO TORNAR-SE ADULTO: PROCESSOS DE TRANSIÇÃO NA MODERNIDADE AVANÇADA Revista Brasileira de Ciências Sociais, junho, año/vol. 20, número 058 Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais Sao Paulo, Brasil

Please download to get full document.

View again

All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
 7
 
 

Film

  A par das mudanças que a vários níveis ocorrem na sociedade contemporânea, também os processos de entrada na vida adulta sofrem importantes transformações. À medida que o acesso à informação ea todo um conjunto vasto de recursos se disseminam em
Share
Transcript
  Introdução  A par das mudanças que a vários níveis ocor-rem na sociedade contemporânea, também osprocessos de entrada na vida adulta sofrem impor-tantes transformações. À medida que o acesso àinformação e a todo um conjunto vasto de recur-sos se disseminam em escala global e estão dispo-níveis às populações, permeando e moldando osseus cotidianos, encontram-se cada vez mais pon-tos de convergência entre as formas de ser joveme viver a transição para o estatuto de adulto em di-ferentes sociedades. Percursos escolares mais pro-longados, inserções profissionais mais tardias einstáveis, homologias nos papéis de gênero são,entre outros, fatores transversais que redefinem osmodos de atingir a condição adulta por parte dasgerações mais novas. Ao longo das últimas quatro décadas, a ace-lerada escolarização, urbanização e terceirizaçãoda população portuguesa, juntamente com altera-ções profundas em todas as esferas da vida social,aproximaram a sociedade portuguesa dos padrõeseuropeus, embora subsistam fragilidades e atrasosestruturais que têm levado, em trabalhos de sínte-se, a considerar-se que Portugal se caracteriza hojepor uma “modernização inacabada” (Machado eCosta, 1998) e uma posição “semi-periférica” nosistema global contemporâneo (Santos, 2001). Domesmo modo, nas transições juvenis para a vidaadulta, apesar da proximidade com as vividas nou-tros países europeus encontram-se-lhes tambémtraços particulares, reflexo das condições estrutu-rais da sociedade portuguesa. A análise que neste artigo se apresenta sobreas formas como as jovens gerações se tornam adul- COMO TORNAR-SE ADULTO:processos de transição na modernidade avançada  Maria das Dores Guerreiro e Pedro Abrantes  Artigo recebido em outubro/2004 Aprovado em abril/2005  RBCS Vol. 20 nº.58 junho/2005   158 REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - VOL. 20 N º. 58 tas baseia-se nas principais conclusões de um proje-to de investigação levado a cabo em 1997 1 e que in-cluiu, na sua primeira fase, além de uma pesquisateórica e estatística, a realização de entrevistas degrupo e entrevistas individuais com moças e rapa-zes, no intuito de reconstituir condições e históriasde vida, práticas e representações, projetos e expec-tativas quanto ao futuro. A amostra restringiu-se àregião de Lisboa e baseou-se na definição de clus-ters  de jovens em contextos diferenciados e em si-tuações de vida distintas. A transição para a condi-ção de adulto foi equacionada em moldesmultidimensionais; neste artigo, a análise centra-seem quatro dimensões fundamentais: educação, tra-balho, família e gênero. Assim, respeita-se esta seg-mentação. Na seção final ensaia-se uma tipologia demodos de transição para a vida adulta, como formade captar as modalidades complexas por meio dasquais se articulam e se entrelaçam essas várias di-mensões nas trajetórias dos jovens.  Assimetrias nos percursos escolares Nas sociedades do conhecimento é atribuídagrande importância aos saberes e às qualificaçõesformais, adquiridos mediante o sistema de ensino.Cresce e diversifica-se o leque de ocupações pro-fissionais e técnicas de elevada qualificação a quesó acedem os detentores de diplomas de nível su-perior, designados por alguns autores de “analis-tas simbólicos” (Reich, 1993). Todo este conjuntode empregos técnicos e científicos, bem recom-pensados e prestigiados, está associado a aspira-ções e investimentos crescentes na educação.O alargamento das oportunidades educativasfez-se sentir em Portugal, de forma acentuada, so-bretudo após a revolução de abril de 1974. A uni- versidade deixou de ser um privilégio das elites,tornando-se, para muitos jovens, a porta de acessoàs “novas classes médias”. Se nessa altura menosde 5% da população dos 25 a 29 anos possuía umdiploma de nível superior, em 2001 já o detêm per-to de 27% de jovens dessa faixa etária (INE, 2001).Esta transformação foi visível nos trajetos, nasrepresentações e nas expectativas de uma grandeparte dos jovens entrevistados, refletindo uma claramudança social. Como outros estudos já vinham no-tando (Costa et al. , 1990), para os jovens que lheconseguem aceder, o ensino superior representauma transformação significativa das redes de socia-bilidade e dos estilos de vida e, sobretudo, umaenorme abertura de perspectivas em face do futuro.Tal como nos restantes países onde decorreu a pes-quisa, em Portugal emerge um grupo de jovens al-tamente envolvidos nos cotidianos universitários ecom grande expectativa em relação ao futuro profis-sional (Lewis et al. , 1999). Querem aproveitar asoportunidades que os pais não tiveram e escolheruma profissão em que se sintam realizados. Seus tra-jetos de vida, sua auto-realização e suas representa-ções são bastante tributários dos percursos e dasoportunidades de formação. Gostam do estatuto deestudantes e, muitos deles, continuam trajetos deformação mesmo depois de terminada a licenciatu-ra. A maioria revela vontade de ter formação no es-trangeiro, pois deseja viajar, aprender, conhecer,contatar com outras culturas, confirmando uma re-lação já estudada entre a formação avançada e acondição cosmopolita (Peixoto, 1999). Estes jovensdependem, em grande medida, do suporte econô-mico dos pais, que investem significativamente numprojeto de escolarização e mobilidade social de seusfilhos.Essa massificação do ensino superior alterousignificativamente os trajetos e os projetos de umafaixa já considerável da juventude portuguesa,transformando decisivamente o processo de entra-da na vida adulta, à imagem daquilo que já acon-tece desde os anos de 1960 nos países da EuropaCentral. Alguns autores têm assinalado a criaçãode múltiplas opções, situações e oportunidadespara os jovens, conduzindo à desestandardização,à não-linearidade e à individualização das biogra-fias (Cavalli, 1995; Galland, 1995; Pais, 2001). Ain-da assim, a presente pesquisa mostra que o pro-longamento dos projetos acadêmicos é, em geral,inconciliável com a idéia de, a curto prazo, obterum emprego seguro ou constituir família, confir-mado estudos inquéritos recentes que apontam nomesmo sentido (Mauritti, 2002). É verdade que a  COMO TORNAR-SE ADULTO 159 expansão recente dos trabalhos temporários ou atempo parcial veio criar novas condições e situa-ções híbridas e transitórias (Mortimer et al. ,1999), mas em Portugal apenas 7% dos jovenstrabalham e estudam simultaneamente, sendoque a média na União Européia é de 16%, e empaíses como a Holanda ou a Dinamarca atinge44% e 37%, respectivamente (Eurostat, 2003).Para a grande maioria dos estudantes universitá-rios portugueses, o ensino superior constitui, defato, um adiamento do processo de transiçãopara a vida adulta, a par de um aumento das ex-pectativas em face do futuro.Esse aumento na faixa de jovens universitá-rios não nos deve fazer esquecer que muitos ou-tros continuam a ingressar cedo no mercado detrabalho, parte deles sem terminar sequer o ensi-no obrigatório. Estudos recentes mostram que40% dos jovens entram ainda no mercado de tra-balho no escalão etário dos 15-17 anos, sem pos-suir quaisquer qualificações (Alves, 1998) e que apopulação entre 17 e 24 anos tem o trabalhocomo principal meio de subsistência (Garcia et al. , 2000; INE, 2001). A generalização da escolaridade básica nãosignifica a generalização das experiências escolaresbem-sucedidas. Confirmando uma tendência iden-tificada por Benavente et al. (1994), a pesquisa em-pírica revelou como os insucessos e as reprova-ções, o desinteresse pelas “matérias”, os círculos deamigos e a vontade de trabalhar, ganhar dinheiroou conquistar autonomia tendem a convergir e aacumular-se em trajetórias de exclusão da escola.Uma parte substancial dos jovens não concluiu aescolaridade básica ou fê-lo já em idade tardia eem clara ruptura com o sistema educativo. Nas nar-rativas, o abandono escolar surge quase como uma“fatalidade”, ditada por acontecimentos marcantesque obrigaram ao afastamento da escola. Uma aná-lise mais aprofundada permite compreender queesses jovens não só possuíam anteriormente expe-riências escolares pautadas pelo desinteresse epelo insucesso, como também são srcinários declasses desfavorecidas e sem qualificações superio-res, isto é, são filhos de operários ou de emprega-dos executantes. 2 Eu ia jogar à bola e esquecia a escola. Mas agora vejo a vida de maneira diferente. Sem educaçãonão se consegue um emprego melhor nem me-lhores condições de vida (Entrevista de grupo: jo- vens operários do sexo masculino)Larguei a escola porque os meus pais não tinhammais… eu queria avançar, queria ir para qualquerlugar e não tinha dinheiro, então espera aí, aca-bou a escola, aquilo que sei, sei, aquilo que nãosei, que se lixe. Mas estou bem arrependido. Co-mecei a trabalhar e foi até hoje (Entrevista de gru-po: jovens operários do sexo masculino) Muitos dos jovens que abandonaram prema-turamente a escola sentem, poucos anos volvidos,a necessidade de mais qualificações e de novascompetências para enfrentar um mercado de tra-balho em acelerada transformação e que, cada vezmais, parece preferir as qualificações escolares,desvalorizando os saberes práticos. Dessa forma, oensino noturno, em todos os seus graus, tem cons-tituído uma opção bastante popular entre os jo- vens portugueses que pretendem começar a traba-lhar mas, simultaneamente, aumentar as suasqualificações.Note-se que os modestos rendimentos dosportugueses no geral, em comparação com o res-tante da Europa, implica que o reatar dos projetosescolares se faz, em grande medida, sem questionaro prosseguimento da vida profissional. Diante dainsuficiência de apoios estatais e de um tecido em-presarial dominado pelas pequenas e médias em-presas, situadas em setores pouco qualificados enem sempre abertas à aposta na formação (Freire,1998; Guerreiro et al. , 2000), a grande maioria dosjovens que regressa aos estudos, fá-lo por sua con-ta e em concomitância com o emprego. Procurammanter uma vida dupla: a de profissionais e estu-dantes, tendo embora de enfrentar diversos obstá-culos, nem sempre fáceis de superar: Eu trabalho em hotelaria [...]. É a necessidade,neste momento, como estou a tirar o curso, hácertos ramos em que é difícil um  part-time  ... (En-trevista de grupo: estudantes do ensino profissio-nal do sexo feminino).  160 REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - VOL. 20 N º. 58 [...] Trabalhadores-estudantes no nosso país, as con-dições que têm são mínimas... O meu irmão nãocompletou o 12º ano porque trabalhava por turnose a escola não tinha um regime flexível (Entrevistade grupo: jovens empregadas administrativas). Esta “escolha crítica” (mercado de trabalho versus  estudos superiores) é muito condicionadapor variáveis sociais – classe, etnia, sexo, local deresidência – bem como condições e experiênciasproporcionadas pelos próprios sistemas de ensinoe de emprego, que tendem a delimitar oportunida-des e vocações no sentido da reprodução das es-truturas e das desigualdades sociais (Bourdieu,1984). A juzante, essa opção abre dois universos detransição diferenciados (Banks et al. , 1992), atéporque a minoria de jovens com níveis de forma-ção intermediária (secundário) enfrenta grandes di-ficuldades de inserção profissional, sendo hoje ogrupo com maior taxa de desemprego (Pais, 2001).Entre as duas vias clássicas, tem-se assistido,em Portugal, à expansão da formação profissionalcomo uma terceira via, depois de quase ter desa-parecido após 1974. Reproduzindo uma tendênciaeuropéia das últimas décadas, os últimos anos têmsido marcados por uma clara aposta no desenvol- vimento do sistema de formação profissional, emgrande parte financiado pela União Européia (UE).Hoje, “aproximadamente 1 em cada 4 jovens queprosseguem os estudos após o 9º ano freqüentaum ensino tecnológico e profissional” (Grácio,2000, p. 136). Esta expansão vem ao encontro dedois fluxos cruzados: a) as crescentes exigênciasda nova economia, cuja competitividade e inova-ção dependem de capital humano com novascompetências e conhecimentos (Castells, 1998); b)a contração do mercado de trabalho, que faz comque os cursos sejam uma ocupação e uma novaesperança para jovens em situação de desempre-go iminente ou efetivo (Neves, 2000). O ingresso no mundo do trabalho Independentemente da tônica de diversasanálises, seja anunciando o seu colapso (Jenkins eSherman, 1979; Rifkin, 1995) ou enfatizando a suaimportância como elemento fundamental de estru-turação das sociedades e das identidades contem-porâneas (Beck, 1992, 2000), não há dúvida deque mudanças significativas têm reconfigurado aorganização do trabalho e as formas de emprego(Handy, 1986). As jovens gerações são protagonis-tas por excelência dessas novas dinâmicas, tantona esfera das oportunidades como dos riscos querepresentam. As tendências registradas nas últimasdécadas na esfera do trabalho implicaram mudan-ças significativas nos contextos, nas experiências enas oportunidades laborais dos jovens, gerandonovos perfis, identidades, poderes e culturas pro-fissionais (Castells, 1996). As qualificações escolares, científicas e técni-cas, proporcionam condições e oportunidadesacrescidas nos setores qualificados em expansão,até devido aos baixos níveis de qualificação regis-trados nas gerações anteriores. Assim, um contin-gente significativo de jovens caracteriza-se por tra-jetos escolares longos, e uma entrada tardia efavorecida no mercado de trabalho. Desde cedo,ocupam lugares de decisão nas organizações (Frei-re, 1998; Cordeiro, 2002) e auferem salários relati- vamente altos para a sociedade portuguesa, mes-mo em situação contratual precária. Possuem, cada vez mais, uma “condição cosmopolita” (Peixoto,1999), circulando livremente na rede global ex-traindo daí enormes capitais econômicos, relacio-nais e de  status  (Castells, 1996). Integram um en-clave de trabalhadores privilegiados, seduzidospelas múltiplas possibilidades da pós-modernida-de, quantas vezes indiferentes à situação da maio-ria (Clegg, 1998). Apesar da situação de privilégio relativo,muitos desses jovens são obrigados a seguir horá-rios de trabalho bastante prolongados (10-12 ho-ras diárias), por vezes ainda complementados porações de formação. Fazem-no por necessidade desobrevivência num contexto profissional muitoexigente e competitivo, mas também por expecta-tivas de promoção a curto prazo. Nesses casos, aconstituição de família ou as atividades de lazersão, em geral, remetidas para um cenário futuro,  COMO TORNAR-SE ADULTO 161 após a conquista de estatuto e estabilidade profis-sionais. Alguns depoimentos são elucidativos: Eu tenho muita pena que não seja compatível o fatode uma mulher ter um filho e poder seguir a suacarreira profissional [...] às vezes não são propria-mente compatíveis numa determinada altura... (En-trevista de grupo: economista, sexo feminino).[...] [o patrão] dá aquele ar de patrão porreiro, maso que acontece é que ele diz para a gente entrar auma hora qualquer, mas não diz a hora de saída!É raro o dia em que trabalho 8 horas. Trabalhosempre mais [...]. Em termos profissionais, [o prin-cipal objetivo] é ter um contrato e ter um horárioque me permita ser mãe e não ter posto só um fi-lho no mundo (Entrevista individual: bióloga). Esta casta de jovens privilegiados coexistecom uma maioria, alguns com qualificações supe-riores ou intermediárias, que “caem nas malhasdo temporário” (expressão de um entrevistado).Entram num círculo cada vez mais longo de tra-balhos rotineiros e temporários, com vínculosprecários, rendimentos reduzidos, em muitos ca-sos não muito além do salário mínimo e sem be-nefícios sociais, passando por experiências de de-semprego (Pais, 2001), enquanto sonham com umemprego estável e valorizado e adiam indefinida-mente a entrada na vida adulta.Note-se, porém, que apesar das análisesmais pessimistas (Sennett, 1998; Bauman, 1999)prevalece ainda um sistema estável e padroniza-do de emprego. Mas coexiste hoje com uma pa-nóplia de formas flexíveis de trabalho (Beck,2000), em franca expansão sobretudo entre as ca-madas etárias mais novas, e com reduzidos direi-tos e regalias sociais (Lewis et al. , 2002b). A flexi-bilidade, teorizada por alguns como traçocaracterístico da força de trabalho jovem e a pre-carização dos vínculos laborais (Supiot, 2001), re-forçada pelo enfraquecimento dos sindicatos e daparticipação dos trabalhadores nas decisões toma-das pelas organizações de trabalho, surgem comouma tendência estruturante das sociedades con-temporâneas, obrigando os trabalhadores a lida-rem constantemente com o risco e a insegurança(Castells, 1996; Beck, 2000). Um pouco por todoo lado, os jovens comentam, sem grande nostal-gia, que “já não há empregos para toda a vida”. Oque parece específico do caso português é que aprecarização dos vínculos laborais se sobrepõe aum quadro legal sistematicamente transgredido ea um cenário laboral de condições tradicional-mente precárias. O trabalho informal, fortementeenraizado em Portugal, tende a adaptar-se e asubsistir na nova era, representando o “grau zero”dos direitos sociais e laborais. As datas de paga-mentos, bem como os montantes auferidos sãofreqüentemente problemáticos e é também fre-qüente a imposição de horários prolongados, semdireito a vencimentos extras. A este propósito,note-se que a maioria dos jovens entrevistadosnesta pesquisa revelou, neste momento, trabalharsem contrato, situação que lhes foi apresentadacomo inevitável ou até vantajosa a curto prazo, visto não descontarem para impostos e segurançasocial. As taxas de desemprego, que em Portugal têmsido “oficialmente” baixas, aumentaram nos últimosanos, contrariando tendências de recuperação re-gistadas na União Européia e constituindo-se comoum dos mais sérios desafios à coesão e à integraçãona sociedade portuguesa. Contabilizada no final de2004 em 7,1%, para o total da população, a taxa dedesemprego mais do que duplica (15,8%) para afaixa etária dos 15 aos 24 anos (dados do InstitutoNacional de Estatística). Cerca de um terço dos de-sempregados tem menos de 30 anos. Uma fraçãomuito significativa de jovens transita entre “ocupa-ções flutuantes”, situando-se numa “zona cinzenta”ou de “integração periférica”, de difícil análise so-ciológica, mesmo por intermédio de metodologiasqualitativas, a inserção profissional efetiva e o de-semprego tradicional. A construção de biografias e identidadesenfrenta, pois, uma descontinuidade entre a in-segurança crescente no mercado de trabalho eos valores dominantes de segurança, planeja-mento e bem-estar na esfera pessoal-familiar. Aseguinte resposta é um exemplo da dificuldadeem gerir essa contradição:
Related Search
Similar documents
View more
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x