A importância do controle de autoridade: uma abordagem baseada nos objetivos e nas funções dos catálogos

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    1 A IMPORTÂNCIA DO CONTROLE DE AUTORIDADE: UMA ABORDAGEM BASEADA NOS OBJETIVOS E NAS FUNÇÕES DOS CATÁLOGOS  Fabrício Silva Assumpção 1  , Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa Santos  2   1 Bacharel em Biblioteconomia pela UNESP, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP, Campus de Marília, SP   2 Livre-Docente em Catalogação. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação e do Departamento de Ciência da Informação da UNESP, Campus de Marília, SP Resumo Considerando o catálogo como um canal de comunicação entre um usuário e um conjunto de recursos informacionais (acervo), objetiva demonstrar a importância do controle de autoridade para os objetivos e funções dos catálogos. Apresenta definições de controle de autoridade e trabalho de autoridade e os objetivos e as funções dos catálogos definidos por Charles Ammi Cutter, Eva Verona, Ákos Domanovszky, Seymour Lubetzky e Elaine Svenonius, assim como aqueles apresentados nos “Princípios de Paris”, no Functional  Requirements for Bibliographic Records  (FRBR) e na Declaração dos Princípios Internacionais de Catalogação. Os resultados mostram que as definições dos objetivos e funções dos catálogos elaboradas e reelaboradas em diversos momentos da história da catalogação contêm resquícios dos objetivos de encontrar e de dispor, definidos  primeiramente por Charles Ammi Cutter, sendo o controle de autoridade requerido para alcança-los. Conclui-se que o controle de autoridade é um elemento importante para os catálogos, uma vez que assegura a realização dos objetivos de encontrar e de dispor sem a necessidade do usuário conhecer todos os nomes de uma entidade. No contexto dos atuais ambientes informacionais digitais, os estudos sobre o controle de autoridade adquirem cada vez mais importância, pois, nesses ambientes, precisão e desambiguação, atributos  possibilitados pelo controle de autoridade, são características essenciais. Transpostos para a Web, os estudos sobre controle de autoridade ganham uma dimensão ainda maior, constituindo-se como importantes contribuições da catalogação a tal ambiente e, em especial, aos esforços e projetos voltados à Web Semântica. Palavras-Chave: Controle de autoridade. Objetivos e funções dos catálogos. FRBR. Informação e Tecnologia. Abstract Considering catalog as a communication channel between user and library collection, this paper aims to demonstrate the importance of authority control for objectives and functions of catalogs. The paper presents authority control and authority work definitions and introduces the objectives and functions of the catalog defined by Charles Ammi Cutter, Eva Verona, Ákos Domanovszky, Seymour Lubetzky and Elaine Svenonius, as well as those  presented in Paris Principles, in Functional Requirements for Bibliographic Records (FRBR) and in Statement of International Cataloguing Principles. The findings expose that definitions    2 of the objectives and functions of the catalog, elaborated and reviewed several times in history of cataloging, contain vestiges of finding and collocating objectives firstly defined by Charles Ammi Cutter, and such objectives requires authority control. This paper concludes that authority control is an important component for catalogs, since authority control assures the finding and collocating objectives achievement without the need of user knows about all names of entity sought. In the current digital information environments, studies on authority control obtain increasingly importance, because accuracy and disambiguation, characteristics enabled by authority control, are essentials. Studies on authority control transposed to the Web get a higher proportion becoming important contributions to the Web and, especially, to the Semantic Web efforts and projects. Keywords: Authority control. Objectives and functions of the catalog. FRBR. Information and Technology. 1 Introdução A atividade de catalogação é aqui considerada como sendo constituída por processos descritivos e temáticos. Os processos descritivos (catalogação descritiva) – nos quais se foca o  presente trabalho –  compreendem a elaboração e a manipulação de descrições bibliográficas e a escolha, o estabelecimento e a atribuição dos pontos de acesso de autor e título; os processos temáticos, conhecidos como catalogação de assunto, compreendem a análise de assunto e a atribuição dos pontos de acesso de assunto (TAYLOR, 2004). Um dos produtos desses  processos descritivos e temáticos é o catálogo, que atua como um canal de comunicação entre o acervo e o usuário (MEY, 1995). Os processos descritivos e temáticos da catalogação incluem diversas atividades, dentre as quais se encontram aquelas voltadas ao controle de autoridade. Nos processos descritivos da catalogação encontra-se o controle dos pontos de acesso que são utilizados para representar pessoas, entidades coletivas, famílias, locais geográficos, obras, expressões e séries.  Nos processos temáticos encontra-se o controle de autoridade de assunto, que compreende os termos utilizados para representar conceitos durante o tratamento temático do recurso informacional. Este estudo, por voltar-se à catalogação descritiva, não aborda essa modalidade do controle de autoridade. A história da catalogação descritiva é permeada pela elaboração de catálogos, definições dos objetivos e funções desses, declarações dos princípios e características da catalogação, elaboração de conjuntos de regras para guiarem a construção de descrições  bibliográficas e a escolha, o estabelecimento e a atribuição de pontos de acesso, criação de formatos para o intercâmbio de dados, e, mais recentemente, pelos modelos conceituais para dados bibliográficos e de autoridade para a modelagem e a construção de catálogos e de  bancos de dados. Embora nem sempre explícita, a necessidade do controle de autoridade para os catálogos mostra-se presente em diversos momentos da história da catalogação descritiva. Diante da escassez de estudos nacionais sobre a temática em questão, este estudo tem por objetivo demonstrar a importância do controle de autoridade para os objetivos e funções dos catálogos.    3 2 Revisão de Literatura Antecedendo a discussão sobre a importância do controle de autoridade para os objetivos e funções dos catálogos, convêm definir o que é entendido aqui por controle de autoridade e quais são os conceitos a ele relacionados.  Na literatura – principalmente internacional – sobre catalogação descritiva dois termos são comumente associados às atividades de controle dos pontos de acesso, são eles: controle de autoridade ( authority control ) e trabalho de autoridade ( authority work  ). A distinção entre os dois termos pode ser difícil, o que faz com que, muitas vezes, tais termos sejam empregados erroneamente, seja pela definição dada a cada um deles, seja pelo fato de serem tratados como sinônimos. Apesar da dificuldade em apresentar uma definição consensual de controle de autoridade e de trabalho de autoridade, é possível observar na literatura alguns apontamentos que conduzem a uma definição que pode ser utilizada para os propósitos deste estudo. 2.1 Controle de autoridade É de modo breve que Burger (1985, p. 3, tradução nossa) aponta que controle de autoridade e trabalho de autoridade não são a mesma coisa, “o trabalho de autoridade permite que o controle de autoridade ocorra”. Para o autor “o controle de autoridade é alcançado quando os cabeçalhos [ou seja, pontos de acesso] em um catálogo estão consistentes e quando um mecanismo (o arquivo de autoridade) e políticas de catalogação foram estabelecidos para assegurar essa consistência” (BURGER, 1985, p. 1, tradução nossa). Assim, para o autor, o controle de autoridade não é uma tarefa ou um conjunto de tarefas. Uma das definições de controle de autoridade mais encontradas na catalogação descritiva é a apresentada por Taylor (1984 1 , p. 2 apud MARAIS, 2004, p. 62, tradução nossa): “controle de autoridade é o processo de manter a consistência nos cabeçalhos em um arquivo bibliográfico por meio de referências a um arquivo de autoridade”, em outras  palavras, a utilização dos pontos de acesso autorizados do arquivo de autoridade nos registros  bibliográficos do catálogo com a finalidade de manter a consistência dos pontos de acesso em tal catálogo. Marais (2004, p. 62, tradução nossa), que se apoia na definição de Taylor, aponta que controle de autoridade é um “termo global e amplo para os processos técnicos do trabalho de autoridade e que tem como objetivo alcançar o controle sobre as formas variantes dos pontos de acesso”. Ainda segundo a autora, o “controle de autoridade obriga o uso de sistemas limitados e padronizados para a representação da informação e impõe uniformidade ao passo que rejeita divergência e diversidade” (MARAIS, 2004, p. 61, tradução nossa). Frías Montoya (2001, p. 422), que também se apoia na definição de Taylor, entende que controle de autoridade refere-se às operações do trabalho de autoridade que enfatizam o controle sobre as diferentes formas dos pontos de acesso. A concepção de Taylor sobre o controle de autoridade, a consistência dos pontos de acesso do catálogo mantida por meio do arquivo de autoridade, mostra-se presente também na definição que Reitz (2010, tradução nossa): Os procedimentos pelos quais a consistência de forma é mantida nos cabeçalhos (nomes, títulos uniformes, títulos de séries e assuntos) utilizados em um catálogo de biblioteca ou arquivo de registros bibliográficos por meio 1  TAYLOR, A. G. Authority files in online catalogs: an investigation of their value. Cataloging & Classification Quarterly , v. 4, n. 3, p. 1-17, 1984.    4 da aplicação de uma lista autorizada (chamada arquivo de autoridade) aos novos itens quando eles são adicionados à coleção. Rowley e Farrow (c2000) discordam de Taylor ao apontarem que o controle de autoridade não inclui somente a utilização dos pontos de acesso autorizados do arquivo de autoridade nos registros bibliográficos. Para os autores, o controle de autoridade […] diz respeito à manutenção e aplicação de pontos de acesso padronizados ou termos de índice. O controle de autoridade consiste na criação de registros de autoridade para cabeçalhos estabelecidos, no relacionamento dos registros de autoridade com os registros bibliográficos e na manutenção e avaliação do sistema de autoridade. (ROWLEY; FARROW, c2000, p. 369-370, tradução nossa). Segundo Chan (1994, p. 13-14, tradução nossa) “as atividades de controle de autoridade incluem a integração de registros de autoridade padronizados no sistema local e a  preparação de registros de autoridade para aqueles nomes e assuntos que não estão disponíveis em arquivos de autoridade padronizados”. Ainda segundo Chan (2007, p. 166, tradução nossa), o controle de autoridade de nomes de pessoas e entidades coletivas tem três principais propósitos: (a) garantir que todas as obras escritas por um determinado autor, ou relacionadas a uma mesma entidade coletiva, sejam recuperados com o mesmo ponto de acesso (ou sob o mesmo cabeçalho); (b) garantir que um determinado ponto de acesso conduza somente às obras de um autor específico ou relacionadas a uma entidade coletiva específica; e (c) poupar o tempo e esforço de ter que estabelecer o cabeçalho cada vez que uma obra de um mesmo autor ou relacionada à mesma entidade coletiva é catalogada. Bozzarelli (2004, p. 5, tradução nossa) aponta que o termo controle de autoridade é “frequentemente utilizado como um termo genérico para designar um conjunto de práticas e  procedimentos (trabalho de autoridade) que visa à criação de um ‘arquivo’ (arquivo de autoridade) de registros de autoridade”. Clack (1990, p. 2, tradução nossa) aponta que o controle de autoridade é o processo de garantir que toda entrada – nome, título uniforme, série ou assunto – que é selecionada como um ponto de acesso para o catálogo  público é única e não está em conflito, por ser idêntica, com qualquer outra entrada que já está no catálogo ou que pode ser incluída posteriormente. Jiménez Pelayo e García Blanco (2002, p. 25) apontam que o controle de autoridade é um processo de normalização cujo objetivo é estabelecer a forma exata e inequívoca com a qual um ponto de acesso deve sempre ser utilizado em um catálogo bibliográfico. Sobre a variedade e ambiguidade terminológica, os autores defendem que os termos controle de  pontos de acesso, gestão de autoridades, gestão e manutenção de autoridades, trabalho de autoridades e controle de acesso são sinônimos de controle de autoridade, uma vez que a diferença entre eles é puramente léxica (JIMÉNEZ PELAYO; GARCÍA BLANCO, 2002, p. 28). Desse modo, a concepção apresentada por Jiménez Pelayo e García Blanco (2002, p. 25) de que controle de autoridade e trabalho de autoridade são a mesma coisa está diretamente em confronto com a de Burger (1985, p. 1), que aponta que o controle de autoridade ocorre  por meio do trabalho de autoridade. Diante dessa confrontação, o que se tem como trabalho de autoridade? 2.2 Trabalho de autoridade Burger (1985, p. 3, grifo do autor, tradução nossa) define o trabalho de autoridade como sendo constituído por pelo menos cinco complexos processos:    5 1. a criação de registros de autoridade  (os quais serão utilizados para criar registros bibliográficos autorizados); 2. a reunião dos registros em um arquivo de autoridade;  3. a vinculação do arquivo de autoridade ao arquivo bibliográfico; juntos eles formam um sistema de autoridade;  4. a manutenção do arquivo e do sistema de autoridade; 5. a avaliação do arquivo e do sistema. De acordo com Maxwell (2002, p. 3-5), o trabalho de autoridade consiste na formação de pontos de acesso uniformes, na manutenção do registro de autoridade e no registro das decisões tomadas em um arquivo de autoridade. Para o autor, o propósito do trabalho de autoridade é assegurar consistência ao catálogo para que o seu usuário tenha que realizar uma  busca sob um e apenas um ponto de acesso para encontrar os registros associados a um determinado nome (MAXWELL, 2002, p. 1). Para Frías Montoya (2001, p. 421-422, tradução nossa) O “trabalho de autoridade” é uma denominação ampla que inclui os trabalhos de investigação e o esforço intelectual que comporta a criação e atualização dos registros de autoridade. [...] o trabalho de autoridade compreende a criação de relações entre outras formas distintas do nome que  podem ter sido utilizadas pelo autor [...] A manutenção dos arquivos [de autoridade], dos registros bibliográficos e das referências associadas no catálogo da biblioteca também faz parte do que temos denominado “trabalho de autoridade”. Sobre o trabalho de autoridade, Marais (2004, p. 61, tradução nossa) aponta que ele “implica o trabalho de pesquisa, esforço intelectual e todas as tarefas burocráticas envolvidas na criação e atualização de registros de autoridade”. Reitz (2010, tradução nossa) define o trabalho de autoridade como O processo de decidir qual forma de um nome, título, título de série ou assunto será utilizado como cabeçalho autorizado no catálogo da biblioteca ou arquivo de registros bibliográficos, inclui o estabelecimento das remissivas apropriadas para o cabeçalho e seus relacionamentos com outros cabeçalhos no arquivo de autoridade. Hagler (1997, p. 112-113, tradução nossa) aponta como sendo coletivamente chamadas de trabalho de autoridade as atividades de: 1) determinar se existe ou não um relacionamento significativo entre diferentes nomes ou termos e se um mesmo nome ou termo pode referir-se a mais de uma diferente pessoa, conceito, etc. 2) estabelecer e relacionar todos os possíveis pontos de acesso que podem razoavelmente expressar cada pessoa, conceito, etc. independente. Sobre o que seria o trabalho de autoridade, os autores que apresentaram esse conceito o fizeram quase que de forma consensual, não ocorrendo divergências tão grandes quanto as existentes em relação ao conceito de controle de autoridade. Desse modo, principalmente com  base em Burger (1985, p. 3), considera-se o trabalho de autoridade como:    a criação de registros de autoridade;    a reunião dos registros de autoridade em um arquivo de autoridade;    o estabelecimento do vínculo entre o arquivo de autoridade e o catálogo, criando um sistema de autoridade;    a manutenção do arquivo de autoridade e do sistema de autoridade; e    a avaliação do arquivo de autoridade e do sistema de autoridade. As concepções de controle de autoridade apresentadas por alguns autores, muitas vezes, mostram-se contraditórias entre si e variam desde uma abordagem do controle de
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